6.2.13

A entrada nas Zooropa

Parque do Retiro, meu vizinho nesses dias madrilenõs


Saudações madrilenãs!
Dezesseis horas de voo e mais de dez mil quilômetros depois cá estou, lépida e faceira, na capital do Reino da Espanha. Madri é linda e temo ser parada e chamada de pateta na rua já que não consigo parar de sorrir. Por enquanto explorei mais os arredores e a parte história, mas a cidade que me aguarde. Ainda pretendo gastar muita sola de sapato por aqui.
Mas vamos aos fatos: a entrada na europa e os documentos necessários ou apenas psicológicos.
Antes de sair do Brasil preparei uma pastinha anti-deportação. Apesar dos amigos terem dito que agora as coisas estão mais tranquilas - época de crise, quanto mais turistas melhor -, é melhor garantir.
Como não tenho nenhuma reserva em hoteis ou hostels pedi a minha amiga Bruna, que me recebeu por aqui, e ao Dario, namorado de uma amiga que vai me dar abrigo em Torino, que escrevessem cartas convites. Basicamente um documento contendo o endereço deles, número do documento e tal intenção de me receber.
Depois imprimi a passagem de ida e volta pra mostrar que eu até posso sonhar em morar na Europa, mas que não tenho planos imediatos de colocar isso em prática, uma cópia do seguro de viagem e do meu extrato bancário, além do extrato do cartão de Travel Money.
O voo foi lindo, dormi quase o tempo todo - morram de inveja da minha capacidade de fechar os olhinhos e sonhas em absolutamente qualquer lugar - e cheguei primeiro ao aerporto de Amsterdam, para de lá pegar a conexão até a Espanha.
Sai, me espreguicei, escovei os dentes e encarei a imigração. As filas se dividiam e a minha ficou entre um policial branco muito alegre, que fazia piadas com as crianças e famílias, e um policial negro a la bad cop. Advinha quem eu peguei?
Cumprimentei o policial, ele perguntou o que eu pretendia fazer na Europa e quando eu falei viajar por dois meses, começando pela casa de uma amiga, ele fez uma cara séria/assustadora (ok, talvez só entediada, mas eu fiquei nervosa) e perguntou com que dinheiro e quem era essa amiga. Daí dele pastinha. Mostrei o extrato, a passagem, a carta convite... Ia quase mostrar uma foto do pai e da mãe quando ele resolveu que era o bastante e me deixou passar.
Dica: quando isso acontecer, não digam "rá, tu fez isso só para me assustar". Policiais holandeses não tem senso de humor. Já o aeroporto de Barajas em Madri, o terror do terror entre brasileiros, não me fez nem cócegas. Sai do avião pro metrô com uma escala só pra sacar dinheiro, o que também é outra história.

P.S. Pequenos post scriptum sobre preconceito. Na fila de embarque em São Paulo conheci uma guria indo pra Amsterdam mais ou menos da minha idade, claramente bem alimentada e de classe média, com roupas mais caras que as minhas e... negra. Passamos na imigração em filas paralelas. Enquando eu tive que responder duas ou três perguntas, ela chegou a ser revistada. Primeiro mundo, amigos. Nem tão evoluído quanto a propaganda gosta de nos fazer pensar.

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