30.12.12

Limpeza de ano novo

Decidi mexer nas tralhas do quarto. Agora estou naquele momento em que a gente se arrepende de ter começado, mas também já não tem como voltar atrás.

***
Adeus aos bloquinhos do tempo do Extra. Vamos falar sério, se eu não passei eles a limpo até agora em 2013 é que não vou fazer isso.

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Achei um flor seca, com cara de ter sido bonita, entre os papéis. O diabo das lembranças é quem nem sempre a gente lembra. Adeus florzinha também.

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Também arranquei da parede alguns papéis/post its improvisados colados com fita crepe.
Um dizia:
Infância Clandestina - visto, pode riscar
Por quem os sinos sobram - segue a dica de presente pra quem quiser fazer meu janeiro mais feliz.
A pele que habito - tá na hora de passar na locadora e ver esse filme de uma vez..
Outro era um banco de pautas mais ou menos realizadas. Mas agora também acabou o freela... Não adianta guardar. Ano novo, pautas novas.
E o terceiro é uma singela lista de afazeres, de e-mails a 'comprar flores', na qual o único pendente (marcar médico - neurologista e homeopata) também devo dar um jeito nesse verão.
Bye listinha.

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Tchau pros blocos da Folha também. Quem estamos enganando?

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A palavra da vez é também, percebam.

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Socorro! Mexer na caixa de papeis é extremamente perigoso.

20.12.12

E já que amanhã é o fim do mundo, segue uma foto que está correndo pelas redes sociais.


Antes que o mundo acabe

Paradiando John Fante, 2012 foi um ano difícil. Teve momentos muitos bons, outros tantos que bem poderiam ser excluídos de qualquer retrospectiva. Desses anos em que a gente cai, levanta, sacode, tropeça, sacode, levanta de novo e olha a macarena!
Para 2013, peço apenas que seja mais leve.Se eu não tiver que enfrentar o terror de ter de mudar de apê em menos de um mês ou ficar sem casa nem a fatalidade de um desamor, já tô no lucro.
Minhas promessas de ano novo seguem parecidas com as do ano passado, com acréscimo do velho e bom "use filtro solar". E respirar mais. Respirar, respirar, respirar e lembrar que tenho 25 anos e muito chão pela frente.
Sigo com o estômago na mão e a possibilidade de ir para qualquer lugar, mas passo a achar que qualquer lugar talvez seja esse Rio de verão eterno. Why not? Não pretendo chiar nunca, mas me adaptei ao clima da ciudad. E que venha o fim do mundo.

12.12.12

A felicidade está nas pequenas coisas, nas pequenas porções de fritura

Outro dia cruzei na feira com um simpático saquinho de flores de abóbora. Na hora lembrei das histórias do pai sobre a vó fazendo as flores, da ideia dele equivocada do que era realmente um cuscuz (um prato mítico que até hoje não consegui decifrar e que passa longe dos grãos marroquinos), e outros cheiros e gostos da infância.
Sem saber ao certo como e quando prepará-las, joguei o saquinho na geladeira e fui pra vida. Eis que hoje abri a geladeira pra guardar os legumes da feira e nos encontramos. Frente as flores indo pro saco, literalmente, resolvi parar de enrolação e cozinha-las.
Apesar do meu livro de receitas, vulgo mãe, recomendar uma versão bolinho, com elas picadas, optei pelo clássico preparo flores fritas, que tomava a mesa lá de casa um que outra estação quando alguém lembrava de colher as flores na horta.
A receita não tem como ser mais simples: farinha, água e sal. Fui no olhômetro e coloquei mais ou menos uma xícara de água para meia de farinha. A consistência é de uma massinha de panqueca levinha. É só colocar uns dedos de óleo na frigideira, passar as flores na massa e jogar lá, virando quando estiverem douradas.
Simples assim.

(Roubei a imagem do Google, mas ilustra bem a relação flores/fritura que rolou na cozinha aqui em casa hoje. Nesses momentos oro pra santa Nigella. Quanto mais óleo, mais magra fica a comida.)

11.12.12

"Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração."
Monumento a um monolito

6.12.12

Histórias caxienses

Ligo pra casa no meio do supermercado pra checar com a senhora minha mãe se fui roubada ao pagar R$ 7,80 pelo kilo do pêssego - fui, na grande Caxias do Sul não passa de R$ 1,50 - e aproveito pra dar um oi, matar a saudade e perguntar como vão as coisas. Tim 0,25 interurbano, love u.
A mãe responde que tá tudo bem, foi ao médico, ele mandou pendurar os exames dela de colesterol, glicose e afins na parede, de tão boa que é a saúde dela aos 62.
- Só teu pai que ficou com ciúmes. Disse que não é possível, que ele come a mesma coisa que eu, me mandou refazer. Eu disse, "mas Paulo, tu não te vê comendo. Tu come uma forma de queijo por semana!
Ou seja, crise em Cassias. Desligo rindo. Essa italianada me mata.

29.11.12

“Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça dos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”

Grande Sertão Veredas

(Carol Oms e Mari Congo que me lembraram desse trechinho, não resisti. A gente copia mas credita)

O Sabático aniversariante

Marx e Engels by Loredano

Alguém me explica por que tenho guardada uma edição do Sabático do Estadão de janeiro de 2011? E que não bastando estar prestes a fazer aniversário de dois anos - o que equivale a 20 em idade de papel jornal - ainda me acompanhou na mudança?
Hoje tomei coragem e comecei a limpa na intocável caixa dos cacarecos, aquele amontoado de coisas aparentemente sem significado pros outros mortais, mas que definem um pouco de quem a gente é, e decidi fazer uma das limpas periódias que impedem que meu quarto vire um santuário dos acumuladores.
E lá estava o jornal, dobradinho, me olhando.
O caderno é um especial de ano novo com 11 autores indicando 11 livros cada um pra se ler em 2011. Tá aí, motivo um pra ter guardado. Pra completar vem ilustrado com desenhos do Loredano, que fez a arte do meu muito valoroso A arte da Entrevista. Mas tá amareladinho, coitado, e minha rinite não permite, ou melhor, não recomenda, a convivência voluntária com ácaros. Hora de dar tchau.
 Ante disso, borá listar os livros que mais me chamaram a atenção entre as indicações feitas pelos autores - afinal, se eu guardei isso por tanto tempo, devia ter um bom motivo:

A passagem tensa dos corpos - Carlos de Britto e Mello - Livro de autor mineiro muito bem recomendado pelo poeta. A crítica que li à época me convenceu. Tá na listinha dos quero ler.
Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa - também há tempos na listinha. Um dia, Guimarães, um dia...
Se um viajante numa noite de inverno - Ítalo Calvino
Dom Quixote - Miguel de Cervantes
A história do olho - Georges Bataille - recomendado fortemente também pelo professor Ungaretti por meia faculdade.
Crônica da casa assassinada - Lúcio Cardoso - entre as minhas faltas está nunca ter lido nada do mineiro.
Folhas das folhas de relva - Walt Whitman - também tá na hora de consertar a falta desse poeta na vidinha.
A vida - modo de usar - Georges Perec - Admito, fiquei a fim de ler única e exclusivamente por conta do título.
2666 - Roberto Bolanõ - esse eu até já comecei, mas o prazo da biblioteca venceu e nos separamos. Terminarei (ou recomeçarei, já que tratam-se de 856 pgs).

