18.3.13

5 dias em Roma

Estava falando ontem com o povo que está me recebendo aqui em Amsterdam - viva a irmandade entre jornalistas ao redor do mundo! - sobre os diferentes tipos de viagem e viajante. Enquanto tem pessoas que seguem a risca a listinha dos must see, cuidando pra marcar o xizinho do lado de cada um freneticamente, outras, e gosto de pensar que faço parte desse grupo, querem sim ver as atrações principais, mas não se importam de pular uma outra e preferem  flanar e desfrutar a fazer tudo de uma vez.
Pensando nisso, no meu dever virginiano de transmitir as anotações italianas para o pc e, acima de tudo, em como é bom simplesmente caminhar e tomar gellatos por Roma, segue um guia do que fazer em cinco dias na capital dos nossos corações.

Dia 1
O fórum com o coliseu lá no fundo

Ser clichê nem sempre é ruim. Se der, combine o horário de chegada com o horário do free walking tour - olha ele aí de novo -, assim você se localiza um pouquinho e tem uma ideia geral da história e dos principais pontos turísticos. E haja história, amiguinhos. Uma coluna do Pantheon sozinha é mais velha que o Brasil...
Depois do tour, parta para mais um clássico e aproveite para comer uma típica pizza romana* no Baffeto, na Via Del Governo Vecchio, atrás da Piazza Navona. Este é, segundo amigos, um dos únicos lugares em que se pode comer uma boa pizza no centro (muitas usam massa congelada, becks!), além de ter um preço mochila-amigável. A Marguerita, por exemplo, sai a 5 euros.
Depois aproveite que você já está por ali mesmo e entre com o pé direito no mundo dos gelattos tomando um sorvete na Gelateria del Teatro, numa das ruazinhas que sai da Via Coronari, mais especificamente a Via di San Simone, 70. Sorvete pra voltar a ter dé no mundo. Faça a siesta flanando pela cidade.

Dia 2

Audrey in Rome

Mais clichê. Hoje é dia de Coliseu. A entrada é salgada -16 euros -, mas vale também para o Fórum e para o monte Paladino, o que significa que se houver filar em frente ao dito cujo você pode comprar o ticket nesses lugares também e entrar direto, ignorando os outros pobres mortais. O ingresso para o Coliseu vale para dois dias, então se você fizer a pausa para o sorvete e ficar a fim de voltar amanhã, that's ok.
E já que a gente já está na área, eu recomendaria também uma passagem pelo Teatro di Marcello e pela Bocca della Veritá, aquela do filme A princesa e o Plebeu, em que se a gente mentir perde a mão, lembra? Se não, ver o filme antes de ir pra lá não é ma ideia. Ambos estão na rua atrás do Fórum, a Via del Teatro di Marcello.

Dia 3

Sala dos mapas

Sendo católico ou não, o Vaticano, faz parte de Roma e os romanos gostam como ninguém de uma igreja, vide os 522 templos espalhados pela cidade. Dá para ir a pé ou de metrô, parando na estação Ottaviano - San Pietro, da linha A. Aqui a atração se divide entre a Basília de São Pedro e o Museu do Vaticano. Não entrei na Basília - fila demais só para uma igreja, sorry family -, mas me rendi e visitei o museu. Uma vez lá dentro - e outros 16 euros mais pobre -, mandei um postal pro pai e pra mãe da Agência de Correios deles, afinal, é o menor país do mundo! Quando passei por lá o selo era a carinha do ex-papa Ratzinger.
Também é o momento de decidir o quanto de arte sacra você está disposto a encarar até chegar a Capela Sistina. Para um passeio mais ou menos rápido - é difícil passar menos de duas horas por lá -, eu recomendaria a Pinacoteca, o museu Egípcio, os afrescos de Raphael, a sala dos mapas, que é mara, e, é claro, a Capela Sistina. Daí vale ficar um tempinho sentado, escrutinando as paredes, muito mais que o encontro de indicadores entre deus e os homens.
Saindo do Vaticano volte obrigatoriamente a pé pela Ponte Sant'angelo, uma das várias pontes que cruza o Tibre. Se quiser, pode ainda visitar o castelo e me contar depois como foi. Cheia de estátuas ela é meio que um mercado de arte, com gente vendendo pinturas, artistas e afins. Quando passei tinha até um cara batucano super bem num monte de latas com uma plaquinha dizendo "estou economizando pra comprar uma bateria de verdade".

Dia 4
O monte Aventino

Agora que os balangadas principais já foram é hora de aproveitar a cidade sem stress. Vá ao bairro judeu, que fica atrás do Teatro Di Marcello, comer uma alcachofra à judia, e passar pelas ruazinhas do antigo gueto. Depois encontre a Isla Tiburtina no mapa, cruze a ponte para um café ou apenas aproveite para tomar um sol na quase graminha da ilha, que abriga umas principais maternidades da cidade, e siga em direção ao doce bairro de Trestevere. Se perca até encontrar a Catedral de Santa Maria de Trestevere e descanse um pouco nos seus degraus. O bairro, que já sofreu preconceito por ser "além do rio" e abrigar apenas trabalhadores hoje é um ponto cool e merece também uma caminhada à noite.
Cuide o horário e suba o monte Aventino até o jardim de laranjeiras para ver um dos melhores pores-do-sol da cidade, mas antes um detalhe. Um pouco a frente do jardim, na Piazza dei Cavalleri di Malta, onde está a Villa Malta, tem uma grande porta de madeira. Olhando pela fechadura - sim, olhando pela fechadura -, surpresa, a gente vê a cúpula da basília de São Pedro emoldura pelo jardim.

Dia 5

Uma das muitas pontes romanas


Se você estiver em uma pegada de museus, acorde cedinho e vá a Galeria Borghese, numa das pontas da cidade. Tem que ligar pra reservar, mas vale a pena. O acervo deles é muito bacana e vai de pinturas de Raphael a esculturas de mármore antigravidade. A Galeria está no meio da Villa Borguese, o Central Park romano. Mapinha em mãos, aproveite para tomar um sol no parque - ou siga até o Museu Nacional de Arte - e vá caminhando em meio a ele até a Piazza del Popollo. Dá Piazza, marque mentalmente as praças Navona, Spagna, Campo de Fiori e divirta-se caminhando de uma a outra e tomando um expresso aqui, um gelatto acolá, um pôr-do-sol em uma das pontes da cidade. Dizem os guias que o melhor gelatto é o de San Crispino, ali perto da Fontana de Trevi. Já que é assim, passe por lá, pegue o sorvete de merengue, carro chefe da casa, e termine o passeio olhando a fonte que inspirou Fellini e jogue uma moedinha para garantir a volta. Não que precise. Depois de cinco dias em Roma é impossível não querer voltar.

E acabaram os cinco dias. Nem falei de San Lorenzo, no Monte Testacchio. Ah, Roma, já deu saudade...

*Existe uma rivalidade entre a pizza romana e a napolitana.  Enquanto a pizza romana e fininha, fininha, quase uma panqueca, a napolitana orgulha-se de ter uma massa rechonchuda, com bordas de respeito. De qualquer forma, prepare-se. Elas são bem menos queijudas e recheadas que as brasileiras, o que pode causar alguma decepção.

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