7.8.11

Samba pra inglês ver

Fui a um samba no morro Santa Marta ontem e dormi com a cabeça em polvorosa pensando na matéria - em tese, sobre turismo nas comunidades.
O Santa Marta foi o primeiro morro do Rio a ser pacificafo, mas antes disso já tinha ficado famoso graças ao livro Abusado, do Caco Barcellos. Além disso, fica a dez minutos a pé da minha casa, o que significa ter outro planeta no quintal. Porque uma favela é outro planeta.
Como ninguém quis me acompanhar, calcei meus tênis e fui solita averiguar se tinha alguma festa por lá (a ideia da materia é dar dicas de programas legais nas comunidades. Lugares em que eu levaria os meus amigos que viessem me visitar).
Na praça em frente ao morro encontrei um pessoal vendendo cachorro quente que disse que não sabia. Quando comentei que ia subir mesmo assim, um dos clientes da barraquinha me olhou e soltou um, "corajosa". Retruquei que o morro era tranquilo e segui. Um pouquinho depois, aparece o cara. Disse que resolveu subir também. Aham. Agora tu tomou coragem, né amiguinho?
Na hora de pegar o bondinho, todas as preocupações foram para o saco. Encontrei um casal de alemães muito simpático e mais alguns estrangeiros. Eles moram em Sampa, mas passam todos os fins de semana no Rio. Se eles estavam ali e não estavam preocupados, porque eu, que falo a língua e ainda estava perto de casa, estaria?
Esperamos mais um pouco e uns 20 minutos depois estavamos na estação quatro, onde acontecia a festa Pôr do Santa. Como o morro é muito inclinado, com a pacificação foi construído um bondinho que leva o povo até o topo. Pra vocês terem uma ideia, a comunidade fica perto do Pão de Açúcar e a inclinação da montanha é semelhante a do Corcovado. Antes (e antes era há três anos), como disse um senhor que mora lá há 50 anos, o jeito era ir de viação canela.
Mais uns minutos caminhando pelo meio da comunidade, que merecia ganhar prêmios de arquitetura por se manter em cima daquela montanha e não desaparecer cada vez que São Pedro decide presentear um Rio com um temporal, chegamos a Praça Michael Jackson, a mesma do clip.



Gente bonita em clima de paquera, uma vista fantástica e cerveja barata. Mas, porém, toda via, ainda um aparthaid. O povo na pista não se misturava com o povo da comunidade. Sabe aquiela história de eles ali e a gente aqui? Curiosa, fui falar com Fumaça,
- O pessoal do morro nunca vai ir num samba que começa às 16h e acaba às 22h. Pra começar a gente nem gosta desse tipod e música.
- Pois é, eu vi que tocou até Nara Leão...
- Nara Leão, Nara Leão. Me pergunta quem é Nara Leão? Eu não sei! Isso não é a nossa cultura.

Ou seja, samba pra inglês ver.

Continua, que o sol lá fora está muito convidativo.

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