28.9.11

Na onda do jazz

Prometo solenemente não entupi-los com todas as matérias que fizer na vida. Só as legais. Esse texto saiu há alguns domingos na Folha e tenta captar um pouquinho da onda de jazz que toma conta do Rio.


Quem passa pela rua do Teatro, centro do Rio, nas noites de quarta-feira estranha encontrar diante do Centro Cultural Carioca, tradicional reduto do samba, centenas de pessoas ouvindo ao vivo clássicos de Miles Davis e John Coltrane.

Os garotos do Nova Lapa, centro dessa reunião, integram um movimento que vem tomando ruas e bares da cidade nos últimos meses, reivindicando espaço para um ritmo que remete mais a Nova Orleans que ao Rio: o jazz.

Só nesse ano já foram três festivais na cidade, além da nona edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, em junho, na Região dos Lagos.

“O jazz já é tocado no Rio há muito tempo. A sacada para tocar a juventude foi a rua”, diz Eduardo Santana, 26. Trompetista do NovaLapa Jazz, quinteto que começou em março como uma tímida jam session em frente a um boteco, ele diz se surpreender com a grande aceitação.

Além dos clássicos,eles investem em composições próprias e improvisações, aprovadas pelo público que aumenta a cada semana, e terminam o show passando o chapéu para pagar o equipamento. “As pessoas chegam a roubar nosso set list.”

Para o músico e pesquisador australiano Mike Ryan, dono da Triboz, casa de jazz aberta em 2008 na Lapa, apesar de o ritmo “estar na moda”, faltam espaços para os músicos tocarem.

“O jazz é um estilo difícil de popularizar no Brasil. Não toca no rádio”, afirma Uira Fortuna, diretor da Fundição Progresso, casa de shows na Lapa. Ele vê as redes sociais e o boca a boca como indutores do crescimento. “As pessoas vão a esses shows e são apresentadas ao estilo numa festa.Tem um lado de Carnaval, como tudo no Rio”, diz.

Autor do blog RioCult (www.riocult.info), Pedro Monnerat vê o jazz não necessariamente ressurgindo,mas conquistando novos espaços. O que não impede que o samba do CCC conviva tranquilamente com saxofones e trompetes. “O que o público jovem descobriu é que o jazz não precisa ficar restrito a lugares onde você tem que falar baixo e ficar sentadinho”, diz.

“Não é exatamente o Rio que está entrando na onda do jazz, mas o jazz que está entrando na onda do Rio.”


* A(s) foto(s) são da grande Paula Giolito;

** Falei com uma porrada de gente. Pra variar, ah se eu tivesse mais espaço...

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