Pronto, o amigo jornal pode virar embrulho de peixe e banheiro de cachorro sem culpa agora.

24.11.12

Pequeno relicário de causos cariocas

Peguei o metrô a caminho de um samba qualquer e olhei a ponta das minhas sapatilhas, que descolava um pouco, estudando quão longe da aposentadoria estaria esse par de sapatos. Concentrada que estava nos meus pés não reparei em um homem, bancos a frente, falando alguma coisa e apontando para elas.
- O senhor conserta?, perguntei.
- Não, superbonder.
E assim vamos vivendo.

23.11.12

Mandarim

Acompanhei duas aulas de mandarim numa escola pública aqui do Rio. Entre um ideograma e outro - o negócio é difícil, ein - rabisquei o professor.


Chinês dos arredores de pequim ele está ha dez meses no Brasil e ainda escorrega bastante no português. Pra dar conta da aula ele tem a ajuda de uma professora de inglês, que faz a mediação. 
Pequeno ponto curiso da relação mandarim-português. Quando alguém espirra não se diz saúde nem nada. Significa que alguém está com saudade de você.

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Nosso novo apê

Comecei a me acostumar, enfim, com o novo apê. Tá com mais carinha de lar e o barulho e a luz - muito barulho e muita luz - já não incomodam tanto.
Rafa acha o clima aqui mais leve. Talvez não ter um proprietário português de 91 anos doido e a vista pro Cristo e para a Pedra da Gávea ajudem...
Eu sinto falta dos macaquinhos na árvore em frente a janela, do silêncio -- ahh, o silêncio -- e a da cozinha industrial com duas cubas e espaço pra sair dançando, se desse vontade. Também acho os porteiros meio enxeridos... Mas não se pode ter tudo, né não?
A parte da luz no fim se mostrou uma boa aliada para as amigas plantas e temos três novos alegres moradores na sala. Uma manjericão (o outro não sobreviveu a mudança), uma hortela e um alecrim.
E que venham dias ainda melhores.

A sala e todo o sol do Rio de Janeiro ao mesmo tempo.

A nossa vista podre de chique.

A geladeira mais bonita da cidade - oito países em imãs, ein. Aceitamos doações.

Os novos moradores.

O nosso novo velho apê de sempre. Dessa vez fora da porta de entrada, pra não assustar os novos vizinhos. Ao menos não por enquanto.

22.11.12

Perdoei o Tom Zé

Calma aí, nós também nunca fomos inimigos. Acontece que depois de acompanhar um show "experimental" dele em Porto Alegre alguns anos atrás e sair no meio porque, apesar de ter uma cabeça que acho até bem aberta a experimentalismo, passar duas horas vendo alguém batucar objetos aleatórios no palco com zero música foi meio demais para mim, prometi nunca mais ver o baixinho ao vivo.
Ontem resolvi dar mais uma chance ao moço - amiga na organização do show, free tickts, lugar agradável, sacomoqueé - e ainda meio receosa me postei frente ao palco, com a saida pela tangente planejada e a vista da baía de Guanabara à noite na Marina da Glória pronta para me consolar. 
E não é que mudei violentamente de ideia? Com rabinho de capeta, camisa branca e suspensórios, Tom Zé animou a galera, cantou, deu discurso, se jogou pra fora do palco, pra cima, pra baixo, e eu junto, pulando, dançando e me divertindo. Com algum experimentalismo, vá lá, mas nada que me fizesse olhar com suspiros pra porta de saída. 
Fora que depois de passar um fim de semana in love com Sampa City ouvir, "augusta, que saudade..." foi muito amor.


P.S. By the way, vi o show lá na feira Brasil Rural Contemporâneo, que está muito, muito bacana. Voltarei pela Elza, que toca na sexta, e pelos chocolates orgânicos, cucas gringas, chopps caseiros e outras delícias. A Cris, minha companheira de desolação e encatamento - fomos juntas aos dois shows - explica melhor a feira no Somos Andando.

12.11.12

Mais Elis



Vento de maio rainha de raio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás

5.11.12

E é bem assim, Lola

Laerte traduzindo meus enxaqueca feelings.

29.10.12

Dá um certo alívio acordar numa segunda-feira cinza. Diminui um pouco aquela pressão de "viver, viver, viver" que a cidade toda azul joga lá de fora. Penso, "ok, hoje posso trabalhar sem pensar no mar em que não terei tempo de mergulhar".

26.10.12

A cidade ruge do lado de fora da janela. Carro, sirene, o Cristo de braços abertos do cartão postal. E a gente aqui, se esforçando para matar os pequenos leões cotidianos, um caracter por vez.

2.10.12

E cá estamos. Outubro de 2012. 25 anos e quase um mês. Apê novo, trabalho novo, novos amigos, novas novidades. E ainda com um 2013 em aberto. A vida em aberto. Sempre. Até quando?

20.9.12

Ficaremos todos bem.

29.8.12

Né?

Gentilmente roubado do Facebook da PatiBen.

9.8.12

Diálogos - versão mãe gringa

Eu: - Mãe, comprei as passagens. Vamos eu e a Caro para o Peru.
A Mãe: Ahh, vocês inventam cada uma. Já começo a ficar preocupada agora..
Eu: Não precisa se preocupar. Só tô em dúvida sobre o caminho até Macchu Picchu, se fazemos a trilha de quatro dias ou a de dois. São uns 45 km, mas vale muito a pena...
A Mãe - Eu não entendo vocês. Por que tem que ir até outro país para caminhar e ainda me caminhar 45 km? Vai a Santa Lúcia (distrito rural no interior da grande Caxias do Sul)! Lá dá pra caminhar quanto tu quiser!
Eu: Mãe, tem as montanhas, a energia, aquele lugar é histórico...
Mãe: E aqui não tem montanha? Tu nasceu na serra!

