31.12.11

2012

Não será o fim nem o começo dos tempos, mas será um grande ano. Todo novo ano é um grande ano por natureza. Novas esperanças, novas chances de começar tudo de novo. Por mais que a diferença entre hoje e amanhã não seja de mais de 24h.

Nessas horas fico sempre com o poema Cortar o Tempo, do Drummond, que já apareceu aqui umas quantas vezes em anos passados.

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"

E para fechar, 100 fotos incríveis de arte urbana para vocês se divertirem.



Até ano que vem!

30.12.11

O mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano, O Livro dos Abraços

28.12.11

Resoluções pra 2012

Depois da retrospectiva é hora das resoluções. Nada de ir a Marte ou descobrir a cura do câncer. Pra 2012 o plano é colocar em prática todos aqueles "semana que vem" acumulados e mais uma que outra coisa, a começar pela alimentação.
  • Em 2012 quero comer menos carne e me alimentar melhor.
Pequenas porções distribuídas durante o dia ao invés do trio café-almoço-janta, isso quando rola o almoço ou a janta, fazem muito mais sentido.

Em parte pelo jornalismo, em parte pela falta do RU (restaurante universitário), passei os últimos dois anos alternando dias de alimentação exemplar com combinados de sanduíche e pão com leite e Nescau. Not helphy, not good to the environment.

Mas esses dias acabaram! Serei um ser humano exemplar, sempre com comida saudável e caseira na geladeira a minha espera e castanhas e damascos na bolsa. Acabei de voltar da feira com peixe, frutas, legumes e meia dúzia de lichias pra não perder o clima de natal. Que orgulho de mim...

A parte da carne é uma decisão de quem flertou com o vegetarianismo, mas não se viu capaz de abolir a maldita totalmente. Já pratico a redução de consumo há algum tempo e me sinto muito melhor. Se todos comêssemos menos carne -- olha, estou falando em comer menos, não nada --, os rebanhos seriam menores e por aí vai. Sem falar na crueldade animal.
  • Aprender a tocar violão
Nasci sem ritmo, nunca neguei isso. Mas após morar com amigos violeiros e passar tantas noites agradáveis ao som dos piores sucessos da música nacional fiquei tentada a arriscar.

Espero que a força de vontade e a professora (nada como morar com alguém que toca violão E flauta de ouvido) compensem a falta de coordenação.
  • Aprender outro idioma e estudar os que já aprendi
Cansei de ouvir as pessoas falando francês e italiano e não entender lhufas. Torre Eifell (ou de piza) que me aguarde! E, claro, já esta mais do que na hora de voltar a estudar inglês e espanhol antes que os dois fujam de vez da minha cabeça.
  • Andar mais de bicicleta
Porque pedalar é viver...
  • Ler mais
Sem desculpas. Tem tempo pra entrar no Facebook, tem tempo pra abrir um livro.
  • Desenhar mais
Caneta, papel, tá tudo aí. E a cidade é a inspiração. Não podemos nos restringir a uma ou outra forma de expressão.

E, por fim, mas não menos importante, o bom e velho:
  • Escrever mais
Essa promessa é antiga... Vamos ver se sai da lista das resoluções para as conclusões.

27.12.11

Retrospectiva 2011


Quando penso em dezembro de 2010 a mente vai longe e percorre meses que parecem anos até esbarrar numa Paula no meio da Avenida Paulista, caminhando e pensando o que seria desse ano em que não havia certeza alguma no ar. A começar pelo estado ou país em que eu passaria os próximos 365 dias.
Depois de meio ano no Rio e meio ano em São Paulo a resposta "qualquer lugar" deixou de ser uma força de expressão. Qualquer lugar para alguém com 23 anos, alguma cara de pau e um diploma de jornalismo debaixo do braço pode ser tanto o Japão quanto o quintal de casa, sem escalas.
E o lugar acabou sendo o Rio, mas um outro Rio, mais cru, mais pobre e bem diferente do que a gente vê na tv. Foi também o primeiro ano a sério de redação. E só quem pisou numa sabe a dor e a delícia de ter o nome impresso no jornal, muita vezes bem mais dor.
Pode-se dizer tudo de 2011 -- inclusive que ele não termina --, menos que não foi tudo lindo. Mesmo quando não foi lindo. Mesmo quando a gente enfrentou leão de canivete e saiu arranhada. Mesmo quando não dava vontade de por o pé na rua.
Se é pra tirar uma lição dessas de colocar na capa de livro de auto-ajuda -- e tem dias que a gente acordar um clichê atrás do outro, então me perdoem --, posso dizer, como ouvi/li em algum lugar, que a gente só sabe o quão forte é até que a única saída é ser forte. E que me descobri um hulk sempre que precisei.

16.11.11

Ocupação da Rocinha: nem tão cor-de-rosa assim

Passei a quinta, a sexta, o sábado e o domingo na rotina redação, Rocinha, casa, redação, Rocinha, casa. Véspera da ocupação, todos de olho na favela símbolo do Rio.

Além de gastar sola de sapato e ganhar uma bela dor nas costas, graças ao colete à prova de balas que usei por obrigação apesar de me sentir, como bem definiu um colega, como “alguém com roupa de astronauta em um lugar infectado”, aproveitei para conversar com todos que aceitaram conversar comigo.

Parte não falava, por medo; outra por desprezar da imprensa – quem pode culpá-los? Se eu me lesse dia após dia retratada nos jornais como sub cidadã também não ia ficar lá muito feliz com a idéia de ser entrevistada. As leis são diferentes numa terra não sem leis – o tráfico manda mais do que muito governo -, mas carente de Estado, que por décadas preferiu ignorar o morro.

Após muita insistência consegui conversar com cerca de 20 pessoas, do começo e do fim do morro, que subi depois que o Bope decretou o sucesso da operação no domingo de manhã. Para os moradores o problema não era o possível confronto - que não aconteceu -, mas o depois. Eles não confiam na polícia.

O texto que segue ficou na capa da edição online do jornal no domingo à noite e foi unido às observações de outro colega. que também passou o feriadão acompanhando a ocupação na Rocinha na edição impressa de segunda-feira.

Foi escrito as pressas na décima segunda hora trabalhando em um lap top numa lanchonete lá na comunidade mesmo, pra dar tempo de entrar no jornal. Se fosse escrevê-lo agora, mudaria um bom pedaço.

Ou não. Confesso que tenho orgulho dele. Seu maior mérito foi radiografar aquele domingo, com base nas fontes que mais importavam naquele momento: os moradores.

Após ocupação da Rocinha, moradores dizem temer a polícia

PAULA BIANCHI

"Cadê o enxame que é a Rocinha?", pergunta uma moradora em frente a rua vazia, cortada vez por outra por mototáxis e carros carregados com agentes do Bope. Acostumada a ver a estrada da Gávea "mais cheia do que um formigueiro", ela estranha o silêncio.

A madrugada na comunidade, ocupada pela polícia no domingo, foi tranquila, povoada apenas pelo som constante dos blindados da Marinha e dos helicópteros que sobrevoaram a comunidade durante todo o dia.

Nem um tiro disparado, orgulha-se a polícia. No entanto, o que preocupa os moradores são as próximas noites. "Quando vocês [imprensa] forem embora é que o bicho vai pegar", diz X., que prefere não se identificar.

