31.7.12

True love will find you in the end

Do facebook. Dois amores não valem um xupão, ou, para os românticos, true love will find you in the end.

19.7.12

Carioquices II

Nunca tive dificuldade em ser Paula no Rio Grande do Sul.
Nem morena.
No Rio antes mesmo de eu dar oi já atacam de Paulinha (que, sabem os amigos, não meu gusta). Ou meu anjo, meu amor, queriiiida e outras intimidades estranhas a estranhos, mas comuns por aqui.
E me descrevem como aquela gaúcha loir(inha). Mal sabem eles quão loiro pode ser um loiro serrano/gringo/alemão.

17.7.12

Assum-preto me responde



As rodas de violão aqui em casa estão numa fase Belchior, ok? Chicleteiem vocês também com o Haven never haven never haven, o passado nunca mais.

Carioquismos

Ontem foi o dia mais frio do ano até agora no Rio. A mínima foi de 15,2 graus e a máxima de 20.
Me divirto caminhando pelas ruas de calça jeans, camisa e casaquinho (o casaquinho em si já uma concessão à cidade) ao lado de mui garbosos transeuntes de bota, sobretudo e manta.
O frio deve ser mesmo psicológico.

16.7.12

Momento auto ajuda

(Ninguém pediu, mas a gente entrega mesmo assim)

Todo fim tem um começo embutido.

Fim do momento auto ajuda.

11.7.12

Caminhos Bolivianos e outras internetas

Conversando com o Alê sobre os perigos do superego -- no nosso caso travar projetos bacanas por achar que eles nunca estão bons o bastante --, lembrei do Caminhos Bolivianos que vergonhosamente abandonei no ano passado. Esse mesmo do selinho aqui do lado.
Pois bem, não mais! Se o blog não virou o livro que eu megalomaniacamente pretendia montar no começo, que ao menos guarde mais algumas histórias desse grande 2009.
Pra quem já leu, tem post novinho em folha. Pra quem nunca entrou, chega lá. Recomendo começar pelo O diabo e as minas de Potosí, parte das minhas desventuras a mais de 4 mil metros de altitude.

***

Falando em blogs, já tava na hora de atualizar a lista do Vai firme que vale a pena.
Os mais novos participantes são o Gabine do Dr Lucchese, do Alê, e o Onde está o óleo, da Bela. No gabinete há uma altamente recomendada coleção de zines históricos, além de uma série de histórias para entender o Paraguai, resultado dos três meses que o nosso dr passou por lá. Já no Óleo a Bela aproveita pra divagar e dividir parte da sua vida de reportera na cidade maravilhosa.

8.7.12

Gnocchi de semolina da Paula


(foto instramgramica tirada pela Reitch)

Apesar de não ser 29 hoje foi dia de gnocchi aqui no apê. Resultado de uma domingueira chuvosa com uma amiga gaúcha radicada em Sampa visitando. Normalmente domingo almoço biscoito Globo e mate a beira mar, mas se não tem Cristo, que tenham calorias.
Até o frio pra carioca ver (19 graus, dificilmente baixa disso) ajudou o climinha de comida caseira com todos que não estão de plantão reunidos.

A receita eu copiei do Questões de Forno e Fogão, da Piauí, um blog com ideias saborosas mas nem sempre factíveis. Admito que parte da vontade de fazer o gnocch veio do nome: gnocchi de semolina da Paula.

Fui apresentada a semolina na gôndola do mercado aqui do lado de casa e no começo fiquei meio desconfiada. Como o gnocchi foi um sucesso (sou um gênio da cozinha ainda não descoberto) e bem mais rápido de fazer do que eu esperava o pacote de farinha de semolina que agora mora na minha gaveta deve ser importunado com frequência.

Mas chega de embromation e vamos aos ingredientes:
6 colheres de sopa de manteiga (fui de meio tablete de 200 gramas mais um pedacinho)
3 xícaras de leite
1 xícara de semolina
1 xícara de queijo ralado
quatro gemas
sal
pimenta e noz moscada

Esse gnocchi tem uma pegada meio de polenta, então nada de susto se no começo ele parecer tudo menos gnocchi. A gente começa esquentando o leite com a manteiga e o sal até ferver. Ferveu é hora de colocar a semolina, aos poucos, peneirandos e mexendo sempre, de preferência com um fuê (se for azul, melhor ainda) até engrossar. Engrossou é a vez de atacar de colher de pau.

Depois dessa boa mexida tire a massa do fogo e acrescente meia xícara de queijo ralado e as gemas, uma por uma, mexendo sempre pra ficar com uma consistência lisinha. Massa pronta a Piauí manda espalhar uma camada de 2,5 cm de massa em uma forma e, depois de frio, cortar "panquequinhas" com um copo e polvilhar com o resto do queijo ralado. É divertido, mas não muito prático. Lá pro fim da função percebi que fazer rolinhos com a massa fria e depois panquequinhas com a mão mesmo, como num gnocchi tradicional, funciona tão bem ou melhor. Panquequinhas, digo, gnocchi prontos é só colocar no forno pré aquecido e ser gordo e feliz.