7.8.12

Cenas da vida real

Quase no fim da corrida, depois de passar os últimos vinte minutos em silêncio, o taxista, muito emocionado, desabafa: "sou um viúvo apaixonado". "Perdi minha mulher há seis anos e não deixei de amá-la por nenhum minuto. Nenhum segundo", continuou. "Fomos casados 25 anos depois de namorar seis meses. Ganhei na loteria da vida. Pudesse escolher entre o mundo e ela, escolheria ter ela de volta. Ela era tudo, a melhor mulher do mundo, minha medalha de ouro, o amor da minha vida."
Quase chorando ele disse que esse ano recebeu presente de dia das mães e dos avós, que nem sabia que existia, e domingo se prepara para comemorar o dia dos pais. Que um semana depois que ela se foi, de câncer, morreu também a sogra, que era "quase como sua mãe", e, um ano depois, seus pais disseram adeus.
"Tem semanas em que passo os dias chorando. Essa semana tem sido assim. Ela era uma mulher tão boa que me deixou uma carta, pedindo que eu não sofresse, que fosse feliz. Deixou um manual explicando como cuidar da casa e um livro de receitas, para que eu aprendesse a cozinhar. Hoje faço de tudo. Não fossem meus filhos, eu não teria sobrevivido."
Já quase chorando também tentava levar a conversa pra rumos mais amenos. Netos. Ele sorriu. "Em abril recebi um sopro de vida. A Alice nasce em dezembro. Se tudo der certo, na mesma semana em que me casei."
Dei tchau e desejei bom dia praquele senhor, que se preparava para ir a uma feira de crianças comprar o enxoval da neta, seu mais novo amor.

31.7.12

True love will find you in the end

Do facebook. Dois amores não valem um xupão, ou, para os românticos, true love will find you in the end.

19.7.12

Carioquices II

Nunca tive dificuldade em ser Paula no Rio Grande do Sul.
Nem morena.
No Rio antes mesmo de eu dar oi já atacam de Paulinha (que, sabem os amigos, não meu gusta). Ou meu anjo, meu amor, queriiiida e outras intimidades estranhas a estranhos, mas comuns por aqui.
E me descrevem como aquela gaúcha loir(inha). Mal sabem eles quão loiro pode ser um loiro serrano/gringo/alemão.

17.7.12

Assum-preto me responde



As rodas de violão aqui em casa estão numa fase Belchior, ok? Chicleteiem vocês também com o Haven never haven never haven, o passado nunca mais.

Carioquismos

Ontem foi o dia mais frio do ano até agora no Rio. A mínima foi de 15,2 graus e a máxima de 20.
Me divirto caminhando pelas ruas de calça jeans, camisa e casaquinho (o casaquinho em si já uma concessão à cidade) ao lado de mui garbosos transeuntes de bota, sobretudo e manta.
O frio deve ser mesmo psicológico.

16.7.12

Momento auto ajuda

(Ninguém pediu, mas a gente entrega mesmo assim)

Todo fim tem um começo embutido.

Fim do momento auto ajuda.

11.7.12

Caminhos Bolivianos e outras internetas

Conversando com o Alê sobre os perigos do superego -- no nosso caso travar projetos bacanas por achar que eles nunca estão bons o bastante --, lembrei do Caminhos Bolivianos que vergonhosamente abandonei no ano passado. Esse mesmo do selinho aqui do lado.
Pois bem, não mais! Se o blog não virou o livro que eu megalomaniacamente pretendia montar no começo, que ao menos guarde mais algumas histórias desse grande 2009.
Pra quem já leu, tem post novinho em folha. Pra quem nunca entrou, chega lá. Recomendo começar pelo O diabo e as minas de Potosí, parte das minhas desventuras a mais de 4 mil metros de altitude.

***

Falando em blogs, já tava na hora de atualizar a lista do Vai firme que vale a pena.
Os mais novos participantes são o Gabine do Dr Lucchese, do Alê, e o Onde está o óleo, da Bela. No gabinete há uma altamente recomendada coleção de zines históricos, além de uma série de histórias para entender o Paraguai, resultado dos três meses que o nosso dr passou por lá. Já no Óleo a Bela aproveita pra divagar e dividir parte da sua vida de reportera na cidade maravilhosa.

8.7.12

Gnocchi de semolina da Paula


(foto instramgramica tirada pela Reitch)

Apesar de não ser 29 hoje foi dia de gnocchi aqui no apê. Resultado de uma domingueira chuvosa com uma amiga gaúcha radicada em Sampa visitando. Normalmente domingo almoço biscoito Globo e mate a beira mar, mas se não tem Cristo, que tenham calorias.
Até o frio pra carioca ver (19 graus, dificilmente baixa disso) ajudou o climinha de comida caseira com todos que não estão de plantão reunidos.

A receita eu copiei do Questões de Forno e Fogão, da Piauí, um blog com ideias saborosas mas nem sempre factíveis. Admito que parte da vontade de fazer o gnocch veio do nome: gnocchi de semolina da Paula.

Fui apresentada a semolina na gôndola do mercado aqui do lado de casa e no começo fiquei meio desconfiada. Como o gnocchi foi um sucesso (sou um gênio da cozinha ainda não descoberto) e bem mais rápido de fazer do que eu esperava o pacote de farinha de semolina que agora mora na minha gaveta deve ser importunado com frequência.

Mas chega de embromation e vamos aos ingredientes:
6 colheres de sopa de manteiga (fui de meio tablete de 200 gramas mais um pedacinho)
3 xícaras de leite
1 xícara de semolina
1 xícara de queijo ralado
quatro gemas
sal
pimenta e noz moscada

Esse gnocchi tem uma pegada meio de polenta, então nada de susto se no começo ele parecer tudo menos gnocchi. A gente começa esquentando o leite com a manteiga e o sal até ferver. Ferveu é hora de colocar a semolina, aos poucos, peneirandos e mexendo sempre, de preferência com um fuê (se for azul, melhor ainda) até engrossar. Engrossou é a vez de atacar de colher de pau.

Depois dessa boa mexida tire a massa do fogo e acrescente meia xícara de queijo ralado e as gemas, uma por uma, mexendo sempre pra ficar com uma consistência lisinha. Massa pronta a Piauí manda espalhar uma camada de 2,5 cm de massa em uma forma e, depois de frio, cortar "panquequinhas" com um copo e polvilhar com o resto do queijo ralado. É divertido, mas não muito prático. Lá pro fim da função percebi que fazer rolinhos com a massa fria e depois panquequinhas com a mão mesmo, como num gnocchi tradicional, funciona tão bem ou melhor. Panquequinhas, digo, gnocchi prontos é só colocar no forno pré aquecido e ser gordo e feliz.