Ela diz que não vai abrir a casa para a polícia. "Eles têm mandado? Se tiverem eu abro. Até onde eu sei até a polícia precisa seguir a Constituição."

X. afirma ter medo de deixar a casa sozinha quando tiver que trabalhar durante a semana e relata abusos, como uma moradora que levou um tapa na cara por não responder o chamado de um policial na quinta-feira (10).

Para ela as coisas "antes" estavam muito bem. "O Nem pagava o aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso."

X. conta que toda a quinta-feira chegava um caminhão com caixas fechadas de legumes e frutas vindos direto do Ceasa. Eles eram devidamente empacotados e distribuídos pela associação de moradores, a mando de Nem, para aqueles que se apresentavam como moradores carentes.

Cássia Cristina Silva, 25, e quatro filhos filmaram a casa inteira com o celular por precaução. "Podem entrar, mas tem que deixar tudo no lugar."

Ela dormiu com os filhos no quarto e acordou com o som dos helicópteros. "Eu estava com muito medo, mas não aconteceu nada, graças a Deus. Só as crianças, que estranharam dormir comigo e ficavam o tempo todo perguntando se a polícia ia entrar, se ia bater neles."

Y. também não está muito convencida dos benefícios da ocupação. "O tráfico vai voltar assim que a poeira baixar. O Nem era só um representante, quem manda ainda está aí", afirma. "Você acha que a polícia vai aguentar ganhar R$ 1.000 por mês? Mais um tempo e estão todos corrompidos."

"Ninguém vai falar nada, denunciar ninguém, por medo dos caras voltarem", afirma, referindo-se aos planfletos lançados de helicóptero pela polícia na manhã da ocupação com informações para os moradores denunciarem criminosos e esconderijos de armas e drogas

Já Z., 45, encara a nova fase com otimismo. "É a primeira vez em 45 anos que vejo essa rua assim, tranquila. Eu descia ela inteira de carrinho de rolimã, jogava bola aí. Tomava banho em uma cachoeira aqui do lado. Hoje meus filhos não têm isso".

Ele conta que prefere levar o filho de 12 anos para passear na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste, por medo. "Quem sabe agora a gente consiga voltar a fazer o lanche em família por aqui. Antes não dava, eles ficavam sentados em cima no balcão dos bares com fuzil na mão."

No entanto, ele também teme a ocupação. A sua casa foi revistada ainda no começo da madrugada de domingo. Os policiais não quebraram nada, mas tentaram levar o seu contracheque, que estava em cima de uma mesa.

"Mostrei o recibo, disse que era o meu salário inteiro. Um outro policial que estava junto que convenceu ele a não levar."

7.11.11

A incompreendida arte de guardar memórias

Herdei do pai o gosto pelo lixo, a tal da memorabília sentimental. Só que enquanto ele guarda de cadeiras quebradas a pneus velho eu, que malemal tenho espaço pros meus livros, me contento guardando papéis.

Tudo vai ser usado/consertado um dia, filosofa ele, e nisso as pilhas de quinquilharias, meticulosamente organizadas, aumentam. Todas guardadas com carinho e cuidado no porão lá de casa, espécie de arca do tesourou imaginária.

Imaginem o sofrimento da mãe -- que joga no outro time, o dos que sentem prazer em ver as coisas indo embora --, obrigada a esconder sacolas de lixo pra ele não descobrir que aquela lanterna aparentemente sem salvação ou calça jeans rasgada encontraram enfim seu destino.

Mas voltemos aos papéis, meus papéis. Pilhas e pilhas que a cada limpeza de gaveta se dividem em sim, não e talvez pra, quem sabe da próxima vez, ir embora. Diz um professor que tive que todo jornalista é um colecionador inveterado de papel. É parte desse ofício que nos faz loucos por ver nossas palavras impressas, com sorte encantando e sujando mãos alheias.

Guardo de tudo, sem muito preconceito. Do panfleto de uma exposição que meu pareceu interessante sabe-se lá porque - hoje mesmo mandei embora o folder com a programação dos 102 anos do Theatro Municipal do Rio, comemorado meses atrás, com um belo anjo barroco na capa - a ingressos de peças, bilhetes, desenhos, materias de jornal.

Estas, inclusive, tem um lugar especial. Uma pasta transparente de plástico, dessas que a gente encontra em qualquer livraria, que começou abrigando toda e qualquer coisa que saísse impressa com meu nome do jornal -- deslumbramento de estudante -- e que hoje guarda apenas textos selecionados, desses que tem mais espaço e amor entre as linhas. A minha versão da arca do tesouro.

Em dias que não sei bem o que quero tenho sonhos malignos de guardar tudo que redigi - online ou não - em uma caixa, fechar, colocar um adesivo escrito "meus dias como jornalista" e começar qualquer outra coisa que não envolva escrever.

E as pilhas de papel crescem, abarrotando gavetas e indo morar em lares improvisados de papelão.

A dificuldade de jogar fora é que muitas vezes esses pedaços de mundo que escolhemos guardar guardam também pedaços da gente.

3.11.11

Um brinde aos sobreviventes

Ontem passei parte do feriado em um divertido e típico almoço em família -- emprestada, que a de core festejou junta no frio caxiense --, com direito a bebês chorando, tios e tias falando alto e cachorros passeando pela casa. Em meio a taças de vinhos e pratos de strogonoff, alguém resumiu a data: esse é um almoço em homenagem aos sobreviventes.

Uns silenciaram, outros não. Cada um com seus botões pensou nos seus. Eu, que apesar de jovem já tenho meus mortos pra zelar, lembrei na hora da vó (agora escrevendo também me vem a cabeça a colorida e irreverente tia Inês. Que esteja dando bicotas vermelhas e polemizando onde estiver).

O tempo passa, mas a saudade não termina. Se nos encontrássemos novamente eu prometo que falaria mais devagar. À mãe e as às tias, que, tenho certeza, lembraram dela também, todo o meu amor.

31.10.11

Como salvar o seu piquenique em três lições

Domingo, piquenique, vontade de comer algo além de sanduíches de queijo com presunto. Como fazer? Já não há tempo nem disposição para preparar um bolo e conforme os minutos passam os amigos se aproximam com as derradeiras compras no mercado - o tal queijo, presunto e pão para os sanduíches. Tudo que resta é a geladeira com as lembranças do fim de semana passado e o coração e a barriga vazios de comida mas cheios de esperança de que dias melhores virão.

A resposta, caros amigos, é simples: pizza! Mas nada de correr para o telefone. Piquenique e domingo também pedem um pouco de Sazon, digo, amor, contornado pela arte da cozinha marota. Vamos de pizza... de liquidificador!

Nos meandros da minha infância lembro de momentos em que dona Marlei não estava lá muito a fim de tirar as panelas do armário e fazia a alegria da nossa mesa com uma receita simples e saborosa que lembrava um bolo, mas era salgada e quente o suficiente para se passar por almoço. A tal pizza de liquidificor. Além de ser fácil de fazer ela fica pronta rápido o suficiente para vencer a fila que os amigos enfrentavam no mercado.

Correndo contra o tempo e contra a falta de ingredientes, fiz o que todo o jovem que mora sozinho faz quando precisa de ajuda: liguei para a sra minha mãe para descobrir a receita. E ela não atendeu. Levei uns dez segundos para superar a decepção e a carência de saber que meus pais tinham uma vida a 2 mil km de distância e fiz a segunda coisa (às vezes a primeira) que todo jovem que mora sozinho faz quanto precisa de ajuda: recorri à mãe internet.

A receita a seguir é uma adaptação de alguns sites de culinária e varia de acordo com a latitude e a lotação da geladeira. Você vai precisar de:

1 copo de farinha
1 copo de leite
1 ovo
1 colher de sopa de queijo ralado
1 colher de chá de fermento
Molho de tomate
Tudo que estiver por perto e tiver cara de cobertura de pizza: milho, ervilha, queijo, cebola, presunto, atum, cenoura, brócolis, requeijão e por aí vai. A necessidade é a progenitora da criatividade.

Seja ninja e comece pré-aquecendo o forno. Isso significa ligá-lo em temperatura média pra adiantar o cozimento. Bata a farinha, o leite, o ovo, o queijo, o sal e o fermento no liquidificador. De acordo com as possibilidades da sua dispensa, parta para o recheio. Pode ser tanto uma camada de molho de tomate com queijo e presunto por cima como um molho bacanudo refogado com todos os sobreviventes encontrados na cozinha.

Optei com minha fiel escudeira Rafa por uma mistura de atum e milho, pra homenagear a tal pizza de sardinha - afinal, peixe por peixe, vamos com a lata mais próxima - e por ser, basicamente, o que tínhamos em casa. Pique a cebola, deixe dourar, acrescente o atum, o milho e um pouco de molho de tomate - tudo temperado com o manjericão que você cria na varanda, sal e pimenta, né coração - e deixe esquentar um pouquinho. Simples assim.

Molho pronto, o fermento já teve tempo de agir na massa. Unte uma forma, despeje a dita cuja e coloque o resto do molho de tomate, espalhado com carinho e cuidado, como se ao invés de uma placa de massa molinha você estivesse trabalhando com um disco de pizza. Por cima, o refogado da panela. Tudo pronto, a travessa vai pro forno por mais ou menos meia hora - o tempo depende da capacidade do fogão e tal. E ta ta, habemos pizza.

A fome foi maior que a vontade de fotografar, mas acreditem, fica lindo e deverás gostoso. Além de ser muito mais charmoso que um sanduba de queijo com presunto (que também acompanhou o piquenique, pra garantir que ninguém da tropa reclamasse de barriga vazia).

P.S. Se você for fazer o piquenique em um parque com um pedaço de reserva natural, como foi o nosso caso, cuidado com os animais selvagens. Acabamos cercados por macacos e depois de ver a carteira de cigarro de um dos participantes desaparecer graças as mãos larápias de um dos bichanos e ter uma discussão de descendente de primata para primata (que terminou com dentes afiados a mostra de ambos os lados e um iiiiIIIIIiii de resposta), acabamos voltando para o ponto do parque frequentado por humanos miniaturas e seus pais super protetores. Mais barulhento, mas também mais seguro.

P.S.S. Para os curiosos, resgatei na internet algumas fotos do tal parque em que sofremos o ataque dos macacos famintos. Tenho que lembrar de carregar a bateria da minha câmera. O Parque Lage é reconhecido pela Unesco como reserva da Biofesra e fica no bairro Jardim Botânico -- pertinho Do Jardim Botânico --,na zona sul do Rio, aos pés do Cristo e colado à famosa floresta da Tijuca (aquela replantada pelo Dom Pedro). A entrada é gratuita e o parque fica aberto de domingo à domingo.

Essa é a tal cascatas que escolhemos para começar o piquenique. É a primeira de uma série que segue um curso de água que vem lá de cima do Corcovado.


Essa é a mansão dos Lage, símbolo do parque. Hoje é uma escola de arte. Quem tiver olhos de lince pode enxergar o Cristo, no topo, à direita da foto.


E pra fechar uma das trilhas mais tranquilas do parque. É daqui que sai o caminho pra quem prefere subir até o Cristo a pé.


28.10.11

Chega de filtro solar



O negócio é conhecimento. Super interessante, pra começar bem o fim de semana. Por uma vida com mais massa e menos manuais.

26.10.11

Foi um rio que passou em minha vida

Esse blog tem andado as moscas. Eu sei, eu sei. A Joana já deve até ter desistido de atualizar o feed. Mas é que acontece tanta coisa todo o tempo que parece que mal sobrar espaço para vivê-las, quiçá contá-las.
Já pensei em aceitar o fim e encerrar as portas desse butequim virtual, mas dá mesma forma que vamos construindo lares por aí, o Palim é meu lar virtual. Ele tem tanto de mim quanto a(s) minha(s) casa(s) e, mesmo empoeirado, ainda é um lugar que gosto de visitar.
Não vou dizer que amanhã será diferente, farei a revolução e blá blá blá. Não vai. Amanhã é outra quinta que vem sem um fim de semana, o que a transforma numa quinta ao quadrado. Não pior que as outras quintas, apenas com uma carga maior de ansiedade em relação a sexta. E nesse ritmo, se nem a lista de prioridades a gente cumpre – olha aquela consulta ao neurologista que estou pra marcar a meses -, o blog muito menos.
Ãnfa, sigo por aqui, mesmo que na base da respiração boca a boca. E o Rio continua lindo, apesar do inferno, digo verão, estar chegando a galope.

23.10.11

Rotina

A vida contada em pacotes de chá preto

A vida contada em bom dias para o porteiro

A vida contada em plantões de fim de semana

A vida contada em cestos de roupa suja

A vida contada em cartelas de anticoncepcional

A vida contada em viagens para casa

A vida contada em corridas para não perder o ônibus

A vida contada em reuniões de pauta

A vida contada em promessas de começar a fazer exercícios todos os dias na segunda

A vida contada em leituras de jornal

A vida contada em boletos de aluguel

A vida contada em promessa de escrever posts pro blog

A vida contada em pacotes de chá preto

A vida contada em bom dias para o porteiro

A vida contada em plantões de fim de semana

A vida contada em cestos de roupa suja

A vida contada em cartelas de anticoncepcional

A vida contada em viagens para casa

A vida contada em corridas para não perder o ônibus

A vida contada em reuniões de pauta

A vida contada em promessas de começar a fazer exercícios todos os dias na segunda

A vida contada em leituras de jornal

A vida contada em boletos de aluguel

A vida contada em ...

11.10.11

“II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, de um conto do Caio F.

28.9.11

Na onda do jazz

Prometo solenemente não entupi-los com todas as matérias que fizer na vida. Só as legais. Esse texto saiu há alguns domingos na Folha e tenta captar um pouquinho da onda de jazz que toma conta do Rio.


Quem passa pela rua do Teatro, centro do Rio, nas noites de quarta-feira estranha encontrar diante do Centro Cultural Carioca, tradicional reduto do samba, centenas de pessoas ouvindo ao vivo clássicos de Miles Davis e John Coltrane.

Os garotos do Nova Lapa, centro dessa reunião, integram um movimento que vem tomando ruas e bares da cidade nos últimos meses, reivindicando espaço para um ritmo que remete mais a Nova Orleans que ao Rio: o jazz.

Só nesse ano já foram três festivais na cidade, além da nona edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, em junho, na Região dos Lagos.

