31.1.11

Da ansiedade do texto em gestação

Estou escrevendo uma matéria para uma revista e, finalmente, cheguei a algum lugar. Como vocês devem saber, chegar a algum lugar é sempre melhor que chegar a lugar nenhum, não que em termos de texto isso signifique necessariamente chegar a um bom lugar.
Essa ansiedade pré criação é sempre um parto desgraçado, ao menos no meu caso, que depois gera um misto de orgulho e nunca mais quero saber desse negócio. Mais ou menos como explica o Gabo tão bem no texto A melhor profissão do mundo, citado aqui uma porção de vezes e na minha formatura, que calha de fazer um ano justamente hoje.
Parabéns, 2005/1.

"Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

28.1.11

Associação de Baratas do Nosso Apê

Depois de passar a madrugada parte sonhando com lugares mais fresquinhos, parte suando, acordo e encontro na cozinha um simpático recado:


A situação passou de periclitante há tempos. Apesar da casa limpinha e sem louça na pia, as baratas decidiram que esse também é o seu lar e seguem resistindo ao venenos, águas sanitarias e afins. Pensei com meus botões (e vocês sabem como botões são grandes pensadores), será que depois de tantas tentativas de extermínio a solução enfim seria a convivência pacífica?

- Bom dia, dona barata.
- Bom dia, Paula.
- Como vai a sra?
- Bem, só vou pegar essa casquinha de pão que sobrou aqui e já estou de saída.

Antes de declarar o fim da aventura humana na terra, tomei minha água, passei um pano com Ajax no chão just in case e sai sorrateiramente da cozinha. Com ou sem baratas, não ia deixar de ler o jornal. Talvez estivesse noticiado o fim do mundo como conhecemos.

27.1.11

Brasilidades

Êi, você aí.


Manifestação em Salvador,
abril de 2010, boa e velha sony digital de guerra

Da série fotos que eu sempre quis publicar, mas nunca soube como.

26.1.11

457 anos, mas um corpinho de...

Não faz nem dois meses e Sampa já parece tãaao longe. Feliz aniversário atrasado, dear. Cidade viciante pela qual a gente se apaixona sem querer, negando até a morte que no fim gosta sim desse seu jeito meio mad max cinza de ser.



Pra comemorar, uma série de fotos dos olhos da cidade (via @npianegonda).

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando

Mas estou aqui escrevendo esse post.

Agora, agorinha mesmo, consigo pensar em umas seis coisas que eu deveria estar fazendo. Uma delas, e não me levem a mal, umas das menos importantes na escala de prioridades, é escrever aqui. E cá estou trocando alhos por bugalhos e tentando ao menos cumprir uma das minhas resoluções de ano novo: escrever mais.

Atualizações.

Estou freelando em um jornal popular do Rio, o que tem sido muito bacana e quebrou vários dos meus preconceitos. Outro dia umas das moças da faxina veio me pedir se eu trabalhava no site (estou dando uma mão na capa dele, e quando sobra um tempinho ou me pedem faço matérias) e eu disse que sim. Ela abriu um sorrisão e me pediu pra anotar o endereço.

- Eu amo o Extra, amo! O Globo não tem nada de bom (sim, o jornal é como um Diário Gaúcho da Zero Hora, só que do Globo), disse rindo, meio envergonhada.

Anotei, disse pra ela tomar cuidado com o http:// que se não, não entrava e continuei meu dia feliz da vida. As pessoas tem uma relação diferente com veículos populares, eles fazem parte da vida delas. Dizer que elas amam o jornal não é facilitar com a palavra, como diria Drummond.

Foi também nesse jornal que eu acompanhei com o rabo do olho e da janela a tragédia das chuvas na região serrana fluminense. É muita tristeza junta e o climão baixou em muita gente. Vi vários jornalistas que jé enfrentaram barras como o Haiti dizerem que agora foi muito pior. Porque é aqui do lado, porque é um lugar que você cresceu, porque é difícil ver mortos serem contados como em um videogame e não sentir nada.

Me senti pouco jornalista por não ter ido até lá, mas decidi que minha humilde contribuição será uma matéria sobre o que fazer daqui pra frente em áreas de risco como essas.

Fora que uma das coisas mais bacanas de jornal diário é que quando a gente acha que um negócio acabou e que vem uma folguinha, já aparece um helicóptero derrubado pra animar as coisas e mudar a pauta.

E vamo que vamo. Por telefone, sentada em frente ao pc, mas com muito coração.

25.1.11

É amigos. Tem dias que colocar os pés pra fora da capa e produzir sinapses coerentes não é bolinho não. Polichinelos, café? Bom dia mundo, me acorda daqui cinco minutos.

7.1.11

É preciso debater a mídia

O novo ministro das comunicações, Paulo Bernardo, concedeu uma entrevista honesta para a Folha de São Paulo de hoje. Ele mantém um tom um pouco abaixo do antigo ministro Franklin Martins, que apesar de massacrado pela mídia estava propondo um debate corajoso sobre o monopólio da comunicação do Brasil, mas ainda assim tem momentos interessantes como quando fala de concessões.

"Por que político não deve ter concessão?
É o Congresso que autoriza as concessões. Então, me parece claro que o congressista não pode ter concessão, para não legislar em causa própria. Os políticos já têm espaço garantido na televisão, nos programas eleitorais. E há também a vantagem nas disputas eleitorais, e o poder político e econômico."

Exercendo meu papel de ministra das comunicações, acredito que esse debate não é apenas necessários; é urgente. Comunicação e democracia são coisas intimamente ligadas e um País melhor passar por uma imprensa ampla e plural. Se como diz o ministro, "É mais fácil fazer o impeachment do presidente da República do que impedir a renovação de uma concessão de rádio ou TV", ao menos é preciso tentar rever as regras do jogo.

5.1.11

Fim do clube do bolinha


Dá um orgulho gigante ver uma mulher ex-guerrilha, divorciada e afins assumindo a presidência do Brasil. Faz parte de construir esse país melhor e mais igualitário no qual a gente cresceu sonhando em viver.

* Não achei o link direto pro autor da charge, mas descobri ela via twitter pela @crisprodrigues e pela @cynaramenezes.

4.1.11

Vida louca vida

Voltei, voltei, voltei. Com o coração na mão, morrendo de ansiedade e esperando que 2011 venha cheio surpresas boas e de preferência com um emprego bem bacana em uma redação. E o Rio continua lindo.