Ah, e a gente optou por um molho a bolonhesa basicão com uma salsinha pra fazer um charme, mas acho que combina com basicamente qualquer molho.

3.7.12

As palavras aprisionadas*

Ser jornalista é -- ou deveria ser, dessa forma romântica em que eu ainda gosto de acreditar e acariciar -- encarar todos os dias uma realidade que não cabe em 30 linhas e sofrer para tentar ao menos de longe transcrevê-la. 
Esbarrei faz alguns minutos com um texto que li na faculdade graças ao professor Ungaretti, amigo e fã do Marcão, jornalista gaúcho responsável pela criação da Versus (revista dos anos 1970 dedicada a América Latina, mas dai já é outro post).
Desses textos bacanas da gente reler periodicamente e lembrar da profissão.

Por Marcos Faerman*
Parte do livro Com as mãos sujas de sangue, outra boa indicação pra'quela nossa lista de livros imperdiveis ao bom jornalismo.


O repórter e sua perplexidade. O repórter tem diante de si a realidade. A realidade é a natureza e os outros homens. Como entender o mundo que nos rodeia? Como entender os conflitos, as mentiras aparentes, as verdades ocultas? Que instrumentos usar na hora da revelação?


Saindo da abstração. O repórter tem diante de si a realidade. A realidade pode ser um homem encolhido à beira de um rio. O repórter é um ser em disponibilidade. Esta é quase que sua essência. Ele está à disposição dos 'chefes', do jornal em que trabalha. Cumpre horários, ordens. Num dia qualquer, uma hora qualquer é mandado para um lugar qualquer. É sempre assim. Ele poderá ter diante de si este homem ajoelhado no barro, olhando para um rio. O repórter olha para este homem. Procura saber sua história. A reportagem pedida: a vida de uma aldeia à beira de um rio corroído pelo mercúrio que mata os peixes que alimentam os homens.


O repórter e sua perplexidade. O repórter recebe ordens. O repórter diante da pauta. Os problemas de um Estado diante da poluição. O que dizem as autoridades. O que diz o povo. O que dizem os industriais. As técnicas do repórter? O papel, a caneta Bic, o gravador. Os olhares das pessoas para ele ­ como o olhar daquele homem ajoelhado à beira do rio, não dá para esquecer. Um homem de roupas rasgadas, um pescador, que me fala com uma linguagem confusa como o vento que bate na água. Uma canoa parada no rio e uma rede. O olhar do repórter que cai em suas mãos. Mãos cortadas pelo barro.


Os direitos do repórter e do jornal. A lembrança, diante daquele homem, das perguntas de um outro repórter, das inquietações de outro repórter diante de outra realidade. Parece-me curioso, para não dizer obsceno e totalmente aterrorizante que pudesse ocorrer a um grupo de seres humanos reunidos através da necessidade e do acaso, e por lucro, numa empresa, num órgão jornalístico, intrometer-se intimamente nas vidas de um indefeso e arruinado grupo de seres humanos, uma ignorante e abandonada família rural, com o propósito de exigir a nudez, a humilhação e a inferioridade destas vidas, em nome da ciência, do 'jornalismo honesto', da humanidade e do destemor.


Saindo da abstração. O repórter em busca da realidade. Com a sua sensibilidade. Com a sua insensibilidade. Em nome de uma empresa jornalística. Ouvindo histórias das vidas dos outros. Sugando dos outros a única coisa que eles têm, além do corpo nu: uma história, a sua vida, a sua perplexidade, as suas próprias dúvidas e pequenas verdades (e separa grande medo). E o que ele ouviu que era 'jornalismo'. E uma linguagem que lhe disseram que era jornalística. Como esta linguagem que lhe disseram ser 'jornalística' se adequa aos olhos e às mãos daquele homem à beira do rio?


As lembranças do repórter. 'Tudo isto me parece curioso, obsceno, aterrorizante', disse certa vez um repórter. James Agee, de quem fiz a citação anterior. James Agee. Um repórter. Era um garoto quando a Life lhe pediu a história de algumas famílias rurais na época da Depressão dos EUA, de onde nasceu uma espantosa reportagem, Louvemos Agora os Grandes Homens. A Life rejeitou a reportagem de Agee por considerá-la anti-jornalística. Agee descrevia com minúcias até a respiração do pesado sono de trabalhador. Construiu um documento eterno. Seu relato é obra à altura de Steinbeck, John dos Passos, Faulkner. Quem quiser saber alguma coisa sobre a vida camponesa nos anos 30 terá que ler este relato que a Life rejeitou. O relato seria publicado na forma de livro. Trinta anos depois seria editado numa coleção de Antropologia dirigida por Lévi Strauss. Da rejeição em nome do jornalismo para a glória (as famílias camponesas assassinadas em nome do jornalismo renasceram!).


O repórter e sua formação. Todas estas idéias nascendo na cabeça do repórter a partir da questão da Linguagem da imprensa. A certeza que o repórter tem de que muitos colegas ainda têm na cabeça o mito do texto jornalístico e do texto anti-jornalístico. A certeza de que em nome do jornalismo muitos colegas rejeitariam o texto de Agee e muitos outros textos. A questão do 'texto objetivo'. A pergunta: que texto é esse? Onde nascem e com quem a técnica jornalística ensinada pelo que é publicado nos jornais e revistas, e pelas 'Escolas de Comunicação'. Onde nasceram e como as idéias de objetividade e neutralidade? Uma resposta possível: este texto jornalístico, esta linguagem fluente nos jornais surge com a estruturação da imprensa em forma de empresa/imprensa; empresas ligadas diretamente a determinada forma de organização da sociedade, o capitalismo. A linguagem da imprensa norte-americana se disseminando pelo mundo. A expansão de um Império e das idéias que o justificam.


Ainda a formação do repórter. A linguagem oficial da imprensa é defendida por muitos jornalistas. Ou não discutida. Ela é implantada nos jornais por jornalistas. Os Vigilantes do Texto. Às vezes, os Policiais do Texto. Uma arma na mão, a caneta. O direito que ganham de modificar o texto. O texto nasce do olhar do repórter sobre a realidade. Mas um olhar que não baixou para a realidade pode modificar as palavras. A defesa de uma linguagem. O esquecimento de que a 'linguagem vem sempre de algum lugar'. De que a linguagem está sempre referida a uma classe social, a um grupo humano. E de que há uma linguagem do poder, como há uma linguagem de crítica ao poder. O quanto pode a linguagem do poder ser disseminada pela realidade toda, preenchendo até a linguagem dos sonhos, até se tornar uma linguagem aparentemente neutra e objetiva? (Barthes. Barthes. Barthes.) A linguagem do poder alcançando até o espaço último do senso comum. Pensar em tudo isto. E ainda analisar a forma como esta linguagem se confunde com a expressão jornalística.


