18.4.11

Rio de Janeiro em pílulas

Outro dia estava de papo pro ar com alguns amigos também forasteiros na cidade maravilhosa de São Sebastião, quando entre causos e causos das cousas que só acontecem nessa distância do Equador alguém soltou a famosa máxima: deveríamos fazer um blog!
Pensei com meus botões imaginários, 'hum, eu tenho um blog' e me puni mentalmente por não expor aqui as façanhas que vivencio se não diariamente com grande frequência. Por que o Rio, amigos, supera de longe qualquer filme de ficção.
A grande questão é sempre a qualidade e o comprimento do texto, que na minha cabeça virginiana só mereceria respeito se longo e bem escrito. No entanto, posto que a vida se impõe e neste momento faltam alguns minutos para o fim da manhã tranquila sobre o sol que promete 30º e o começo do expediente da redação, faz mais sentido escrever duas linhas que nada. Tentarei, assim, ainda que em pílulas, compartilhar com os senhores os meus estranhamentos.

Pílula nº 1. A violência. As armas.

Quem vê Tropa de elite fora daqui encara tranquilamente o filme como ficção. Balas, polícia corrupta, bandidos, execuções. Parece imaginação, mas se não tudo, é uma boa parte da verdade. A diferença é que as pessoas convivem com isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fora que a zona sul é uma bolha onde as balas não chegam. Turistas, dinheiro, câmeras de televisão. Há muita coisa envolvida pra dar mole desse lado do túnel Rebouças.
Ainda me assusto quando vejo a polícia na rua com fuzis pra fora da janela do carro apontadas para quem der o azar de passar ao lado. Esse se esse cara teve um dia ruim, como eu fico?
Outro dia indaguei um PM sobre a necessidade daquele tipo de armamento all the time. Ele riu da minha 'inocência', tirou algumas balas - que deveriam ter uns cinco ou seis centímetros de comprimento - da arma e me mostrou.
- Isso é munição de guerra.
Outro policial que encontrei numa delegacia voltando de uma operação em uma favela lembrava mais uma árvore de natal que uma pessoa tamanha a quantidade de armas que carregava. Conversamos um pouco sobre a realidade em outros estados, e ele disse que para ele parece brincadeira ver a polícia em São Paulo pela tv armada apenas com revólveres 38. E riu quando eu disse que em Porto Alegre nunca vi ninguém, além dos seguranças dos carros fortes, com pistolas na rua.

Amanhã: entrando em uma favela não pacificada.

2 comentários:

Pati disse...

Uh, me lembrou a Colômbia isso, arma pra tudo quanto é lado... Triste...

Paula disse...

E as pessoas pensam que isso é normal!