11.4.11

Silêncio na comunidade

(Esse pequeno texto deveria ter saído ontem, mas acabou para trás esse emaranhado de notícias que vão dando forma a um jornal ao longo do dia. É sobre Realengo, mas acho que consegue ser um pouco mais delicada que muita coisa que a gente viu por aí.)

Ao invés de música, dança e a tradicional alegria do fim de semana, a comunidade de Vila João Lopes, em Realengo, passou o domingo em silêncio. Uma faixa colocada na entrada da comunidade avisa o motivo:

“A nossa comunidade está de luto pela morte de nossas crianças. Pedimos à Prefeitura providências.”

Com dois jovens mortos e um ferido no massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira na quinta-feira não havia o que festejar.

- A comunidade está de luto. Pedimos que as pessoas respeitem festa, música, essas coisas, para dar um apoio às famílias que perderam seus filhos -, explica Agnaldo dos Santos Jr, presidente da associação de moradores, que colocou a faixa na quinta-feira e pede que as pessoas respeitem o luto até hoje.

- A maior parte das crianças que estudam na escola moram aqui. A comunidade inteira foi afetada -. diz Agnaldo ao mostrar as ruas vazias e silenciosas. - Se fosse um dia normal teria baile, caixas de som na rua. Hoje não tem nada.

Dona de um bar na entrada do morro, Jane Souza, de 24 anos, servia os poucos clientes que resolveram sair de casa. O bar, que costuma ir até às 4h, fechou às 23h no sábado.

- Tem vindo bem menos gente que o normal. Não tem clima.

Ex-aluna da Tasso da Silveira e contemporânea do assassino Wellington Menezes de Oliveira, Jane resume o sentimento da comunidade:

- Tá todo mundo triste, foi todo mundo criado junto.

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