Saindo da abstração. O retorno ao rio, àquele homem. A responsabilidade diante dele, daquele momento. A necessidade: saber ouvir, saber descrever. A linguagem pode chegar ao real? (Discussões: o que é o real, etc.) O jargão Jornalístico/Economicista/Sociologuês/ pode captar esta realidade? Mas é aquele homem que devemos descrever, não uma abstração! Será que é ser "literato" abrir meu mundo para aquele homem, absorver a sua realidade, a sua linguagem - achar as palavras certas para revelá-lo? E uma outra idéia: a relação entre as palavras que surgem da máquina de escrever, e aquele homem.


Ficção e realidade. Algumas idéias, a partir de James Agee. Numa novela, uma casa ou uma pessoa tem seu significado, sua existência, inteiramente a partir do escritor. No jornalismo, uma casa ou pessoa tem apenas o mais limitado dos seus significados através do repórter. Seu verdadeiro significado é muito maior. O personagem existe num ser concreto, como você e eu. 'Seu grande mistério, peso e dignidade estão neste fato'. Outra questão: o jornalismo é James Agee, García Márquez, Eduardo Galeano, Heródoto, René Chateaubriand, Norman Mailer, Euclides da Cunha ­ eis os nomes de alguns repórteres. O jornalismo de Agee é menos literário do que a sua ficção? O jornalismo de Norman Mailer é menos literário do que sua ficção? O jornalismo é um método: trabalha como instrumento de descoberta de uma realidade, com formas próprias, anotações, pesquisa. Outra idéia: o pensamento escolástico contemporâneo, os intelectuais de gabinete, o pensamento universitário preservando a Arte e a Literatura com Maiúsculas. Esquecendo ­ em nome do Elitismo ­ o sentido mais contemporâneo do conceito de Escrita. Uma última idéia: muito da melhor literatura brasileira desta década vai ser descoberta (quando???) em alguns jornais e algumas revistas (por quem???).


Manifesto de libertação da palavra. A busca de uma realidade exige uma linguagem capaz de captá-la. Esta linguagem não é uma fuga (tese dos populistas chulos, contra os revolucionários chucros). É o único caminho para nos levar à débil captação de uma sociedade e de suas contradições. E da única coisa que interessa: o ser humano sufocado em sua vontade de ser.

1.7.12

Minimalismo

Fiz um inventário mental dos meus bens - uma bicicleta, um colchão, um banquinho vermelho, um fue, uma caneca e mais uma porção de livros, bloquinhos e roupas - e percebi. Sou naturalmente minimalista.

27.6.12


A gente acha que o Palim fala pra ninguém, daí vem os amigos e a hermana lembrar que tenho leitores.

25.6.12

Pequenos prazeres da vida

Riscar mais um livro da lista quero ler. Ainda saboreando a história. No one forgets a hurricane.

"E sabe de uma coisa, seu Cauby? Eu não me arrependo de nada. Faria tudo de novo, se fosse possível. Penso, mas não falo: Eu também. O careca balança a cabeça. Acho que valeu a pena. Eu também acho que valeu a pena, seu Altino, eu deveria dizer. Valeu a pena ser invadido por uma onda de felicidade, ser tocado por uma tormenta. Uma vez, no interior dos Estados Unidos, fotografei uma placa que dizia: "No one forgets a hurricane". Dá pra esquecer?"
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino.

Quem sabe não vale dar uma chance ao filme também?

16.6.12

Para Porto Alegre, com amor

Poeminha antigo, feito pra capital.

É preciso saber ver a beleza 
Porto Alegre esta aberta a quem quiser e estiver disposto a descobrir os seus segredos 
Não é uma cidade fácil 
- assusta os marinheiros de primeira viagem 
E é aos suficientemente pacientes e destemidos que ela reserva seus maiores encantos 
Mas não de cara, se revela aos poucos, 
Tal qual uma bailarina em sua dança dos sete véus 
Há personalidade me cada rua, cada esquina 
E não há pintura descascada ou prédio abandonado que não a traga consigo, latente 

Mas meu caso de amor com a cidade delineada pelo Guaíba e agraciada com tão doces pôres-do-sol vai além... 
Gosto de Porto alegre pelo que ela me traz de magia e infortúnio 
E porque nela encontro, 
Entre restingas e moinhos de vento, 
Não só minha harmonia, mas minha redenção 

13.6.12

Cupcakes de namorados e desnamorados

Aqui em casa o dia dos namorados não é lá levado muito a sério. Um pouco por estar perto de outras datas mais importantes (aniversários e afins) e outro pelo tom descaradamente comercial. Ah é, quer dizer que se eu não comprar nenhum presente pro meu namorado eu sou uma pessoa ruim? Vamos ver.
Mas como tudo são corações nas vitrines de lojas e tenho andado com bastante tempo livre decidi comemorar a data. De uma forma menos capitalista e mais gordinha, off course.
Com vocês a minha primeira fornada de... cupcakes!



O Santo Antônio é uma homenagem a Rache e a Rafa, que dividem o apê comigo. Dei uma caixa de cups pro Pedro ontem e deixei alguns pra elas hoje com um bilhetinho de Feliz Dia dos Desnamorados.
A receita é uma apanhado da internet adaptada aos ingredientes presentes na geladeira, mas pelo que entendi a massa pode ser feita com qualquer massa de bolo bacana que você esteja acostumado a preparar.

Ingredientes:

massa:
1/2 xícara de açúcar
1 xícara de farinha
1/2 xícara de manteiga
2 ovos
1 colher de chá de essência de baunilha
2 colheres de sopa de chocolate em pó
fermento

cobertura:
1 barra de chocolate
1 caixinha de creme de leite

Se espantem comigo com a facilidade. Num pote você mistura os dois ovos inteiros com a baunilha e bate com o garfo mesmo. Em outro a manteiga e o açúcar. Ajuda tirar ela da geladeira um tempo antes.
Depois mistura os ovos e a manteiga açucarada e começa a colocar a farinha com um pouco de fermento aos poucos. Coloca o Nescau, ops, achocolatado e ta ta ta... massa pronta!

Antes de continuar um detalhe importante: a forma.


O grande tchan do cupcake é ser um bolinho miniatura, mas nem todo mundo tem forminhas miniaturas próprias para cupcake então o negócio é improvisar.