“O jazz já é tocado no Rio há muito tempo. A sacada para tocar a juventude foi a rua”, diz Eduardo Santana, 26. Trompetista do NovaLapa Jazz, quinteto que começou em março como uma tímida jam session em frente a um boteco, ele diz se surpreender com a grande aceitação.

Além dos clássicos,eles investem em composições próprias e improvisações, aprovadas pelo público que aumenta a cada semana, e terminam o show passando o chapéu para pagar o equipamento. “As pessoas chegam a roubar nosso set list.”

Para o músico e pesquisador australiano Mike Ryan, dono da Triboz, casa de jazz aberta em 2008 na Lapa, apesar de o ritmo “estar na moda”, faltam espaços para os músicos tocarem.

“O jazz é um estilo difícil de popularizar no Brasil. Não toca no rádio”, afirma Uira Fortuna, diretor da Fundição Progresso, casa de shows na Lapa. Ele vê as redes sociais e o boca a boca como indutores do crescimento. “As pessoas vão a esses shows e são apresentadas ao estilo numa festa.Tem um lado de Carnaval, como tudo no Rio”, diz.

Autor do blog RioCult (www.riocult.info), Pedro Monnerat vê o jazz não necessariamente ressurgindo,mas conquistando novos espaços. O que não impede que o samba do CCC conviva tranquilamente com saxofones e trompetes. “O que o público jovem descobriu é que o jazz não precisa ficar restrito a lugares onde você tem que falar baixo e ficar sentadinho”, diz.

“Não é exatamente o Rio que está entrando na onda do jazz, mas o jazz que está entrando na onda do Rio.”


* A(s) foto(s) são da grande Paula Giolito;

** Falei com uma porrada de gente. Pra variar, ah se eu tivesse mais espaço...

Home sweet home

Já disse que Caxias em dias de sol é vizinha ao paraíso?











Direto de um sábado no quinta lá de casa.

5.9.11

"Rezo a Deus não pedindo cargas mais leves, e sim ombros mais fortes. E
tenho repetido que no que depender de mim, me recuso a ser infeliz. As
coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não
tiver, a gente inventa."

Caio Fernando Abreu

30.8.11

Doce agosto

Agosto chega ao fim, enfim. E foi bom. Nada de desgosto nem de cachorro louco. Só bastante trabalho, aprendizado e sorriso nos lábios. Quem diria.

A parte mais bacana do jornalismo – e também seu calcanhar de Aquiles, já que não nos aprofundamos em nada -, são as diversas vidas que a gente leva. Esse mês conversei com o Paulo José e acompanhei o sequestro de um ônibus madrugada a dentro; dei um tapinha nas costas do Niemayer e fiz plantão na frente do presídio de Bangu a espera do Cacciola; subi favelas pra fazer turismo e corri atrás de entrevistados em frente a delegacia e por aí vai. Às vezes no mesmo dia.

Para setembro nem ouso esperar nada. Parece que já é primavera há muito tempo.

14.8.11

As tais novidades

Então pessoal, a grande novidade, que me afastou do pc e evitou que as paredes aqui de casa fossem pintadas com canetinha é que... tambores... estou na Folha de São Paulo. Temporiamente, de dedinhos cruzados, mas, incrivelmente, muito contente.
Hoje saiu a minha primeira matéria com M maiúsculo, sobre o tal turismo em favelas do post anterior. Pra completar, o texto foi capa (em grande parte por causa das fotos belíssimas que o Rafael e Paula G. tiraram). Sou tudo menos blasé e passei o dia só sorrisos.
Pra que quem não leu a Folha hoje, acho que a essa hora não faz mais mal divulgar.

Favelas pacificadas atraem turistas no Rio

PAULA BIANCHI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

A concepção tradicional de favela vem sendo subvertida no Rio. De lugares simples e muitas vezes miseráveis, elas passaram a ponto de encontro de turistas e cariocas descolados que sobem o morro sem preconceito atrás da cidade maravilhosa além do cartão postal.

O morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul, cenário do clipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, hoje está na agenda graças aos eventos realizados quase que semanalmente pela comunidade –sede da primeira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio.

Um dos mais famosos é o “Pôr do Samba”, que acontece no primeiro sábado do mês.

No dia em que a Folha visitou o local havia alemães e franceses arriscando passos de samba ao lado de cariocas que entraram na favela pela primeira vez e entoavam clássicos de Cartola e Zé Kéti.

Vitor Lira Adão, 30, já levava turistas para passear pelo morro antes da pacificação. Ele é um dos monitores do Rio Top Tour, projeto criado há um ano pelo governo do Estado para incentivar moradores a atuar com turismo.

“Os estrangeiros sempre tiveram curiosidade, mesmo conscientes do perigo de antes”, lembra ele, que diz nunca ter tido problemas graves nos passeios –apesar de, na folga, já ter corrido para se esconder dos tiros.

“Muitos amigos meus morreram aqui, alguns porque trabalhavam para os traficantes e outros, atingidos por balas perdidas”, conta.

BUFÊ E FEIJOADA

Do outro lado da lagoa Rodrigo de Freitas, outras favelas usufruem da nova fase: no Cantagalo, Pavão e Pavãozinho é comum ver turistas que trocam as praias de Ipanema por um passeio.

“Já recebi um grupo de 35 japoneses”, conta Jailton do Santos, 35, dono do bar e restaurante Bela Vista. O local brinda os visitantes com uma vista de Copacabana e um bufê caprichado, com direito a feijoada no sábado e galinha caipira no domingo.

Já no Chapéu Mangueira, no Leme, é Vítor Hugo Medina, 32, que abre um sorriso ao falar dos novos visitantes. Barraqueiro na praia do bairro, ele se tornou ainda guia turístico e dono de albergue.

Medina promove tours pela favela, mostrando os projetos sociais do local e a área de preservação ambiental vizinha. E cresce sem deixar de lado a comunidade, que recebe uma parcela do lucro.

“Comunidade pacificada é febre. O turista que vem aqui e ainda não foi ao Pão de Açúcar e ao Cristo não vai mais. Aqui, ele vê tudo”.


No Alemão, morador espera boom turístico

Teleférico é a principal atração; movimento se concentra durante os finais de semana


Com a máquina fotográfica em punho, a aposentada Maria Aurora de Araújo, 70, esperava ansiosa pelo começo do passeio. Portuguesa, sempre que pode ela viaja ao Rio. Dessa vez, além das tradicionais visitas ao Cristo e ao Pão de Açúcar, fez questão de conhecer também o Complexo do Alemão.
Última comunidade do Rio a ser pacificada, o complexo de favelas cresceu em meio a bairros tradicionais da zona norte, como Penha, Ramos e Bonsucesso, até tornar-se um dos maiores do país.
Do alto do recém inaugurado teleférico, enquanto crianças soltavam pipas e donas de casa lavavam roupa, era difícil imaginar as cenas de guerra que os moradores presenciaram durante os anos de domínio do tráfico.
A ocupação pelas forças de segurança veio apenas em novembro, e ainda há soldados patrulhando o bairro.
"A gente tem que conhecer de tudo, o bom e o ruim", refletia Araújo enquanto admirava a sequência de morros com casas de tijolos sem tinta que formam o complexo. "Não tem nada parecido com isso. É muito bonito."
O teleférico é uma das principais obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) e xodó da presidente Dilma Rousseff, que esteve na sua inauguração em julho. No total, foram gastos R$ 210 milhões no projeto.
Do bondinho, que passa rente as casas, é possível ver tanto pontos turísticos clássicos, como o Cristo e a igreja da Penha, solitária no topo de seus 382 degraus, quanto o cotidiano dos moradores.
Embora ainda seja cedo para falar em invasão de turistas no Alemão e faltem restaurantes e bares que tornem as estações atrativas, os moradores aguardam ansiosos pelos forasteiros e a movimentação da economia local que isso pode gerar.
"O teleférico só funciona de manhã, mas tem turista que chega de carro. Eles aparecem mais aos sábados e domingos, mas vão começar a vir durante a semana também, quando o teleférico funcionar durante a tarde", prevê Anaílton Oliveira, 39.
Ele é um dos ambulantes que fazem ponto no Adeus, uma das seis estações, enquanto torce para que a primeira palavra associada ao local mude de "tiros" para "turismo".

