14.8.11

As tais novidades

Então pessoal, a grande novidade, que me afastou do pc e evitou que as paredes aqui de casa fossem pintadas com canetinha é que... tambores... estou na Folha de São Paulo. Temporiamente, de dedinhos cruzados, mas, incrivelmente, muito contente.
Hoje saiu a minha primeira matéria com M maiúsculo, sobre o tal turismo em favelas do post anterior. Pra completar, o texto foi capa (em grande parte por causa das fotos belíssimas que o Rafael e Paula G. tiraram). Sou tudo menos blasé e passei o dia só sorrisos.
Pra que quem não leu a Folha hoje, acho que a essa hora não faz mais mal divulgar.

Favelas pacificadas atraem turistas no Rio

PAULA BIANCHI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

A concepção tradicional de favela vem sendo subvertida no Rio. De lugares simples e muitas vezes miseráveis, elas passaram a ponto de encontro de turistas e cariocas descolados que sobem o morro sem preconceito atrás da cidade maravilhosa além do cartão postal.

O morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul, cenário do clipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, hoje está na agenda graças aos eventos realizados quase que semanalmente pela comunidade –sede da primeira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio.

Um dos mais famosos é o “Pôr do Samba”, que acontece no primeiro sábado do mês.

No dia em que a Folha visitou o local havia alemães e franceses arriscando passos de samba ao lado de cariocas que entraram na favela pela primeira vez e entoavam clássicos de Cartola e Zé Kéti.

Vitor Lira Adão, 30, já levava turistas para passear pelo morro antes da pacificação. Ele é um dos monitores do Rio Top Tour, projeto criado há um ano pelo governo do Estado para incentivar moradores a atuar com turismo.

“Os estrangeiros sempre tiveram curiosidade, mesmo conscientes do perigo de antes”, lembra ele, que diz nunca ter tido problemas graves nos passeios –apesar de, na folga, já ter corrido para se esconder dos tiros.

“Muitos amigos meus morreram aqui, alguns porque trabalhavam para os traficantes e outros, atingidos por balas perdidas”, conta.

BUFÊ E FEIJOADA

Do outro lado da lagoa Rodrigo de Freitas, outras favelas usufruem da nova fase: no Cantagalo, Pavão e Pavãozinho é comum ver turistas que trocam as praias de Ipanema por um passeio.

“Já recebi um grupo de 35 japoneses”, conta Jailton do Santos, 35, dono do bar e restaurante Bela Vista. O local brinda os visitantes com uma vista de Copacabana e um bufê caprichado, com direito a feijoada no sábado e galinha caipira no domingo.

Já no Chapéu Mangueira, no Leme, é Vítor Hugo Medina, 32, que abre um sorriso ao falar dos novos visitantes. Barraqueiro na praia do bairro, ele se tornou ainda guia turístico e dono de albergue.

Medina promove tours pela favela, mostrando os projetos sociais do local e a área de preservação ambiental vizinha. E cresce sem deixar de lado a comunidade, que recebe uma parcela do lucro.

“Comunidade pacificada é febre. O turista que vem aqui e ainda não foi ao Pão de Açúcar e ao Cristo não vai mais. Aqui, ele vê tudo”.


No Alemão, morador espera boom turístico

Teleférico é a principal atração; movimento se concentra durante os finais de semana


Com a máquina fotográfica em punho, a aposentada Maria Aurora de Araújo, 70, esperava ansiosa pelo começo do passeio. Portuguesa, sempre que pode ela viaja ao Rio. Dessa vez, além das tradicionais visitas ao Cristo e ao Pão de Açúcar, fez questão de conhecer também o Complexo do Alemão.
Última comunidade do Rio a ser pacificada, o complexo de favelas cresceu em meio a bairros tradicionais da zona norte, como Penha, Ramos e Bonsucesso, até tornar-se um dos maiores do país.
Do alto do recém inaugurado teleférico, enquanto crianças soltavam pipas e donas de casa lavavam roupa, era difícil imaginar as cenas de guerra que os moradores presenciaram durante os anos de domínio do tráfico.
A ocupação pelas forças de segurança veio apenas em novembro, e ainda há soldados patrulhando o bairro.
"A gente tem que conhecer de tudo, o bom e o ruim", refletia Araújo enquanto admirava a sequência de morros com casas de tijolos sem tinta que formam o complexo. "Não tem nada parecido com isso. É muito bonito."
O teleférico é uma das principais obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) e xodó da presidente Dilma Rousseff, que esteve na sua inauguração em julho. No total, foram gastos R$ 210 milhões no projeto.
Do bondinho, que passa rente as casas, é possível ver tanto pontos turísticos clássicos, como o Cristo e a igreja da Penha, solitária no topo de seus 382 degraus, quanto o cotidiano dos moradores.
Embora ainda seja cedo para falar em invasão de turistas no Alemão e faltem restaurantes e bares que tornem as estações atrativas, os moradores aguardam ansiosos pelos forasteiros e a movimentação da economia local que isso pode gerar.
"O teleférico só funciona de manhã, mas tem turista que chega de carro. Eles aparecem mais aos sábados e domingos, mas vão começar a vir durante a semana também, quando o teleférico funcionar durante a tarde", prevê Anaílton Oliveira, 39.
Ele é um dos ambulantes que fazem ponto no Adeus, uma das seis estações, enquanto torce para que a primeira palavra associada ao local mude de "tiros" para "turismo".

2 comentários:

Débora disse...

Paula, parabéns meeeesmo! A matéria ficou muito legal, e o vídeo que está no site também. Que orgulho!! ;D

Celso disse...

Paula, Trabalho com o professor Mauro Osorio, especialista em economia fluminense, no Observatório do Estado do Rio de Janeiro, na UFRJ. Ele me solicitou que tentasse obter algum contato seu pois gostou muito da matéria que você fez para Folha de SP e gostaria de conversar com você sobre o assunto. Você pode falar comigo no email csbj.ie@gmail.com.

Muito obrigado