5.7.11

Dia 1

Diário do desemprego

É isso aí, amiguinhos. Após seis meses de montanha russa emocional e muito aprendizado, acabou, enfim, meu freela no jornal. Sou contra a supexposição, mas também acho que devemos deixar claro pro mundo nossos desejos, pra não poder reclamar depois que ninguém ouviu. Então mundo, favor prestar atenção: quero um emprego bacana, que tenha a ver comigo e me possibilite pagar o aluguel com tranquilidade e, se não for pedir demais, guardar uns trocados para visitar os amigos além mar. E no Rio. Apesar de ser apaixonada por Sampa, a cidade maravilhosa me seduz. E temos que fincar um pouco o pé para alcançar coisas legais.

Como sou um ser nascido sobre o sol de virgem numa família italiana - o que, para quem não dá a mínima para astrologia e não faz ideia de como são as relações em sociedades gringas, pode ser traduzido como constantamente com o bicho carpinteiro-, não sei ficar sem fazer nada. Piro, enlouqueço, ameaço pintar as paredes com canetinha.

Analu me disse pra relaxar porque ora bolas carambolas, essas coisas acontecem, e fazer as coisas que eu queria fazer mas não tinha tempo. Ler, escrever, ir ao cinema, pedalar, desenhar sem pressa. Vou tentar seguir o conselho enquanto jogo bóias salva vidas em forma de currículos - o sr pai e a sra mãe que estão inconsoláveis, desacostumados que estão com a ideia de trabalhos freelancers -, e tentar olhar pollyanamente para o meio copo cheio. Em breve aparece algo ainda mais legal. Ou, como diria Iliri, tem espaços que a gente precisa criar.

Para começar o não-pirômetro, vou passar longe do pc limpando o meu quarto e o banheiro, que estão carentes de vassouras e afins. Depois, mergulho na biografia da Cleópatra escrita pela jornalista Stacy Schiff. Não matei ela na madrugada por pena da moça sentada ao meu lado no busão Sampa-Rio e claramente incomodada com a luz que iluminava minhas páginas e o sono dela.

Um grande brinde ao sagrado direito de tentar, e se alguém souber de alguma vaga para repórter, estamos aí.

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