29.11.12

“Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça dos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”

Grande Sertão Veredas

(Carol Oms e Mari Congo que me lembraram desse trechinho, não resisti. A gente copia mas credita)

O Sabático aniversariante

Marx e Engels by Loredano

Alguém me explica por que tenho guardada uma edição do Sabático do Estadão de janeiro de 2011? E que não bastando estar prestes a fazer aniversário de dois anos - o que equivale a 20 em idade de papel jornal - ainda me acompanhou na mudança?
Hoje tomei coragem e comecei a limpa na intocável caixa dos cacarecos, aquele amontoado de coisas aparentemente sem significado pros outros mortais, mas que definem um pouco de quem a gente é, e decidi fazer uma das limpas periódias que impedem que meu quarto vire um santuário dos acumuladores.
E lá estava o jornal, dobradinho, me olhando.
O caderno é um especial de ano novo com 11 autores indicando 11 livros cada um pra se ler em 2011. Tá aí, motivo um pra ter guardado. Pra completar vem ilustrado com desenhos do Loredano, que fez a arte do meu muito valoroso A arte da Entrevista. Mas tá amareladinho, coitado, e minha rinite não permite, ou melhor, não recomenda, a convivência voluntária com ácaros. Hora de dar tchau.
 Ante disso, borá listar os livros que mais me chamaram a atenção entre as indicações feitas pelos autores - afinal, se eu guardei isso por tanto tempo, devia ter um bom motivo:

A passagem tensa dos corpos - Carlos de Britto e Mello - Livro de autor mineiro muito bem recomendado pelo poeta. A crítica que li à época me convenceu. Tá na listinha dos quero ler.
Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa - também há tempos na listinha. Um dia, Guimarães, um dia...
Se um viajante numa noite de inverno - Ítalo Calvino
Dom Quixote - Miguel de Cervantes
A história do olho - Georges Bataille - recomendado fortemente também pelo professor Ungaretti por meia faculdade.
Crônica da casa assassinada - Lúcio Cardoso - entre as minhas faltas está nunca ter lido nada do mineiro.
Folhas das folhas de relva - Walt Whitman - também tá na hora de consertar a falta desse poeta na vidinha.
A vida - modo de usar - Georges Perec - Admito, fiquei a fim de ler única e exclusivamente por conta do título.
2666 - Roberto Bolanõ - esse eu até já comecei, mas o prazo da biblioteca venceu e nos separamos. Terminarei (ou recomeçarei, já que tratam-se de 856 pgs).

Pronto, o amigo jornal pode virar embrulho de peixe e banheiro de cachorro sem culpa agora.

24.11.12

Pequeno relicário de causos cariocas

Peguei o metrô a caminho de um samba qualquer e olhei a ponta das minhas sapatilhas, que descolava um pouco, estudando quão longe da aposentadoria estaria esse par de sapatos. Concentrada que estava nos meus pés não reparei em um homem, bancos a frente, falando alguma coisa e apontando para elas.
- O senhor conserta?, perguntei.
- Não, superbonder.
E assim vamos vivendo.

23.11.12

Mandarim

Acompanhei duas aulas de mandarim numa escola pública aqui do Rio. Entre um ideograma e outro - o negócio é difícil, ein - rabisquei o professor.


Chinês dos arredores de pequim ele está ha dez meses no Brasil e ainda escorrega bastante no português. Pra dar conta da aula ele tem a ajuda de uma professora de inglês, que faz a mediação. 
Pequeno ponto curiso da relação mandarim-português. Quando alguém espirra não se diz saúde nem nada. Significa que alguém está com saudade de você.

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Argentina

”Everyone wants an Argentina, a place where the slate is wiped clean. But the truth is Argentina is just Argentina. No matter where we go, we take ourselves and our damage with us. So is home the place we run to or is it the place we run from? Only to hide out in places where we are excepted unconditionally, places that feel more like home to us. Because we can finally be who we are“ - Dexter 

Nosso novo apê

Comecei a me acostumar, enfim, com o novo apê. Tá com mais carinha de lar e o barulho e a luz - muito barulho e muita luz - já não incomodam tanto.
Rafa acha o clima aqui mais leve. Talvez não ter um proprietário português de 91 anos doido e a vista pro Cristo e para a Pedra da Gávea ajudem...
Eu sinto falta dos macaquinhos na árvore em frente a janela, do silêncio -- ahh, o silêncio -- e a da cozinha industrial com duas cubas e espaço pra sair dançando, se desse vontade. Também acho os porteiros meio enxeridos... Mas não se pode ter tudo, né não?
A parte da luz no fim se mostrou uma boa aliada para as amigas plantas e temos três novos alegres moradores na sala. Uma manjericão (o outro não sobreviveu a mudança), uma hortela e um alecrim.
E que venham dias ainda melhores.

A sala e todo o sol do Rio de Janeiro ao mesmo tempo.

A nossa vista podre de chique.

A geladeira mais bonita da cidade - oito países em imãs, ein. Aceitamos doações.

Os novos moradores.

O nosso novo velho apê de sempre. Dessa vez fora da porta de entrada, pra não assustar os novos vizinhos. Ao menos não por enquanto.

22.11.12

Perdoei o Tom Zé

Calma aí, nós também nunca fomos inimigos. Acontece que depois de acompanhar um show "experimental" dele em Porto Alegre alguns anos atrás e sair no meio porque, apesar de ter uma cabeça que acho até bem aberta a experimentalismo, passar duas horas vendo alguém batucar objetos aleatórios no palco com zero música foi meio demais para mim, prometi nunca mais ver o baixinho ao vivo.
Ontem resolvi dar mais uma chance ao moço - amiga na organização do show, free tickts, lugar agradável, sacomoqueé - e ainda meio receosa me postei frente ao palco, com a saida pela tangente planejada e a vista da baía de Guanabara à noite na Marina da Glória pronta para me consolar. 
E não é que mudei violentamente de ideia? Com rabinho de capeta, camisa branca e suspensórios, Tom Zé animou a galera, cantou, deu discurso, se jogou pra fora do palco, pra cima, pra baixo, e eu junto, pulando, dançando e me divertindo. Com algum experimentalismo, vá lá, mas nada que me fizesse olhar com suspiros pra porta de saída. 
Fora que depois de passar um fim de semana in love com Sampa City ouvir, "augusta, que saudade..." foi muito amor.


P.S. By the way, vi o show lá na feira Brasil Rural Contemporâneo, que está muito, muito bacana. Voltarei pela Elza, que toca na sexta, e pelos chocolates orgânicos, cucas gringas, chopps caseiros e outras delícias. A Cris, minha companheira de desolação e encatamento - fomos juntas aos dois shows - explica melhor a feira no Somos Andando.

12.11.12

Mais Elis



Vento de maio rainha de raio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás

5.11.12

E é bem assim, Lola

Laerte traduzindo meus enxaqueca feelings.