17.2.13

Barcelona. Nunca te vi, sempre te amei

Casa Batlló

Cheguei em Barcelona na segunda e tive um leve ataque de pânico de viajante. "Socorro, só vou ficar aqui até sábado. Não vou conseguir ver nada!", pensei com o zíper do meu casacão de inverno. A capital catalã - e Barcelona, amigos, é parte da Catalunya, não da Espanha - é o tipo de lugar em que se a gente fica uma semana tem programação pra uma semana, ficar duas, tem programação pra duas e por aí vai.
Após tomar o metrô, com as informações todas em catalão, assim como todos os museus, lojas e menus da cidade - os lugares bonzinhos dão uma canja e colocam também em espanhol e apenas os mais turistões, e olha lá, em inglês -, e deixar minha mochila na casa do amigo que me recebeu respirei melhor e parti pra tática "lugar pra voltar".
Funciona assim. Quando você estiver em lugar muito legal, desses que dá vontade de morar, e bater o desespero de ir embora/não conseguir fazer tudo é só mentalizar que essa é a primeira vez. A gente tem a vida inteira pra voltar. E acaba voltando, don't worry.
Fiquei hospedada no simpático bairro da Gracía. Longe pros moradores da cidade, tremendamente perto pra quem já subiu e desceu as ruas dos labirintos cariocas e paulistanos. A região era uma cidade até 1897, quando um plano de expansão de Barcelona incorporou suas ruas e prédios baixos a malha urbana da capital. Como bons catalães, há um movimento independentista no bairro que luta pela separação da Gracía de Barcelona.
Aproveitei o primeiro dia pra caminhar pelos arredores de casa, conseguir um mapa e conhecer o Passeio de Gracía, a Oscar Freire da cidade, e também algumas das criações mais famosas do Gaudí como a Pedrera e a Casa Batlló, além da "quadra da discórdia", que recebeu esse nome por ter um conjunto de edifícios únicos e quem ninguém foi capaz de dizer qual era o mais bonito.
Recomendo muito esse flanar pela cidade sem a obrigação imediata de ver nada. Barcelona é o lar do modernismo catalão, um movimento arquitetônico de gente kind crazy e feliz que enfeitou a cidade com construções curvas e decoradas, que só existem aqui.
A dica é localize o metrô mais perto da sua casinha/hostel, consiga um mapa - na praça Catalunya tem uma central de informações grandona e também o Cortê Inglês, o maior supermercado/loja de tudo um pouco da Espanha, que oferece uma mapa gratuito bacaninha - e se perca sem medo caminhando pro lado que der vontade. Também funciona em Madri, outra cidade com uma bela malha de metrô.
E, se o cansaço deixar, volte caminhando. Esse processo de reconhecimento a base de sola de sapato é que nos aproxima dos locais e dá aquela sensação boa de reconhecimento, ajuda a aprender como a cidade funciona.
Fico por aqui, já que o post já vai mais longe do que deveria para apenas um dia de viagem. Mas vai dizer que Barcelona não merece o "socorro" lá do começo do texto?

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