9.6.12

Top livros para ser um bom jornalista

O Xico Sá fez uma lista inspirada de livros indispensáveis para quem pretende ser um bom jornalista. Ou apenas um bom ser humano. Já anotei e marquei os que não li para garimpar por aí assim que tiver oportunidade.

Como pessoa que curte pra caramba uma lista assino embaixo e acrescento outros livros xiquita bacanas para os amantes da profissão, com o perdão das possíveis ausências, já que é quando a gente quer mais lembrar que se especializa em esquecer.

A lista do Xico lembra a A alma encantadora das ruas, do João do Rio; Um Bom Par De Sapatos E Um Caderno De Anotaçoes – Como Fazer Uma Reportagem, do Anton Tchekhov; Balas de Estalo,  do Machado versão cronista; Dez dias que abalaram o mundo do John Reed; Paris é uma festa, do E. Hemingway; Na pior em Paris e Londres do George Orwell; O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell (Cia das Letras); Malagueta, perus e bacanaço, do João Antônio; Dicas úteis para uma vida fútil -um manual para a maldita raça humana, do Mark Twain; O perigo da hora – o século XX nas páginas do The Nation; O livro dos insultos, de H.L.Menken; Medo e delírio em Las Vegas, do Hunter S. Thompson e todos do grande Nelson Rodrigues.

Concordo com todos, inclusive com os que não li e acrescentaria, para começar, alguns autores brasileiros, partindo do Ruy Castro.

Carmem - uma biografia é, assim como todas as biografias do autor, uma aula de jornalismo. Décadas depois da morte da pequena notável Ruy conseguiu reconstruir tanto o Rio do começo do século XX em que ela cresceu como o que a tornou tão famosa (e curiosamente hoje tão esquecida). Já tive o prazer de entrevistá-lo junto com a Cris e a Débora e guardei a lição mor do autor: pesquisa, pesquisa e mais pesquisa. De todo o tempo de produção de um livro, ele gasta 70% a 80% em pesquisa.

Rota 66, do Caco Barcellos - outro exemplo da importância da coleta de dados e persistência do repórter. O livro foi gestado durante mais de 15 anos de um trabalho de formiguinha.

Minhas histórias dos outros, do Zuenir Ventura - o bacana do livro são os bastidores. O Zuenir escolhe as dez matérias mais marcantes da sua carreira e conta não só como foi fazê-las mas como foi lidar com as suas consequências. Um jornalista ainda é um ser humano, por mais que a gente e a chefia com frequência esqueça desse detalhe. Destaque para a história do livro Chico Mendes: Crime e Castigo em que ele conta como saiu do papel de observador e acabou acolhendo uma das testemunhas do assassinato.

Minha razão de Viver, do Samuel Weinner - uma viagem pela cabeça e contradições do criador da Última Hora e uma boa forma de entender as raízes da mídia tupiniquim.

Chatô - o rei do Brasil, do Fernando Morais, outra aula de história da imprensa do Brasil sobre a vida e a obra de um personagem que ajudou a moldar a nossa noção de país e de mídia.
Brazucas lidos, nem só de texto vive o jornalismo.

Maus, do Art Spiegelman, foi o primeiro livro em quadrinhos a ganhar o prêmio Pulitzer. Filho de um um sobrevivente do holocausto, ele faz um relato visceral de suas memórias e assim dos terrores desse pedaço negro da nossa história.

Palestina, uma nação ocupada, do Joe Sacco, um dos expoentes da reportagem em quadrinhos Sacco usa seus desenhos pra mostrar uma realidade esquecida. E faz isso estando lá, sem deslumbramento, sem dourar a pílula.

Ok, isso ta ficando gigante. Além dos brazucas e dos quadrinhos, indico ainda:
101 Dias em Bagdá, de Asne Seierstad;

Vida de jornalista, do Gay Talese;

A sangue frio, do Trumam Capote;

O livros das vidas, conjunto de obituários do NY Times, e A arte da entrevista, seleção de entrevistas históricas.


E aí, mais sugestões?

3 comentários:

Pati disse...

"O Bandido da Chacrete", do Julio Ludemir. Melhor livro de reportagem que eu li, disparado.

Paula disse...

Bah, sabem que eu nunca li esse?

Pati disse...

e é passado todo no rio, tu tem que ler! vai curtir deveras :)