Ah, e a gente optou por um molho a bolonhesa basicão com uma salsinha pra fazer um charme, mas acho que combina com basicamente qualquer molho.

3.7.12

As palavras aprisionadas*

Ser jornalista é -- ou deveria ser, dessa forma romântica em que eu ainda gosto de acreditar e acariciar -- encarar todos os dias uma realidade que não cabe em 30 linhas e sofrer para tentar ao menos de longe transcrevê-la. 
Esbarrei faz alguns minutos com um texto que li na faculdade graças ao professor Ungaretti, amigo e fã do Marcão, jornalista gaúcho responsável pela criação da Versus (revista dos anos 1970 dedicada a América Latina, mas dai já é outro post).
Desses textos bacanas da gente reler periodicamente e lembrar da profissão.

Por Marcos Faerman*
Parte do livro Com as mãos sujas de sangue, outra boa indicação pra'quela nossa lista de livros imperdiveis ao bom jornalismo.


O repórter e sua perplexidade. O repórter tem diante de si a realidade. A realidade é a natureza e os outros homens. Como entender o mundo que nos rodeia? Como entender os conflitos, as mentiras aparentes, as verdades ocultas? Que instrumentos usar na hora da revelação?


Saindo da abstração. O repórter tem diante de si a realidade. A realidade pode ser um homem encolhido à beira de um rio. O repórter é um ser em disponibilidade. Esta é quase que sua essência. Ele está à disposição dos 'chefes', do jornal em que trabalha. Cumpre horários, ordens. Num dia qualquer, uma hora qualquer é mandado para um lugar qualquer. É sempre assim. Ele poderá ter diante de si este homem ajoelhado no barro, olhando para um rio. O repórter olha para este homem. Procura saber sua história. A reportagem pedida: a vida de uma aldeia à beira de um rio corroído pelo mercúrio que mata os peixes que alimentam os homens.


O repórter e sua perplexidade. O repórter recebe ordens. O repórter diante da pauta. Os problemas de um Estado diante da poluição. O que dizem as autoridades. O que diz o povo. O que dizem os industriais. As técnicas do repórter? O papel, a caneta Bic, o gravador. Os olhares das pessoas para ele ­ como o olhar daquele homem ajoelhado à beira do rio, não dá para esquecer. Um homem de roupas rasgadas, um pescador, que me fala com uma linguagem confusa como o vento que bate na água. Uma canoa parada no rio e uma rede. O olhar do repórter que cai em suas mãos. Mãos cortadas pelo barro.


Os direitos do repórter e do jornal. A lembrança, diante daquele homem, das perguntas de um outro repórter, das inquietações de outro repórter diante de outra realidade. Parece-me curioso, para não dizer obsceno e totalmente aterrorizante que pudesse ocorrer a um grupo de seres humanos reunidos através da necessidade e do acaso, e por lucro, numa empresa, num órgão jornalístico, intrometer-se intimamente nas vidas de um indefeso e arruinado grupo de seres humanos, uma ignorante e abandonada família rural, com o propósito de exigir a nudez, a humilhação e a inferioridade destas vidas, em nome da ciência, do 'jornalismo honesto', da humanidade e do destemor.


Saindo da abstração. O repórter em busca da realidade. Com a sua sensibilidade. Com a sua insensibilidade. Em nome de uma empresa jornalística. Ouvindo histórias das vidas dos outros. Sugando dos outros a única coisa que eles têm, além do corpo nu: uma história, a sua vida, a sua perplexidade, as suas próprias dúvidas e pequenas verdades (e separa grande medo). E o que ele ouviu que era 'jornalismo'. E uma linguagem que lhe disseram que era jornalística. Como esta linguagem que lhe disseram ser 'jornalística' se adequa aos olhos e às mãos daquele homem à beira do rio?


As lembranças do repórter. 'Tudo isto me parece curioso, obsceno, aterrorizante', disse certa vez um repórter. James Agee, de quem fiz a citação anterior. James Agee. Um repórter. Era um garoto quando a Life lhe pediu a história de algumas famílias rurais na época da Depressão dos EUA, de onde nasceu uma espantosa reportagem, Louvemos Agora os Grandes Homens. A Life rejeitou a reportagem de Agee por considerá-la anti-jornalística. Agee descrevia com minúcias até a respiração do pesado sono de trabalhador. Construiu um documento eterno. Seu relato é obra à altura de Steinbeck, John dos Passos, Faulkner. Quem quiser saber alguma coisa sobre a vida camponesa nos anos 30 terá que ler este relato que a Life rejeitou. O relato seria publicado na forma de livro. Trinta anos depois seria editado numa coleção de Antropologia dirigida por Lévi Strauss. Da rejeição em nome do jornalismo para a glória (as famílias camponesas assassinadas em nome do jornalismo renasceram!).


