31.12.11

2012

Não será o fim nem o começo dos tempos, mas será um grande ano. Todo novo ano é um grande ano por natureza. Novas esperanças, novas chances de começar tudo de novo. Por mais que a diferença entre hoje e amanhã não seja de mais de 24h.

Nessas horas fico sempre com o poema Cortar o Tempo, do Drummond, que já apareceu aqui umas quantas vezes em anos passados.

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"

E para fechar, 100 fotos incríveis de arte urbana para vocês se divertirem.



Até ano que vem!

30.12.11

O mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano, O Livro dos Abraços

28.12.11

Resoluções pra 2012

Depois da retrospectiva é hora das resoluções. Nada de ir a Marte ou descobrir a cura do câncer. Pra 2012 o plano é colocar em prática todos aqueles "semana que vem" acumulados e mais uma que outra coisa, a começar pela alimentação.
  • Em 2012 quero comer menos carne e me alimentar melhor.
Pequenas porções distribuídas durante o dia ao invés do trio café-almoço-janta, isso quando rola o almoço ou a janta, fazem muito mais sentido.

Em parte pelo jornalismo, em parte pela falta do RU (restaurante universitário), passei os últimos dois anos alternando dias de alimentação exemplar com combinados de sanduíche e pão com leite e Nescau. Not helphy, not good to the environment.

Mas esses dias acabaram! Serei um ser humano exemplar, sempre com comida saudável e caseira na geladeira a minha espera e castanhas e damascos na bolsa. Acabei de voltar da feira com peixe, frutas, legumes e meia dúzia de lichias pra não perder o clima de natal. Que orgulho de mim...

A parte da carne é uma decisão de quem flertou com o vegetarianismo, mas não se viu capaz de abolir a maldita totalmente. Já pratico a redução de consumo há algum tempo e me sinto muito melhor. Se todos comêssemos menos carne -- olha, estou falando em comer menos, não nada --, os rebanhos seriam menores e por aí vai. Sem falar na crueldade animal.
  • Aprender a tocar violão
Nasci sem ritmo, nunca neguei isso. Mas após morar com amigos violeiros e passar tantas noites agradáveis ao som dos piores sucessos da música nacional fiquei tentada a arriscar.

Espero que a força de vontade e a professora (nada como morar com alguém que toca violão E flauta de ouvido) compensem a falta de coordenação.
  • Aprender outro idioma e estudar os que já aprendi
Cansei de ouvir as pessoas falando francês e italiano e não entender lhufas. Torre Eifell (ou de piza) que me aguarde! E, claro, já esta mais do que na hora de voltar a estudar inglês e espanhol antes que os dois fujam de vez da minha cabeça.
  • Andar mais de bicicleta
Porque pedalar é viver...
  • Ler mais
Sem desculpas. Tem tempo pra entrar no Facebook, tem tempo pra abrir um livro.
  • Desenhar mais
Caneta, papel, tá tudo aí. E a cidade é a inspiração. Não podemos nos restringir a uma ou outra forma de expressão.

E, por fim, mas não menos importante, o bom e velho:
  • Escrever mais
Essa promessa é antiga... Vamos ver se sai da lista das resoluções para as conclusões.

27.12.11

Retrospectiva 2011


Quando penso em dezembro de 2010 a mente vai longe e percorre meses que parecem anos até esbarrar numa Paula no meio da Avenida Paulista, caminhando e pensando o que seria desse ano em que não havia certeza alguma no ar. A começar pelo estado ou país em que eu passaria os próximos 365 dias.
Depois de meio ano no Rio e meio ano em São Paulo a resposta "qualquer lugar" deixou de ser uma força de expressão. Qualquer lugar para alguém com 23 anos, alguma cara de pau e um diploma de jornalismo debaixo do braço pode ser tanto o Japão quanto o quintal de casa, sem escalas.
E o lugar acabou sendo o Rio, mas um outro Rio, mais cru, mais pobre e bem diferente do que a gente vê na tv. Foi também o primeiro ano a sério de redação. E só quem pisou numa sabe a dor e a delícia de ter o nome impresso no jornal, muita vezes bem mais dor.
Pode-se dizer tudo de 2011 -- inclusive que ele não termina --, menos que não foi tudo lindo. Mesmo quando não foi lindo. Mesmo quando a gente enfrentou leão de canivete e saiu arranhada. Mesmo quando não dava vontade de por o pé na rua.
Se é pra tirar uma lição dessas de colocar na capa de livro de auto-ajuda -- e tem dias que a gente acordar um clichê atrás do outro, então me perdoem --, posso dizer, como ouvi/li em algum lugar, que a gente só sabe o quão forte é até que a única saída é ser forte. E que me descobri um hulk sempre que precisei.