Dá pra usar tanto as formas de papel de cupcakes quanto aquelas forminhas maiores para negrinho/brigadeiro, caso dos cups aí da foto. Quem tiver uma cozinha mais equipada coloca a massa só até a metade da forminha de papel e a forminha dentro de uma forma de empadinha e pronto. Quem tiver uma cozinha mais desprovida de acessórios pode fazer como eu, colocando três forminhas de papel juntas para cada cup (isso evita que eles abram, já que a massa tende a se espalhar) ou fazer uma cinta de papel aluminio ao redor de cada forminha, que tem o mesmo efeito.

Cups enformados agora é só colocá-los em um forno pré aquecido por 20 minutos. Aqui em casa fui de 200 graus, mas isso depende um pouco da potência de cada fogão.

A cobertura é tão simples quanto a massa. Basta derreter o chocolate em banho maria, misturar o creme de leite e colocar um tempinho na geladeira para ficar firme.

Saquinho de confeitero ou de mercado em mãos, é só decorar os bolinhos e pronto. Homemade cupcakes.

9.6.12

Top livros para ser um bom jornalista

O Xico Sá fez uma lista inspirada de livros indispensáveis para quem pretende ser um bom jornalista. Ou apenas um bom ser humano. Já anotei e marquei os que não li para garimpar por aí assim que tiver oportunidade.

Como pessoa que curte pra caramba uma lista assino embaixo e acrescento outros livros xiquita bacanas para os amantes da profissão, com o perdão das possíveis ausências, já que é quando a gente quer mais lembrar que se especializa em esquecer.

A lista do Xico lembra a A alma encantadora das ruas, do João do Rio; Um Bom Par De Sapatos E Um Caderno De Anotaçoes – Como Fazer Uma Reportagem, do Anton Tchekhov; Balas de Estalo,  do Machado versão cronista; Dez dias que abalaram o mundo do John Reed; Paris é uma festa, do E. Hemingway; Na pior em Paris e Londres do George Orwell; O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell (Cia das Letras); Malagueta, perus e bacanaço, do João Antônio; Dicas úteis para uma vida fútil -um manual para a maldita raça humana, do Mark Twain; O perigo da hora – o século XX nas páginas do The Nation; O livro dos insultos, de H.L.Menken; Medo e delírio em Las Vegas, do Hunter S. Thompson e todos do grande Nelson Rodrigues.

Concordo com todos, inclusive com os que não li e acrescentaria, para começar, alguns autores brasileiros, partindo do Ruy Castro.

Carmem - uma biografia é, assim como todas as biografias do autor, uma aula de jornalismo. Décadas depois da morte da pequena notável Ruy conseguiu reconstruir tanto o Rio do começo do século XX em que ela cresceu como o que a tornou tão famosa (e curiosamente hoje tão esquecida). Já tive o prazer de entrevistá-lo junto com a Cris e a Débora e guardei a lição mor do autor: pesquisa, pesquisa e mais pesquisa. De todo o tempo de produção de um livro, ele gasta 70% a 80% em pesquisa.

Rota 66, do Caco Barcellos - outro exemplo da importância da coleta de dados e persistência do repórter. O livro foi gestado durante mais de 15 anos de um trabalho de formiguinha.

Minhas histórias dos outros, do Zuenir Ventura - o bacana do livro são os bastidores. O Zuenir escolhe as dez matérias mais marcantes da sua carreira e conta não só como foi fazê-las mas como foi lidar com as suas consequências. Um jornalista ainda é um ser humano, por mais que a gente e a chefia com frequência esqueça desse detalhe. Destaque para a história do livro Chico Mendes: Crime e Castigo em que ele conta como saiu do papel de observador e acabou acolhendo uma das testemunhas do assassinato.

Minha razão de Viver, do Samuel Weinner - uma viagem pela cabeça e contradições do criador da Última Hora e uma boa forma de entender as raízes da mídia tupiniquim.

Chatô - o rei do Brasil, do Fernando Morais, outra aula de história da imprensa do Brasil sobre a vida e a obra de um personagem que ajudou a moldar a nossa noção de país e de mídia.
Brazucas lidos, nem só de texto vive o jornalismo.

Maus, do Art Spiegelman, foi o primeiro livro em quadrinhos a ganhar o prêmio Pulitzer. Filho de um um sobrevivente do holocausto, ele faz um relato visceral de suas memórias e assim dos terrores desse pedaço negro da nossa história.

Palestina, uma nação ocupada, do Joe Sacco, um dos expoentes da reportagem em quadrinhos Sacco usa seus desenhos pra mostrar uma realidade esquecida. E faz isso estando lá, sem deslumbramento, sem dourar a pílula.

Ok, isso ta ficando gigante. Além dos brazucas e dos quadrinhos, indico ainda:
101 Dias em Bagdá, de Asne Seierstad;

Vida de jornalista, do Gay Talese;

A sangue frio, do Trumam Capote;

O livros das vidas, conjunto de obituários do NY Times, e A arte da entrevista, seleção de entrevistas históricas.


E aí, mais sugestões?

6.6.12

Bananas

Há duas semanas recebi um casal de belgas muito simpático aqui em casa. Trouxeram de presente uma barrona de chocolate. Belga, off course. Para retribuir comprei uma dúzia da fruta preferida da Jolin: bananas.
Nessas horas (e agora, quando volto da feira com as sacolas cheias) lembro da @Carolina_Oms recriminando minhas tradicionais compras de bananas e maças por serem frutas muito comuns, beirando o sem gracismo.
Comuns aqui, meu caro Watson.

Cenas da vida privada - Rio de Janeiro

A caminho de um jantar de aniversário, reclamo com dois amigos:
Eu: - Bah, a gente nem lembrou de comprar nada pra Carol.
Tiago: - Que comprar presente o que. Presente a gente só compra em duas situações: quando é criança ou quando é adulto.
Eu: - E a gente é o que?
Tiago, do alto dos seus 24 ano, literalmente, já que ele é bem alto: - Hmmm, adolescente?
Eu: Ah, não. Adolescente não. Esse ano fiz meu primeiro imposto de renda da vida! Exijo no mínimo um posto de adulto jr.

Proibido matear


Aviso em um dos corredores do museu Iberê Camargo, em Porto Alegre.

25.5.12

Cenas da vida privada - versão Caxias do Sul

Mexo animada a panela de risoto vegetariano de beterraba que fez às vezes de almoço hoje. A mãe olha desconfiada. Como se não bastasse eu ter invadido a cozinha dela e pintado a pia e o liquidificador de cor-de-rosa!
-- Dá muito trabalho. Eu colocava logo umas moelas e fim de história.
-- Dai não seria vegetariano. Nem de beterraba.

21.5.12

O hotel Marina quando acende...

