19.2.13

Do Guell ao Gótic

Mais um pouquinho de Barcelona, antes de entrar de sola nas crônicas italianas. Como diria Jack Estripador, vamos por partes, o segundo dia, no caso.
Comecei minha a terça de manhã em Barcelona cedinho, ainda um pouco desnorteada com a falta de luz do inverno europeu - o dia começa a clarear só aí pelas 7h30, 8h -, e toquei para o Parque Guell.
O Parque fica num ponto bem alto de Barcelona, não muito longe do metrô, e faz parte de um projeto de Gaudí e do seu então patrão, Guell, de construir uma vila longe do centro urbano onde as pessoas pudessem ter uma vida mais ligada a natureza. Também é onde a gente tem a clássica vista da cidade com a varanda curva colorida do Gaudí emoldurando o skyline.
No fim a vila não deu certo, a cidade chegou até ali e o parque permaneceu, apenas com duas casas, uma delas residência do Gaudí. Dei azar e peguei a tal casa fechada - é comum que o povo decida reformar as atrações na baixa temporada -, mas ainda assim pude entender bem o seu projeto.
Todo o parque é curvo, integrado, colorido. Gaudí na veia. E o melhor, entrada é gratuita, o que é raro em Barcelona. Só é legal chegar cedo pra fugir da multidão de turistas costumeira. Mesmo no inverno me incomodei um pouco com o excesso de gente fotografando mais do que olhando e vivendo o lugar e as 10h já me dei por vencida. Imagina no verão.
Dali parti caminhando em direção ao Barrio Gótic. Como Barça é toda em declive, não vi problema nenhum em fazer esses 40 minutos a pé. O bairro é um ótimo lugar pra se perder e preserva até hoje características da Idade Média, que levam muitos diretores a filmarem parte de suas histórias de época por aqui. Entre as atrações "standart" estão a Catedral de Barcelona - que não é a Sagrada Família - e os portôes da antiga cidade romana.
É uma boa procurar um Walking Tour pela região, assim além de ver os prédios históricos a gente sabe ao menos um pouquinho da história de cada um. Fui de mãe Google e fiz em outro dia o Free Tour - sistema em que a gente paga o passeio no fim através de gorjetas, de acordo com o que cada um achou -, do Travel Bar com uma guia francesa-grega e gostei bastante. Mesmo me achando uma turista curiosa muito habilidosa, descobri vários cantinhos que passaram desapercebidos no primeiro passeio.
Alí perto da Catedral também tem um dos muitos mercados da cidade, o Santa Catarina. Menos famoso que o tradicional Mercado da Boqueria,nas ramblas, é uma boa saida pra alimentação com orçamentos apertados. Apesar de eu achar que gastei muito bem cada um dos 10 euros do meu almoço no 15 Nits, na Praça Real, também no Gótic - entrada, prato principal, vinho E sobremesa com direito a guardanapos de pano, lugar agradável a vista da praça. Lágrimas.
Pra encerrar o dia, caminhei um pouco pelo Porto e pelo Born, bairro moderninho ao lado do Gótic onde está o museu do Picasso, conheci a igreja Santa Maria del Mar - turismo de igrejas acaba sendo meio inevitável por aqui -, e fui ao Parque da Ciutatela acompanhar o pôr-do-sol e descansar as pernas. Pernas semidescansadas ainda dei uma voltinha a mais e dei de cara com o Arco do Triunfo catalão, ao lado do parque, e me rendi ao metrô para voltar para casa. Morro acima. Me perdoei.
A noite acabou em carnaval, ou quase, na cidade vizinha de Sitges, onde carros alegóricos simplezinhos com gente muito animada e fantasiada na medida do possivel do inverno espanhol chacoalhavam ao som das piores músicas importadas do Brasil. O lugar fica a 30 minutos de trem e parece ser muito bonito no verão, já que o povoado é todo a beira mar. Em termos de carnaval, bem, depende... Um gaúcho acharia tri legal. Eu, que já vi o carnaval do Rio ao vivo, sai de fininho pouco depois da 1h.
A parte boa de viajar sozinha é que a gente pode ir pra onde quiser sem ninguém dizendo, "Paula, sua doida, para de caminhar e descansa um pouco". A parte ruim de viajar sozinha é que não tem ninguém dizendo, "Paula, sua doida, para de caminhar e descansa um pouco". Sendo assim, por recomendações amigas via e-mail, quarta decidi dormir um pouco mais de manhã, pra aguentar até o fim da viagem.

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