7.8.11

Samba pra inglês ver

Fui a um samba no morro Santa Marta ontem e dormi com a cabeça em polvorosa pensando na matéria - em tese, sobre turismo nas comunidades.
O Santa Marta foi o primeiro morro do Rio a ser pacificafo, mas antes disso já tinha ficado famoso graças ao livro Abusado, do Caco Barcellos. Além disso, fica a dez minutos a pé da minha casa, o que significa ter outro planeta no quintal. Porque uma favela é outro planeta.
Como ninguém quis me acompanhar, calcei meus tênis e fui solita averiguar se tinha alguma festa por lá (a ideia da materia é dar dicas de programas legais nas comunidades. Lugares em que eu levaria os meus amigos que viessem me visitar).
Na praça em frente ao morro encontrei um pessoal vendendo cachorro quente que disse que não sabia. Quando comentei que ia subir mesmo assim, um dos clientes da barraquinha me olhou e soltou um, "corajosa". Retruquei que o morro era tranquilo e segui. Um pouquinho depois, aparece o cara. Disse que resolveu subir também. Aham. Agora tu tomou coragem, né amiguinho?
Na hora de pegar o bondinho, todas as preocupações foram para o saco. Encontrei um casal de alemães muito simpático e mais alguns estrangeiros. Eles moram em Sampa, mas passam todos os fins de semana no Rio. Se eles estavam ali e não estavam preocupados, porque eu, que falo a língua e ainda estava perto de casa, estaria?
Esperamos mais um pouco e uns 20 minutos depois estavamos na estação quatro, onde acontecia a festa Pôr do Santa. Como o morro é muito inclinado, com a pacificação foi construído um bondinho que leva o povo até o topo. Pra vocês terem uma ideia, a comunidade fica perto do Pão de Açúcar e a inclinação da montanha é semelhante a do Corcovado. Antes (e antes era há três anos), como disse um senhor que mora lá há 50 anos, o jeito era ir de viação canela.
Mais uns minutos caminhando pelo meio da comunidade, que merecia ganhar prêmios de arquitetura por se manter em cima daquela montanha e não desaparecer cada vez que São Pedro decide presentear um Rio com um temporal, chegamos a Praça Michael Jackson, a mesma do clip.



Gente bonita em clima de paquera, uma vista fantástica e cerveja barata. Mas, porém, toda via, ainda um aparthaid. O povo na pista não se misturava com o povo da comunidade. Sabe aquiela história de eles ali e a gente aqui? Curiosa, fui falar com Fumaça,
- O pessoal do morro nunca vai ir num samba que começa às 16h e acaba às 22h. Pra começar a gente nem gosta desse tipod e música.
- Pois é, eu vi que tocou até Nara Leão...
- Nara Leão, Nara Leão. Me pergunta quem é Nara Leão? Eu não sei! Isso não é a nossa cultura.

Ou seja, samba pra inglês ver.

Continua, que o sol lá fora está muito convidativo.

3.8.11

Após dias de choro e ranger de dentes, tá, exagero, após longos dias pensando na vida, largando currículos e engordando no inverno gaúcho, o agora do post anterior pode ser lido como, "é isso aí, tenho um ponto para bater de segunda à sexta!". Ao menos por esse mês. Dedos cruzados que o job parece muito bacana. Novidades em breve.

Vistas

Devo admitir que tenho sorte com vistas. No meu primeiro trabalho no Rio tirava meus intervalos na praia de Botafogo, admirando o pão de açúcar. No segundo, o Cristo ficava me dando tchauzinho da janela da redação. Agora é a baía de Guanabara que me faz companhia, com destaque especial para a as luzes da ponte Rio-Niterói.

P.S. Vamos ignorar a vista do teto das fábricas do Limão e do Tietê da redação do Estadão em Sampa. Se bem que os pôres-do-sol lá eram marcianos de tão vermelhos - um presentinho da aura de poluição que coroa a cidade.

28.7.11

Pesadelo com Camões

Sonhei que não sabia mais reconher os tipos de orações subordinadas e passei a noite agoniada, presa num pesadelo gramatical em que só faltou aparecer minha professora de português do Ensino Médio me reprovando - e ela sabia fazer uma cara de reprovação como ninguém. Acordei tranquila. Já não sei, mas tem coisas piores da gente esquecer.

24.7.11

Amy

Bastante gente entrou aqui no blog atrás de um post de 2008 (Descanse em paz Amy) em que chutei que a Amy morreria aos 27. Aos que agora respeitam o meu lado Walter Mercado deixo claro que foi é uma infeliz coincidência. Apesar de ter acertado a idade de falecimento da moça, fiquei triste com a notícia. O rock perde uma das suas intérpretes mais verdadeiras. Um brinde a Amy, onde quer que ela esteja.

21.7.11

Porto Alegre e Caxias com sol, apesar do frio, são lugares agradabilíssimos. Com chuva, vizinhos do purgatório.

13.7.11

Entre canetinhas e pães de colônia

Uns exercícios que fiz ontem e hoje de manhã. Tem até uma versão pichain do Pedro que passou aqui pra almoçar.



E a minha primeira fornada de pães tradicionais (já fiz pãesinhos de iogurte com erva doce), que saiu fresquinha ontem a tempo do café das 22h.



A receita é bem simples. É só misturar 50 gramas de fermento fresco (fica junto com os frios no mercado), 1 copo de óleo, 2 copos e 1/2 de água morna, 1 ovo, uma pitada de sal e 2 colheres de sopa de açúcar, tomando o cuidado de desmanchar o fermento na água antes de bater tudo no liquidificador. Depois você literalmente colocar a mão na massa e acrescenta um quilo de farinha branca, misturando tudo até desgrudar das mãos.
A parte mais chatinha é esperar e amassar. Deixa a massa crescer uma hora, divide em duas partes e faz os pães. Mais 40 minutos crescendo, meia hora de forno e você tem pão caseiro. Acreditem se quiserem, omeu ficou com gosto de pão de colônia.

Porque, se for pra comer, que seja o pão que eu amassei, né.
Continuando com a lista das pequenas coisas sempre adiadas: limpar a caixa de e-mails.

12.7.11

Homemade panquecas de filmes americano

Descobri o segredo das panquecas de filme americano (aquelas fofinhas, geralmente empilhadas em cafés da manhã beeem gordos): fermento! Ui, ui, ui. Não se trata de fazer a massa tremendamente dura, nem de colocar minúsculas porções na frigideira. O segredo, a chave do negócio, o tchan é colocar uma colheirinha de fermento e deixar as massada descansar por uns minutos (percebe-se que a pessoa passou anos sem saber disso). Nada como um ócio criativo para reanimar as experimentações culinárias.