Uma das coisas bacanas/estranhas de morar no Rio é estar em uma cidade que é também cenário (que o diga a sensação de eterna turista que me ataca quando pedalo no calçadão de Copacabana).
Sabe, quando estou em Ipanema e o olho em direção ao morro Dois Irmãos para acompanhar o pôr-do-sol realmente vejo o hotel Marina acender!

15.5.12

Cenas da vida privada

(Cabelo recém cortado, bem muito mais curto que o normal. Naquela fase será que assim, será que assado, será que tem jeito.)
Sr. namorado - Tu parece o pequeno príncipe.
Eu - Vou encarar isso como um elogio.

10.5.12

"Si te van a matar, no te suicides"

Uma reflexão interessante sobre o futuro do jornalismo.

"Lo que los periodistas hemos constatado siempre es que en todos los periodos de cambios radicales, en todas las transformaciones tan brutales como esta a la que estamos asistiendo, suele haber muertos. Decenas de muertos por el camino. Y la pregunta que nos hacemos no es cuántos periodistas quedarán en el camino (que son muchos), sino si el propio periodismo será una de esas víctimas, porque las transformaciones le lleven a ser engullido por esa cosa mucho más extensa, y muy diferente, que es la comunicación.
Lo más triste es que de puro miedo a que nos maten, los periodistas terminemos pegándole un tiro al periodismo."
A palestra completa acá.

9.5.12

Beterraba fellings

A palavra é beterra. Risoto de beterraba!

Nem pense em torcer o nariz, que além de saudável o prato é delicioso. E falou a pessoa que NÃO gosta de beterraba.



Copiei a receita descaradamente do site da ZH depois que alguém a retuitou. Achei o risoto tão bonito, tão roxo, que não tinha como ficar ruim.

Tu vai precisar de:
8 beterrabas grandes - o número é meio cabalístico, comprei 9 só pra contrariar
arroz de risoto - nessa hora é melhor botar a mão no bolso e esquecer o arroz comum. A diferença é gritante. O arroz comum não "risoteia" do mesmo jeito, não coloca o carboidrato pra fora e fica cremoso como a gente quer e precisa. A receita original indica o tipo carnaroli, mas acho que se só tiver o arbóreo a mão também não tem problema.
1 cebola grande
1 dente de alho
350 ml de vinho branco - no caso, meia garrafa. Aqui em casa a gente costuma usar um tal de vinho culinário que vendem no mercado, mais pela relação custo benefício/pena de jogar um vinho bom na panela do que pelo sabor. Acredito que um bom vinho apenas melhore o prato, afinal, já dizia a mãe, "sagu tem que ser com vinho bom".
50 gramas de queijo ralado - coloquei um pacote de 100 gramas. Recomendo ter um pacotinho de reserva pra servir.
50 gramas de manteiga - achei meio demais e coloquei só uma boa colher de sopa
azeite de oliva
sal e pimenta
opcional: castanha do pará

O processo é bem simples e lembra os risotos comuns. O maior trabalhoso é descascar a beterraba e passar no processador ou, no caso da minha pobre cozinha, liquidificador com água. Prepare-se para mãos e pia rosa. No caso de usar o liquidificador  é importante lembrar de peneirar a beterraba pra ficar só com o suco, que segue para uma panela para aquecer enquanto a gente continua os trabalhos.

Em outra panela coloque um fio de azeite e a dupla cebola e alho bem picadinhos. Cebola refogada até soltar aquele cheiro de cozinha de mãe é a vez do arroz entrar. Sempre mexendo, coloque também o vinho e espere evaporar. Vinho evaporado, comece a colocar o suco de beterraba, que precisa estar quente, duas conchas por vez, sal e pimenta.

Acabou o suco, acabou o arroz. Geralmente são vinte minutos de intensa mexeção -- importante, parou de mexer babou. Na finaleira acerte o tempeiro, coloque o queijo e a margarina e pronto. Risoto de beterraba.

A receita sugere ralar castanha do pará por cima dando um ar de "falso parmesão". Se não tiver castanhas por perto serve o resto do queijo mesmo. Bom apetite.

8.5.12

Livros pra baixar, cursos e links bacanudos

Uma das coisas mais bacanas da internet é o acesso a informação -- por mais que a gente se habitue a frequentar sempre os mesmo sites e fontes.

Tem de como pintar um banquinho a cursos de filosofia em Yale online e clássicos da literatura brasileira for free.

Para sair um pouco da tríade mimimi-dona-de-casa-comilança em que o blog entrou e te ajudar a fazer um uso melhor desse conhecimento compartilhado na rede seguem alguns links chiquita bacanas, incluindo o tal curso em Yale.

cursos gratuitos via tenéti da Universidade de Yale

mais de 500 livros grátis para baixar

biblioteca pra baixar da USP

Afinal, internet também é cultura.

+ dica da Molly :)
/http://fuckyeahradicalliterature.tumblr.com/

Um banquinho, uma demão...

 Inspirada pelos milhares de blogs do tipo faça-você-mesmo que pipocam pela tenéti lancei olhares safados pra cima de um banquinho quebrado que esperava o caminhão do lixo aqui na frente do apê. Na dúvida, subi com o bichinho pra casa.
Já lixado e com a perna colada
  O diagnóstico não era dos melhores. Faltava uma perna e o que sobrou da tinta fazia par com rabiscos e pedaços de esparadrapo. Para completar, o banco ainda tinha um rombo na tinta com cara de incurável na parte de cima. 
Colocando toda a técnica apreendida na pré-escola pra fora
  O banquinho passou semanas na sala, a espera de atenção, e chegou a sofrer ameaças de voltar para a malfadada lata do lixo até que num desses dias de ócio criativo me peguei olhando pra ele de novo e decidi tirá-lo do mundo das ideias para o dos móveis da sala.
Primeira demão. Tá vendo o senhor rombo ai em cima?
  Passei numa ferragem qualquer e com a assessoria do atendente comprei tinta para madeira - uma latinha bem inha de esmalte sintético vermelho da Coral -, duas lixas de 80 e 100 e cola, também para madeira. A conta fechou em incríveis R$ 10.
Nem deu pra reclamar de bagunça e a casa saiu ilesa da empreitada
Comecei lixando o banco como se não houvesse amanhã até tirar quase toda a tinta antiga e os esparadrapos. Lavei com Veja multiuso, colei a perna e deixei secar.

 Depois, com a ajuda de pinceis de outros projetos -- se fosse fazer de novo acho que usaria um rolinho --, um pote plástico e um palito de madeira comecei a pintura. As instruções na lata falam em diluir a tinta numa proporção de 90% esmalte/10% solvente, mas não achei necessário.

