5.5.12

Estética do frio

O sábado corre sorrateiro, gostoso, despretencioso como devem ser esses dias de maio. Faz frio e faz sol, e um pouco muito pelo frio o Rio fica com mais cara de casa. Só um lugar que faz frio em maio pode ser chamado de casa.
Esse Rio sem sereno, sem geada, que não é Grande a ponto de abarcar dois países e um mar como vizinhos, me seduz, mas me assombra.
Sem frio nunca que espaço sobra pra gente ser gente, só a gente, olhando pra dentro desse jeito só possível quando não se enxerga um palmo a frente nas noites de cerração?
Nessas horas assumo toda a estética do frio do Ramil como minha. Me sinto estrangeira nessas terras tão brasileiras, tão tropicais e por isso mesmo tão distantes.

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