Fermentos à parte, se você também quiser fazer um café da manhã ou lanche da tarde à americana a receita é simples. É só misturar 1 xícara de farinha, 1 xícara de leite, 2 ovos, 2 colheres de sopa de áçucar, 1/2 colher de chá de fermento e uma pitada de sal. Como era só pra mim, fiz metade e bati no braço mesmo com o meu amado fue, porque uma coisa é se animar a fazer panquecas matinais, outra encarar um liquidificador sujo sem necessidade (também dá pra misturar pedaços de maça e, aí sim, bater profissionalmente).

Massa pronta, aqueça a frigideira, coloque um cadin de cadin de manteiga/margarina/o que tiver a mão e uma porção de massa no olhômetro. Cozinhou de um lado, virou, cozinhou mais um pouquinho e é isso aí. Home mande panquecas de filme americano.

Pra engordar ainda mais, dá pra comer com chimia (geléia) e afins. Eu tasquei uma colherada de mel que a mãe mandou lá da terrinha. Combinou perfeitamente.

11.7.11

Hoje está mais difícil. Talvez porque é segunda, tem sol. Fica aquela obrigação de estar lá fora ganhando a vida. O grande desafio da semana será vencer a ansiedade.

7.7.11

A velha lista das tarefas adiadas

Sabe aquele monte de roupa que pede para ser doado? Ah, outra hora a gente vê isso. A caixa de e-mails não lidos que você passou a ignorar quando chegou na casa dos gols do Romário? Pior, os e-mails lidos e separados para responder com todo carinho, e que ainda estão lá, juntando poeira virtual; a lâmpada queimada do corredor, os papéis pra guardar e pra jogar fora, a tal da pintura da sandália começada no verão...
Pois bem, a hora chegou. Hoje é dia de de colocar a velha lista em dia - com uma pausa para um almoço com uma jornalista amiga, café com uma editora de revista gente boa e cerveja com outro jornalista bacana (contatos são tudo nesta vida de job hunting). Desejem-me sorte e vamos lá.

Pra animar a quinta-feira, a semana, a vida, vamos como hino desses dias incertos. Todos com a mãozinha pra cima cantando:

Eu quero é botar o meu bloco na rua...

6.7.11

Romantismo gramatical

Nunca fui o ser mais romântico/meloso do mundo, o que me exclui do "delisga você, não, desliga você", "amorzinho guti guti" e por aí vai. Pois eis que fim de semana em Sampa deu saudade do senhor namorado e, ao ver a carinha do dito cujo entre as últimas aparições do Facebook, resolvi exercitar um pouco desse lado enferrujado. Escrevi na caixinha:

- Sa-u-da-de, pode?

Sem resposta, lembrei ontem da mensagem e perguntei se o gajo tinha visto. Viu.

- Também, tu quer me colocar numa sinuca dessas!? Tem uma corrente que defende que é ditongo, outra que é hiato. De certa forma as duas estão certas, mas não tive tempo de pesquisar nos meus livros de português para checar.

Sobrou pra mim. Saudade pode. Pode até confundir carinho virtual com dúvida gramatical, ainda mais quando a autora é dada a explosões românticas.

Ahh, Paris





Vi Meia noite em Paris ontem e só conseguia pensar, "por que mesmo que não estou em Paris?". E é bem essa a do filme. O outro lugar, o outro tempo sempre parecem mais interessantes. O jeito é encarar o presente de frente e sem mi mi mi.


*By the way, belo Woody Allen. O melhor dos últimos tempos (melhor que Vicky Cristina Barcelona, sim senhor).


**Chega de musas. Woody deveria era passar a filmar só com o Owen Wilson! O cara absorveu perfeitamente o papel que seria do diretor alguns anos atrás. Os trejeitos, a fala. E de uma forma nada caricata.


*** Pra fechar. O que é o Hemingway, ein?!

5.7.11

Dia 1

Diário do desemprego

É isso aí, amiguinhos. Após seis meses de montanha russa emocional e muito aprendizado, acabou, enfim, meu freela no jornal. Sou contra a supexposição, mas também acho que devemos deixar claro pro mundo nossos desejos, pra não poder reclamar depois que ninguém ouviu. Então mundo, favor prestar atenção: quero um emprego bacana, que tenha a ver comigo e me possibilite pagar o aluguel com tranquilidade e, se não for pedir demais, guardar uns trocados para visitar os amigos além mar. E no Rio. Apesar de ser apaixonada por Sampa, a cidade maravilhosa me seduz. E temos que fincar um pouco o pé para alcançar coisas legais.

Como sou um ser nascido sobre o sol de virgem numa família italiana - o que, para quem não dá a mínima para astrologia e não faz ideia de como são as relações em sociedades gringas, pode ser traduzido como constantamente com o bicho carpinteiro-, não sei ficar sem fazer nada. Piro, enlouqueço, ameaço pintar as paredes com canetinha.

Analu me disse pra relaxar porque ora bolas carambolas, essas coisas acontecem, e fazer as coisas que eu queria fazer mas não tinha tempo. Ler, escrever, ir ao cinema, pedalar, desenhar sem pressa. Vou tentar seguir o conselho enquanto jogo bóias salva vidas em forma de currículos - o sr pai e a sra mãe que estão inconsoláveis, desacostumados que estão com a ideia de trabalhos freelancers -, e tentar olhar pollyanamente para o meio copo cheio. Em breve aparece algo ainda mais legal. Ou, como diria Iliri, tem espaços que a gente precisa criar.

Para começar o não-pirômetro, vou passar longe do pc limpando o meu quarto e o banheiro, que estão carentes de vassouras e afins. Depois, mergulho na biografia da Cleópatra escrita pela jornalista Stacy Schiff. Não matei ela na madrugada por pena da moça sentada ao meu lado no busão Sampa-Rio e claramente incomodada com a luz que iluminava minhas páginas e o sono dela.

Um grande brinde ao sagrado direito de tentar, e se alguém souber de alguma vaga para repórter, estamos aí.

23.6.11

PM ocupa o morro do Juramento








1. Buraco de tiro de fuzil num dos muros da comunidade;
2. CV = Comando vermelho, facção que domina o morro e que vem perdendo espaço por causas das UPPs (A Mangueira, ocupada no sábado, era do CV);
3. Armamento comum de um PM no Rio;
4. Resto de munição que sobraram do tiroteio de ontem;

Frase do dia:
"O lugar mais perigoso do Rio de Janeiro é a porta do hospital."
coleguinha comentando com um PM os oito suspeitos mortos pelo BOPE que foram levados, "ainda com vida", até a emergência, mas não resistiram aos ferimentos

Também foi a primeira vez que sai de blindado com um colete a prova de balas debaixo do braço.

