12.3.11

Vamos fingir que hoje é dia 8 de março

"Feminism is the radical notion that women are people."
Cheris Kramarae
Paula Treichier


Ao invés de esperar por uma rosa e um elogio por tornar o mundo mais colorido, cheiroso e afins gostaria que as leitoras - e os leitores, por que não? - fizessem um exercício e respondessem algumas perguntas.

Pra quem tem irmãos e ainda mora com os pais. Para quem sobra a louça e a limpeza da casa? Quem tem que manter o quarto arrumado? Quem pode levar o namorado/a em casa e sair sem horário? Quem organiza a casa, arruma as crianças e manda todo mundo escovar os dentes?

Pra quem vive com o companheiro/a/marido/esposa/peguete. Com quem ficam as tarefas domésticas? Você lava e a outra pessoa enxuga? Quem faz a comida? A outra pessoa lava a roupa e você as estende? Até que ponto as obrigações são divididas igualitariamente?

Quando você liga a tv e o personagem principal é um homem aquela história é de homenzinho ou é normal?

Para quem estuda. De todos os livros que você tem que ler por indicação dos professores, quantos são escritos por mulheres? Das palestras e debates que você assiste , quantos são proferidos por mulheres? Quando você pensa na autoridade sobre um assunto quem vem primeiro?

Nas revistas e jornais, os entrevistados são o quê? Quando há uma matéria sobre um homem ela obrigatoriamente envolve a sua vaidade, gosto por maquiagem e como ele se equilibra entre o trabalho, a família e os filhos?

Dos seus heróis na infância, quantos eram homens e quantos eram mulheres?
Quem comanda a empresa em que você trabalha?

Essas questões podem parecer simplistas, mas ajudam a pensar a sociedade em que vivemos: patriarcal e centrada no privilégio branco e heterossexual.


Se dizer feminista atualmente virou um tabu e sinônimo de frigidez, falta de vida social e interesses afetivos tamanha a desconstrução sofrida pelo movimento das últimas décadas. E parte disso se deve a nós mesmas, que reproduzimos com nossos amigos e familiares a criação machista que recebemos - e por feminismo não falo de uma oposição direta ao machismo, que apenas reproduz os seus erros, mas uma reinvindicação de igualdade de caráter libertador para os dois lados.

Se eu não preciso gostar de rosa e andar de saia só por que tem que ser assim, você não precisa ser o grande provedor que só pode falar de futebol, mulher e cerveja. Gêneros são social e biologicamente construídos, numa equação cruel para os dois lados. Todos perdem num mundo com lugares marcados desde o começo em que metade da população é considerada uma minoria.
Não é preciso queimar sutiãs para "entrar na luta". Tomar consciência das condições desiguais e parar de aceitá-las como naturais é um belo primeiro passo.


Pra ajudar nesse nosso exercício de imaginação, seguem alguns vídeos que descobri lá no blog da Lola.

Esse faz uma análise dos últimos 50 anos de Oscar e conclui que apenas quatro películas entre os vencedores de melhor filme têm uma protagonista mulher ou apresentam uma perspectiva feminina:


Já esses fazem parte de uma campanha do governo do Equador contra o machismo. Isso mesmo, do governo.

Esse coloca atitudes machistas como pré-históricas:


E esse mostra como o os papéis de homens e mulheres são construções. A menina vestida de princesa e rosa desde cedo, o menino aprendendo a ser violento e com tudo azul. Quando crescem eles não conseguem perceber isso, mas os dois já foram treinados para os seus papéis. Ela submissa e presa a isso, ele o provedor violento.



Nem todos são engraçadinhos e ligths. Vários falam de estupro e crimes contras as mulheres, colocando a violência como um dos principais legados da nossa sociedade machista. E vamos pensar um pouquinho. Não é?

Para fechar, recomendo dar uma olhada também no teste para saber se você é feminista publicado no blog há um tempo - http://maisumpalimpsesto.blogspot.com/2010/02/muita-gente-tem-medo-de-se-declarar.html

Então? O que vocês responderam?
É hora de sair do armário e assumir o feminismo. Afinal, já dizia Rosa de Luxemburgo, "quem não se movimenta não percebe as amarras que o prendem".

Nenhum comentário: