31.10.11

Como salvar o seu piquenique em três lições

Domingo, piquenique, vontade de comer algo além de sanduíches de queijo com presunto. Como fazer? Já não há tempo nem disposição para preparar um bolo e conforme os minutos passam os amigos se aproximam com as derradeiras compras no mercado - o tal queijo, presunto e pão para os sanduíches. Tudo que resta é a geladeira com as lembranças do fim de semana passado e o coração e a barriga vazios de comida mas cheios de esperança de que dias melhores virão.

A resposta, caros amigos, é simples: pizza! Mas nada de correr para o telefone. Piquenique e domingo também pedem um pouco de Sazon, digo, amor, contornado pela arte da cozinha marota. Vamos de pizza... de liquidificador!

Nos meandros da minha infância lembro de momentos em que dona Marlei não estava lá muito a fim de tirar as panelas do armário e fazia a alegria da nossa mesa com uma receita simples e saborosa que lembrava um bolo, mas era salgada e quente o suficiente para se passar por almoço. A tal pizza de liquidificor. Além de ser fácil de fazer ela fica pronta rápido o suficiente para vencer a fila que os amigos enfrentavam no mercado.

Correndo contra o tempo e contra a falta de ingredientes, fiz o que todo o jovem que mora sozinho faz quando precisa de ajuda: liguei para a sra minha mãe para descobrir a receita. E ela não atendeu. Levei uns dez segundos para superar a decepção e a carência de saber que meus pais tinham uma vida a 2 mil km de distância e fiz a segunda coisa (às vezes a primeira) que todo jovem que mora sozinho faz quanto precisa de ajuda: recorri à mãe internet.

A receita a seguir é uma adaptação de alguns sites de culinária e varia de acordo com a latitude e a lotação da geladeira. Você vai precisar de:

1 copo de farinha
1 copo de leite
1 ovo
1 colher de sopa de queijo ralado
1 colher de chá de fermento
Molho de tomate
Tudo que estiver por perto e tiver cara de cobertura de pizza: milho, ervilha, queijo, cebola, presunto, atum, cenoura, brócolis, requeijão e por aí vai. A necessidade é a progenitora da criatividade.

Seja ninja e comece pré-aquecendo o forno. Isso significa ligá-lo em temperatura média pra adiantar o cozimento. Bata a farinha, o leite, o ovo, o queijo, o sal e o fermento no liquidificador. De acordo com as possibilidades da sua dispensa, parta para o recheio. Pode ser tanto uma camada de molho de tomate com queijo e presunto por cima como um molho bacanudo refogado com todos os sobreviventes encontrados na cozinha.

Optei com minha fiel escudeira Rafa por uma mistura de atum e milho, pra homenagear a tal pizza de sardinha - afinal, peixe por peixe, vamos com a lata mais próxima - e por ser, basicamente, o que tínhamos em casa. Pique a cebola, deixe dourar, acrescente o atum, o milho e um pouco de molho de tomate - tudo temperado com o manjericão que você cria na varanda, sal e pimenta, né coração - e deixe esquentar um pouquinho. Simples assim.

Molho pronto, o fermento já teve tempo de agir na massa. Unte uma forma, despeje a dita cuja e coloque o resto do molho de tomate, espalhado com carinho e cuidado, como se ao invés de uma placa de massa molinha você estivesse trabalhando com um disco de pizza. Por cima, o refogado da panela. Tudo pronto, a travessa vai pro forno por mais ou menos meia hora - o tempo depende da capacidade do fogão e tal. E ta ta, habemos pizza.

A fome foi maior que a vontade de fotografar, mas acreditem, fica lindo e deverás gostoso. Além de ser muito mais charmoso que um sanduba de queijo com presunto (que também acompanhou o piquenique, pra garantir que ninguém da tropa reclamasse de barriga vazia).

P.S. Se você for fazer o piquenique em um parque com um pedaço de reserva natural, como foi o nosso caso, cuidado com os animais selvagens. Acabamos cercados por macacos e depois de ver a carteira de cigarro de um dos participantes desaparecer graças as mãos larápias de um dos bichanos e ter uma discussão de descendente de primata para primata (que terminou com dentes afiados a mostra de ambos os lados e um iiiiIIIIIiii de resposta), acabamos voltando para o ponto do parque frequentado por humanos miniaturas e seus pais super protetores. Mais barulhento, mas também mais seguro.

P.S.S. Para os curiosos, resgatei na internet algumas fotos do tal parque em que sofremos o ataque dos macacos famintos. Tenho que lembrar de carregar a bateria da minha câmera. O Parque Lage é reconhecido pela Unesco como reserva da Biofesra e fica no bairro Jardim Botânico -- pertinho Do Jardim Botânico --,na zona sul do Rio, aos pés do Cristo e colado à famosa floresta da Tijuca (aquela replantada pelo Dom Pedro). A entrada é gratuita e o parque fica aberto de domingo à domingo.

Essa é a tal cascatas que escolhemos para começar o piquenique. É a primeira de uma série que segue um curso de água que vem lá de cima do Corcovado.


Essa é a mansão dos Lage, símbolo do parque. Hoje é uma escola de arte. Quem tiver olhos de lince pode enxergar o Cristo, no topo, à direita da foto.


E pra fechar uma das trilhas mais tranquilas do parque. É daqui que sai o caminho pra quem prefere subir até o Cristo a pé.


Um comentário:

Joan"s disse...

Querida, quando não tiver a mãe pra pedir receita, me liga que te ajudo..... Amei a idéia de piquenique, em meio a uma cidade de concreto temos que encontrar lugares assim para tentar respirar ar puro e ver um pouco de natureza.... linda beijão Jo