Porque escrever

"- Nós escrevemos e escrevemos, Bia. Ficção, porque é todo um mundo novo, ainda que velho, se me faço entender. Ficção, porque tudo, tudo mesmo, é ficção. Se caiu no papel é ponto de vista, é parcial, é re-criação, digam o que quiserem. Porque é nosso Sol e nós podemos batizá-lo. Porque é nosso filme, nosso final, nosso mocinho, nosso bandido. Nosso bandido. Escrevemos porque sim. Porque não. Porque as palavras vão se juntando-de-carreirinha em nossas cabeças enquanto andamos o cão ou enquanto falamos ao telefone com o moço da teve a cabo, ainda que não queiramos. Porque não há mais nada, ainda que um amigo querido diga que a vida é muito mais que isso. A dele, talvez. Porque há dor lá fora e aqui dentro. E calor. E medo, e rancor, e doçura e risadas. Porque há o que contar todos os dias, Bia, a cada instante, tanto, tanto o que contar. Porque podemos falar da cor dos cílios do amigo que toma café conosco enquanto espera o cinema começar, porque há sim uma forma melhor de descrever o amarelo do vestido da moça no ônibus. Porque há tanta música, tanta sombra, tanta vontade de comer pipoca. Porque os deuses gregos nos assombram, escrevemos, escrevemos. Porque, de um monte de jeitos, a história começou quando fomos capazes de escrever sobre nós mesmos. Porque há confusão, aqui dentro e lá fora, e montes de jeitos legais de usar a mesma vírgula. Porque o que lemos nos encantou, porque o que lemos nos deixou putos da cara, porque o que lemos nos deixou. Escrevemos porque conhecemos sua filhinha mais nova em Campinas, porque choveu, porque fechamos a conta de alguém que morreu lá no banco Itau da avenida. Escrevemos para proteger. Escrevemos para estraçalhar. Para fazer um favor, para encher o saco, escrevemos. Porque hoje é dia três. Porque não entendemos uma palavra do que os outros dizem, porque lemos nas entrelinhas. Escrevemos porque não há ninguém aqui com esse nome. Escrevemos, escrevemos, porque o amor não mais nos habita. Porque o amor faz nossa cabeça girar. Porque somos donos disto e daquilo, escrevemos. Escrevemos sobre o que permanece, sobre o que nunca esteve. Sobre a voz do Dean Martin, Bia, escrevemos porque that’s amore! Escrevemos para descrever, para narrar, para dissertar. Escrevemos para que gostem de nós. Para contar o que vemos enquanto choramos na frente do espelho. Na frente do espelho. Escrevemos, e é isso que chamo de motivo. Porque os dentes doem, porque os tornozelos incham, é por isso que escrevemos. Escrevemos para refresca a memória, para esquecer tudo o que aconteceu e para enterrar o assunto também. Bia, nós escrevemos porque está escuro, porque o sol nasce na avenida Vinte e Três de Maio todos os dias, porque vemos as sombras da rua Palmares antes do dia começar, naquela horinha em que a solidão é maior que mundo, enquanto falamos com o cão e andamos no escuro. Escrevemos. Ficção, porque tudo, tudo mesmo, é ficção."
Fal Azevedo, autora de “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite

4.6.11

Desenhando loucamente


Ataquei as canetinhas da Rache e desenhei loucamente. Em destaque, a estante da sala com a estante da sala no fundo. Por que mesmo que eu desenho tão pouco?

P.S. Os Dvd´s são do Lucas.

29.5.11

carros X bicicletas


Em homenagem ao meu meio de transporte preferido (a bicicleta, não os 60 carros).

Friozinho

Hoje fez um friozinho gostoso aqui na cidade maravilhosa e o dia amanheceu cinza, com pinta de poucos amigos. Lembrei horrores de casa, dos lugares que eu já conheci e fiquei com aquele pé que é um leque pra conhecer mais alguns. Como será a China nessa época do ano? E Paris? E Angola? Olha o mundo aí no esperando.

22.5.11

Difícil isso de ser quem a gente é e ainda pagar as contas e não trair os sonhos. Nesses momentos em que que correm mais hormônios que sangue nas minhas veias, então... Respira, que amanhã sempre chega.

18.5.11

O tempo

Um fotógrafo passou 36 anos fotografando quatro irmãs para mostrar como o tempo age sobre nós. Very cool. Aqui. Com a mesma proposta, uma família se fotogra uma vez por ano desde 1976.
Vou começar o meu registro também. Ignorem o lapso de quase 20 anos:
Eu com cinco aninhos

Eu com 23

Ao contrário do que me disseram na época, a cicatriz passou e a mão não esconde nada, apenas segura uma cabeça com sono.

17.5.11

Copa para quem?

Ontem recebi um e-mail da Molly, amiga americana que que morou um tempo na América Latina, perguntando o que raio está acontecendo com as favelas, a polícia e a preparação para a Copa e as Olimpíadas que ela vê pela imprensa internacional como um desastre. Fiquei com vergonha de estar acompanhado o assunto por cima - remoções de favelas e bairros pobres, numa limpeza parecida com a feita na África do Sul - e passei a bola para Analu Mohr, a frente de um grupo de trabalho a respeito em Porto Alegre.

Ana resume:
"Bom, basicamente os caras estão usando a Copa como pretexto para remover pessoas que moram em áreas valorizadas. Como nossa constituição garante o direito à moradia, eles estão infringindo o Estado de Direito. As populações atingidas estão se organizando em Comitês Populares (para fazer frente aos comitês governamentais, onde o povo não tem vez)."
E não é que estão? Quem não lembra das favelas maquiadas na África do Sul e a da dívida que a Grécia ainda paga pela Olimpíadas.

No Brasil a coisa não é diferente. Grandes obras em locais em que não são tão necessárias assim são construídas com o apoio tácito da população, que desinformada acredita no discurso do pra frente Brasil, apoio a seleção, agora é a nossa vez.

Pra quem, como a Molly, quer saber mais a respeito, um bom começo é o blog A copa passa por aqui... E pra frente Brasil, só que com todo mundo junto.

Brownie vou te engordar e te fazer feliz

A vida é bela, a vida é curta, a vida é melhor com chocolate. Nos meus tempos de Sampa, além de amizades forever, ganhei uma parceira de doces, em especial, de brownie, aquele bolo meio embatumado que é apenas uma desculpa para comer chocolate, que representa 80% dos ingredientes. Descobrimos uma receita na interneta e caprichamos nas fornadas, que se tornaram comuns até que... a receita sumiu. Pois de meses de desaparecimento depois, a receita original foi encontrada por Carol Oms nos arquivos de celular de um amigo, ainda como havia sido impressa: em txt e com direito a gotinhas de manteiga.



Pra quem está sem lupa em casa, segue um resuminho. Não faço a mínima ideia de que blog tirei isso, mas deixo aqui meu agradecimento ao blogueiro desconhecido. O senhor fez meus dias na paulicéia desvairada mais gordos e felizes. Lembrando que o ponto mais importante é o fue!

Brownie do blogueiro desconhecido

Ingredientes:
240 gr de chocolate meio amargo
2/3 de xic de manteiga
juntar com 4 ovos ligeiramente batidos
(usar o fuet)
Acrecente aos poucos meia xícara de creme de leite
1 colher de essência de baunilha
1 xícara e meia de açucar de confeiteiro
1 xícara de farinha de trigo
acresencete 1 xícara de nozes ligeiramente picadas

Asse em forno moderado por 25 minutos, se embebede com o aroma de chocolate que deve tomar conta da casa e seja feliz. Fica muito bom com sorteve.

