26.1.11

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando

Mas estou aqui escrevendo esse post.

Agora, agorinha mesmo, consigo pensar em umas seis coisas que eu deveria estar fazendo. Uma delas, e não me levem a mal, umas das menos importantes na escala de prioridades, é escrever aqui. E cá estou trocando alhos por bugalhos e tentando ao menos cumprir uma das minhas resoluções de ano novo: escrever mais.

Atualizações.

Estou freelando em um jornal popular do Rio, o que tem sido muito bacana e quebrou vários dos meus preconceitos. Outro dia umas das moças da faxina veio me pedir se eu trabalhava no site (estou dando uma mão na capa dele, e quando sobra um tempinho ou me pedem faço matérias) e eu disse que sim. Ela abriu um sorrisão e me pediu pra anotar o endereço.

- Eu amo o Extra, amo! O Globo não tem nada de bom (sim, o jornal é como um Diário Gaúcho da Zero Hora, só que do Globo), disse rindo, meio envergonhada.

Anotei, disse pra ela tomar cuidado com o http:// que se não, não entrava e continuei meu dia feliz da vida. As pessoas tem uma relação diferente com veículos populares, eles fazem parte da vida delas. Dizer que elas amam o jornal não é facilitar com a palavra, como diria Drummond.

Foi também nesse jornal que eu acompanhei com o rabo do olho e da janela a tragédia das chuvas na região serrana fluminense. É muita tristeza junta e o climão baixou em muita gente. Vi vários jornalistas que jé enfrentaram barras como o Haiti dizerem que agora foi muito pior. Porque é aqui do lado, porque é um lugar que você cresceu, porque é difícil ver mortos serem contados como em um videogame e não sentir nada.

Me senti pouco jornalista por não ter ido até lá, mas decidi que minha humilde contribuição será uma matéria sobre o que fazer daqui pra frente em áreas de risco como essas.

Fora que uma das coisas mais bacanas de jornal diário é que quando a gente acha que um negócio acabou e que vem uma folguinha, já aparece um helicóptero derrubado pra animar as coisas e mudar a pauta.

E vamo que vamo. Por telefone, sentada em frente ao pc, mas com muito coração.

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