O repórter e sua formação. Todas estas idéias nascendo na cabeça do repórter a partir da questão da Linguagem da imprensa. A certeza que o repórter tem de que muitos colegas ainda têm na cabeça o mito do texto jornalístico e do texto anti-jornalístico. A certeza de que em nome do jornalismo muitos colegas rejeitariam o texto de Agee e muitos outros textos. A questão do 'texto objetivo'. A pergunta: que texto é esse? Onde nascem e com quem a técnica jornalística ensinada pelo que é publicado nos jornais e revistas, e pelas 'Escolas de Comunicação'. Onde nasceram e como as idéias de objetividade e neutralidade? Uma resposta possível: este texto jornalístico, esta linguagem fluente nos jornais surge com a estruturação da imprensa em forma de empresa/imprensa; empresas ligadas diretamente a determinada forma de organização da sociedade, o capitalismo. A linguagem da imprensa norte-americana se disseminando pelo mundo. A expansão de um Império e das idéias que o justificam.


Ainda a formação do repórter. A linguagem oficial da imprensa é defendida por muitos jornalistas. Ou não discutida. Ela é implantada nos jornais por jornalistas. Os Vigilantes do Texto. Às vezes, os Policiais do Texto. Uma arma na mão, a caneta. O direito que ganham de modificar o texto. O texto nasce do olhar do repórter sobre a realidade. Mas um olhar que não baixou para a realidade pode modificar as palavras. A defesa de uma linguagem. O esquecimento de que a 'linguagem vem sempre de algum lugar'. De que a linguagem está sempre referida a uma classe social, a um grupo humano. E de que há uma linguagem do poder, como há uma linguagem de crítica ao poder. O quanto pode a linguagem do poder ser disseminada pela realidade toda, preenchendo até a linguagem dos sonhos, até se tornar uma linguagem aparentemente neutra e objetiva? (Barthes. Barthes. Barthes.) A linguagem do poder alcançando até o espaço último do senso comum. Pensar em tudo isto. E ainda analisar a forma como esta linguagem se confunde com a expressão jornalística.


Saindo da abstração. O retorno ao rio, àquele homem. A responsabilidade diante dele, daquele momento. A necessidade: saber ouvir, saber descrever. A linguagem pode chegar ao real? (Discussões: o que é o real, etc.) O jargão Jornalístico/Economicista/Sociologuês/ pode captar esta realidade? Mas é aquele homem que devemos descrever, não uma abstração! Será que é ser "literato" abrir meu mundo para aquele homem, absorver a sua realidade, a sua linguagem - achar as palavras certas para revelá-lo? E uma outra idéia: a relação entre as palavras que surgem da máquina de escrever, e aquele homem.


Ficção e realidade. Algumas idéias, a partir de James Agee. Numa novela, uma casa ou uma pessoa tem seu significado, sua existência, inteiramente a partir do escritor. No jornalismo, uma casa ou pessoa tem apenas o mais limitado dos seus significados através do repórter. Seu verdadeiro significado é muito maior. O personagem existe num ser concreto, como você e eu. 'Seu grande mistério, peso e dignidade estão neste fato'. Outra questão: o jornalismo é James Agee, García Márquez, Eduardo Galeano, Heródoto, René Chateaubriand, Norman Mailer, Euclides da Cunha ­ eis os nomes de alguns repórteres. O jornalismo de Agee é menos literário do que a sua ficção? O jornalismo de Norman Mailer é menos literário do que sua ficção? O jornalismo é um método: trabalha como instrumento de descoberta de uma realidade, com formas próprias, anotações, pesquisa. Outra idéia: o pensamento escolástico contemporâneo, os intelectuais de gabinete, o pensamento universitário preservando a Arte e a Literatura com Maiúsculas. Esquecendo ­ em nome do Elitismo ­ o sentido mais contemporâneo do conceito de Escrita. Uma última idéia: muito da melhor literatura brasileira desta década vai ser descoberta (quando???) em alguns jornais e algumas revistas (por quem???).


Manifesto de libertação da palavra. A busca de uma realidade exige uma linguagem capaz de captá-la. Esta linguagem não é uma fuga (tese dos populistas chulos, contra os revolucionários chucros). É o único caminho para nos levar à débil captação de uma sociedade e de suas contradições. E da única coisa que interessa: o ser humano sufocado em sua vontade de ser.

1.7.12

Minimalismo

Fiz um inventário mental dos meus bens - uma bicicleta, um colchão, um banquinho vermelho, um fue, uma caneca e mais uma porção de livros, bloquinhos e roupas - e percebi. Sou naturalmente minimalista.