Banquinho pronto
  Cobri o chão com jornal, mexi bem e apliquei a tinta por todo o banquinho, tentando não deixar uma camada muito grossa. De novo, coloquei o bichinho pra secar, ainda sem muita esperança de que o esmalte fosse cobrir o tal rombo.
<3
  No outro dia passei a segunda demão e voilà! Cada pincelada era um flash, tão uniforme ficou a cobertura. Não fossem as fotos seria difícil provar a origem do banco.

5.5.12

Estética do frio

O sábado corre sorrateiro, gostoso, despretencioso como devem ser esses dias de maio. Faz frio e faz sol, e um pouco muito pelo frio o Rio fica com mais cara de casa. Só um lugar que faz frio em maio pode ser chamado de casa.
Esse Rio sem sereno, sem geada, que não é Grande a ponto de abarcar dois países e um mar como vizinhos, me seduz, mas me assombra.
Sem frio nunca que espaço sobra pra gente ser gente, só a gente, olhando pra dentro desse jeito só possível quando não se enxerga um palmo a frente nas noites de cerração?
Nessas horas assumo toda a estética do frio do Ramil como minha. Me sinto estrangeira nessas terras tão brasileiras, tão tropicais e por isso mesmo tão distantes.

22.4.12

Flickr time

Domingueira. Chove no Rio de Janeiro. Hora de ... atualizar o Flickr! Um pouco da cidade maravilhosa e um pouco da cidade maravilhosa além do cartão postal, como esse pôr do sol em um engarrafamento na zona portuária.

16.4.12

Tentando salvar a lavoura, plantar a lavoura, inventar a lavoura.

14.4.12

Bazinga!

Após inúmeros momentos de bullyng devido ao meu gosto duvidoso por enlatados americanos decidi reagir e criar um bom argumento. Estou praticando meu inglês. From now on, apenas English spoken enlatados sem legendas.


Atire a primeira pedra quem nunca citou Friends.

13.4.12

Acordei saudosista


Certas memórias mereciam ser rebobinadas.

11.4.12

Rápidas

* Tomei banho quente, em casa e sem canequinhas envolvidas pela primeira vez desde o dia 23 de março. A vida é bela.

* Enquanto pedalo ao lado dos motoristas nem sempre muito respeitosos das avenidas cariocas recito mentalmente um mantra: "eu sou um veículo, eu sou um veículo, eu tenho o direito de ocupar está rua também".

* Fim de semana dei um pulinho em Minas. Mas um pulinho mesmo. Ao visitar a tríade Visconde de Mauá, Maringá e Maromba, na divisa do Rio com Minas, descobri uma pequena e discreta ponte que ligava a Maringá carioca a homônima mineira. Atravessei, comi um pão de queijo legítimo e voltei.

* Já falei do banho?

28.3.12

Nosso Apê, o blog

Admito, ando traindo o Palim. Eu sei, eu sei. O blog aqui a espera de algumas poucas linhas e eu por aí, desperdiçando posts em territórios alheios.
Não que eu posso me redimir, mas os amigos entendem, a causa é nobre. Inspiração. Nesses dias de tempo livre - mais uma vez, estou em busca de um projeto novo - nada tem me dado mais prazer do que descrever as desventuras do Nosso Apê, esse cantinho no Rio em que moro há exatos dois anos.
Viva o ócio criativo aliado a falta d'agua. Passa lá!

P.S. Além de blog, o Nosso Apê tem facebook (www.facebook.com/nossoape), twitter (@_nossoape) e instamgram.
Isso que dá botar um bando de comunicadores morando junto.

18.3.12

Hoje é dia de colocar a casa em ordem



Limpar o quarto, as gavetas, separar roupas pra doação e aproveitar o tempo feinho e fresquinho pra colocar também a cabeça e os planos de dominação mundial em ordem. Com direito a flores frescas no criado mudo!

26.2.12

Tem um mundo lá fora piscado com um céu azul sem nuvens, um mar azul idem e tudo que um domingo de sol, calor e resquícios de carnaval pode oferecer. E eu tenho que trabalhar. Ninguém disse que era um mundo justo.

31.1.12

Para escrever

Por Neil Gaiman,

1. Write.
2. Put one word after another. Find the right word, put it down.
3. Finish what you’re writing. Whatever you have to do to finish it, finish it.
4. Put it aside. Read it pretending you’ve never read it before. Show it to friends whose opinion you respect and who like the kind of thing that this is.
5. Remember: when people tell you something’s wrong or doesn’t work for them, they are almost always right. When they tell you exactly what they think is wrong and how to fix it, they are almost always wrong.
6. Fix it. Remember that, sooner or later, before it ever reaches perfection, you will have to let it go and move on and start to write the next thing. Perfection is like chasing the horizon. Keep moving.
7. Laugh at your own jokes.
8. The main rule of writing is that if you do it with enough assurance and confidence, you’re allowed to do whatever you like. (That may be a rule for life as well as for writing. But it’s definitely true for writing.) So write your story as it needs to be written. Write it ­honestly, and tell it as best you can. I’m not sure that there are any other rules. Not ones that matter.

Mais aqui.

24.1.12

Só mais uma espiadinha no e-mail, por favor

Minha irmã é advogada, tem 23 anos, muitos amigos, não usa Facebook nem Twitter e raramente liga o computador em casa. É uma pessoa bem melhor do que eu.

Um dos meus desafios pessoais para 2012 – assim como os de outros milhares/milhões de viciados em internet – é chegar em casa e não ligar o lap top. Simples assim. Ter consciência de que responder um e-mail horas e não minutos depois não fará tanta diferença. Notícia importante, ao menos antigamente, a gente comunicava por telefone. Por que não continuar assim?

Tenho dois celulares e, obrigatoriamente, preciso andar com os dois na bolsa. Coisas de jornalista. Mas ao menos nesse quesito sou exemplar. Acesso a rede só em caso de necessidade ou saguão de aeroporto/rodoviária sem livros na bolsa.

Já é o bastante ter o computador a espreita em casa e no trabalho. Prefiro manter o smartphone esquecido na bolsa.

Se aproxima o dia onde as pessoas irão para retiros sem conexão wireless onde passarão algumas horas, quiça dias, tremendo, sedentos por informação/interação. Opa. Acho que esse dia já chegou.

23.1.12

Ao menos o italiano e os desenhos estão saindo


Ah, as promessas de ano novo... Vamos admitir. É cedo pra dizer, mas não vou aprender a tocar violão. E a Dé não é um elefante num carrinho, o cartão que veio da Dinamarca.

5.1.12

Pão


Pra começar o ano bem. Integral e com afeto. Tá bonito ou não tá, dona Marlei?