Mistério

O Blogger roubou um post que estava aqui. A dúvida é (além de wtf%¨& aconteceu), irá devolver?

7.5.11

Amarazáia zoê, záia, záia

“O homem que considera a sua pátria acolhedora é apenas um terno principiante; aquele para quem qualquer solo é como o seu solo natal é já forte; mas é perfeito aquele para quem o mundo inteiro é uma terra estrangeira".

Erich Auerbach

*via Pati Bem

2.5.11

48h em casa

Recém regrassa de casa, ainda com aquele gosto de quero mais colo de pai e mãe, pão direto do forno da padaria, amigos all around. O ruim dessas viagens relâmpago (fui sexta pra Porto, sábado pra Caxias e domingo às 15h já estava pedalando na praia) é que falta aquele tempo pra ficar sem fazer nada, quando os amigos e a família voltam a tocar suas vidinhas, e pensar, 'ok, e agora? Já vi todo mundo, dá pra voltar pra casa'.
Só mais um detalhe: formatura da baby sister foi uma ignorância alimentar. Fico feliz de só pesarem as malas na hora de embarcar.

18.4.11

Rio de Janeiro em pílulas

Outro dia estava de papo pro ar com alguns amigos também forasteiros na cidade maravilhosa de São Sebastião, quando entre causos e causos das cousas que só acontecem nessa distância do Equador alguém soltou a famosa máxima: deveríamos fazer um blog!
Pensei com meus botões imaginários, 'hum, eu tenho um blog' e me puni mentalmente por não expor aqui as façanhas que vivencio se não diariamente com grande frequência. Por que o Rio, amigos, supera de longe qualquer filme de ficção.
A grande questão é sempre a qualidade e o comprimento do texto, que na minha cabeça virginiana só mereceria respeito se longo e bem escrito. No entanto, posto que a vida se impõe e neste momento faltam alguns minutos para o fim da manhã tranquila sobre o sol que promete 30º e o começo do expediente da redação, faz mais sentido escrever duas linhas que nada. Tentarei, assim, ainda que em pílulas, compartilhar com os senhores os meus estranhamentos.

Pílula nº 1. A violência. As armas.

Quem vê Tropa de elite fora daqui encara tranquilamente o filme como ficção. Balas, polícia corrupta, bandidos, execuções. Parece imaginação, mas se não tudo, é uma boa parte da verdade. A diferença é que as pessoas convivem com isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fora que a zona sul é uma bolha onde as balas não chegam. Turistas, dinheiro, câmeras de televisão. Há muita coisa envolvida pra dar mole desse lado do túnel Rebouças.
Ainda me assusto quando vejo a polícia na rua com fuzis pra fora da janela do carro apontadas para quem der o azar de passar ao lado. Esse se esse cara teve um dia ruim, como eu fico?
Outro dia indaguei um PM sobre a necessidade daquele tipo de armamento all the time. Ele riu da minha 'inocência', tirou algumas balas - que deveriam ter uns cinco ou seis centímetros de comprimento - da arma e me mostrou.
- Isso é munição de guerra.
Outro policial que encontrei numa delegacia voltando de uma operação em uma favela lembrava mais uma árvore de natal que uma pessoa tamanha a quantidade de armas que carregava. Conversamos um pouco sobre a realidade em outros estados, e ele disse que para ele parece brincadeira ver a polícia em São Paulo pela tv armada apenas com revólveres 38. E riu quando eu disse que em Porto Alegre nunca vi ninguém, além dos seguranças dos carros fortes, com pistolas na rua.

Amanhã: entrando em uma favela não pacificada.

13.4.11

O Rio da minha janela


Ao menos da janela do trabalho.
Agora vamos ver quem tem a vista boa. Onde está Wally, digo, o Cristo?

'A tela do laptop está substituindo a grande visão do mundo'

"... eu acredito que a tecnologia pode poupar tempo, poupar viagens, mas faz você ficar em casa, entre quatro
paredes, perdendo o grande contexto da vida. A tela do laptop está substituindo a grande visão do mundo que você só pode conhecer explorando o mundo, viajando pelo mundo, saindo por aí, indo de um lugar para o outro, estando lá, e isso é importante. Não receber algo de segunda mão, não olhar pelas coisas a partir de terceiros. A internet é um instrumento de terceirização. Você coloca uma pergunta na internet e recebe uma resposta, mas não é a sua resposta. Você não experimentou nada."
Gay Talese

12.4.11

Liberdade à americana


ADAM ZYGLIS_ POLITICALCARTOONS.COM

11.4.11

Silêncio na comunidade

(Esse pequeno texto deveria ter saído ontem, mas acabou para trás esse emaranhado de notícias que vão dando forma a um jornal ao longo do dia. É sobre Realengo, mas acho que consegue ser um pouco mais delicada que muita coisa que a gente viu por aí.)

Ao invés de música, dança e a tradicional alegria do fim de semana, a comunidade de Vila João Lopes, em Realengo, passou o domingo em silêncio. Uma faixa colocada na entrada da comunidade avisa o motivo:

“A nossa comunidade está de luto pela morte de nossas crianças. Pedimos à Prefeitura providências.”

Com dois jovens mortos e um ferido no massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira na quinta-feira não havia o que festejar.

- A comunidade está de luto. Pedimos que as pessoas respeitem festa, música, essas coisas, para dar um apoio às famílias que perderam seus filhos -, explica Agnaldo dos Santos Jr, presidente da associação de moradores, que colocou a faixa na quinta-feira e pede que as pessoas respeitem o luto até hoje.

- A maior parte das crianças que estudam na escola moram aqui. A comunidade inteira foi afetada -. diz Agnaldo ao mostrar as ruas vazias e silenciosas. - Se fosse um dia normal teria baile, caixas de som na rua. Hoje não tem nada.

Dona de um bar na entrada do morro, Jane Souza, de 24 anos, servia os poucos clientes que resolveram sair de casa. O bar, que costuma ir até às 4h, fechou às 23h no sábado.

- Tem vindo bem menos gente que o normal. Não tem clima.

Ex-aluna da Tasso da Silveira e contemporânea do assassino Wellington Menezes de Oliveira, Jane resume o sentimento da comunidade:

- Tá todo mundo triste, foi todo mundo criado junto.

É a cara do pai em Carrara esculpido!

Ok, uma pausa na seriedade - já falei que passei o domingo atrás de famílias com mortos no massacre em Realengo? Pois então, passei. Ontem ri muito e alto com as definições corretas pra frases que a gente usa desde sempre, encontradas pelo meu coleguinha de apê, Lucas.
Apesar de achar que quem não tem cão caça com gato e que a boca serve mesmo para ir a Roma, adorei! Seguem algumas, roubadas do Blog do Janio:

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão: o correto é batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

Cor de burro quando foge: o correto é corro de burro quando foge!

Quem tem boca vai a Roma: pois é, eu também fiquei surpreso ao saber que o correto não tem nada a ver com a capacidade de pela comunicação ir a qualquer parte do mundo, e sim uma forma de exortação à crítica política; o correto é quem tem boca vaia Roma.

É a cara do pai escarrado e cuspido‘: essa é forma escatológica de dizer que o filho é muito parecido com o pai; o correto é a cara do pai em Carrara esculpido (Carrara é uma cidade italiana de onde se extrai o mais nobre e caro tipo de mármore, que leva o mesmo nome da cidade).