29.10.13

Brusquetas de despedida do apê

O bloguinho tarda, mas não falha, e cá estamos nós de novo com três versões de uma gordelícia praticada aqui em casa na segunda à noite - porque a vida é curta, o fim de semana teve Enem e em breve partirei para uma jornada solo e deixarei de compartilhar as noites de segunda e o apê com a galerinha e suas altas confusões. Estamos falando das suas, das nossas, das amigas e pau para toda a obra...brusquetas! Esse pedacinho de pão com cobertura e nome fresco que alegra os nossos corações.

Atenção para a mãozinha gulosa que não esperou o fim da foto

Estávamos em três - eu, Rafa e Mauro - e achei por bem e por preguiça que três sabores estavam de bom tamanho. Atacamos de brusquetas de salmão, berinjela com abobrinha e cebola ao vinho, devidamente acompanhadas por uma digna garrafa de malbec deixada na casa por uma amiga que visitou o apê em setembro. Percebam a força de vontade acumulada que foi necessária para garantir que ela seria tomada apenas e tão somente em uma ocasião especial.

Dessa vez especial e exclusivamente com fotos, feitas para incentivar o bullyng na Rafa, que fazia o caminho jornal-casa enquanto a comida se encaminhava para os finalmentes.

Para acompanhar a receita a seguir você vai precisar dê:
- 2 baguetes (melhor o pão, melhor o resultado);
- 1 berinjela;
- 1 abobrinha;
- 1 cebola grande;
- 1 pacote de salmão defumado;
- 1 tomate médio;
- 1 pote de creme de ricota - penso que para tornar a coisa toda vegana é só achar uma versão de soja. No mercadinho aqui perto de casa tinha. Cream cheese também deve ficar mará, só encarece um pouco o custo total da receita;
- salsinha;
- cebolinha;
- açúcar;
- sal e pimenta a gosto;
- azeite de oliva;
- gole de vinho, preferencialmente a garrafa que vai acabar na mesa depois;

A base das três brusquetas é a mesma: pedaços de baguete cortados em rodelas/diagonal cobertos com generosas camadas de creme de ricota. Já cada cobertura tem sua bossa específica.

A brusqueta de salmão que, curiosamente, apesar estar uma delícia, ficou em terceiro no gosto do nosso respeitável público, vale o clichê: mais fácil impossível. Fosse dia de feira o salmão seria fresquinho, o que, para os amantes do peixe cru como yo, seria a glória. Sem feira, ataquei de defumado, o que também é uma delícia. Depois de cobrir o pãozinho com o creme de ricota é preciso apenas cortar o salmão em pedaços, colocar uma fatia dobrada por pão, salpicando com cebolinha picada. A casa recomenda gergelim torrado, em falta na hora do preparado receita.

Ó a gostosura marota da brusqueta de salmão

A brusqueta de abobrinha com berinjela, segunda no ranking amiguistico, exige um pouco mais de desenvoltura culinária e etapas, mas fica igualmente irresistível. Você começa cortando a abobrinha e a berinjela em rodelas fininhas, mas não finíssimas, e o tomate em pedaços equivalentes. A abobrinha e a berinjela, depois de temperadas com sal e pimenta, vão para uma frigideira com teflon e um fiozinho de azeite de oliva na base e depois por cima delas. Fritou um lado, vira pro outro e ya está. Depois é só montar cada pãozinho também já com o creme de ricota com um pedaço de berinjela, um pedaço de tomate e um pedaço ou mais de abobrinha. O ponto da abobrinha e da berinjela é aquele do "ai que vontade de comer". Deu vontade de comer e não sobrar para a receita, tá no ponto.

Brusquetas de berinjela com abobrinha. Hmmmm

E por último mas não por último em nossos corações àquelas que foram eleitas as preferidas da casa: as brusquetas de cebola com vinho. Essa de complicado só tem o nome. Cebola picada, colocada para dourar na frigideira em fogo baixo em uma quantidade razoável de azeite de oliva temperada com sal, pimenta e o pulo do gato: uma colher de sopa rasa de açúcar. Lá pelo fim da doração é só colocar um pouquinho de vinho da frigideira e deixar dourar mais um pouco. A montagem é parecida com as outras. Pãozinho com creme de ricota, cebola e um pouquinho de salsinha em cada porção.

Ó como fica bonita a cebola com esse tom roxo do vinho

Quanto ao título do post, pois é. Dentro de muito em breve as aventuras aqui narradas serão postadas direto no meu novo quartel general no mui valoroso bairro de Laranjeiras, também no Rio. Mas com uma cozinha - micro - e uma sala suficientes para dar ensejo a novos "momentos chef". E que venham novas confusões!

11.10.13

Pequeno resumo dos momentos incomuns das últimas duas semanas

- Todos que entravam e saiam do quartel do Bope por volta das 4h a.m de domingo gritando caveeeeeeeeeeeeeeira a plenos pulmões, como nos filmes. Que sonhos recheados de medo não terão esses vizinhos do batalhão, encarapitado no alto de um morro em Laranjeiras, na zona sul do Rio;

- Os olhos absurdamente azuis do Eduardo Campos, dois dias antes da Marina dar uma rasteira em geral anunciando sua entrada no PSB.

- o desconhecido que ao me ver um pouco cega, um pouco desnorteada por conta do gás lacrimogêneo lançado pela polícia, corre em minha direção. "Boa noite, amiga, tudo bom? Você pode colocar isso sobre os seus olhos, por favor, sem esfregar? É vinagre, vai fazer bem."

- As pedras dos manifestantes e as bombas dos policiais voando de um lado para o outro na Cinelândia, em pleno centrão do Rio. Tem um que de fogos de artificio no cair do gás lacrimogêneo.

- O grupo de pessoas que comia churrasquinho e curtia um sambinha a duas quadras da mesma manifestação.

- Os cariocas que caminhavam de volta para casa em uma rua paralela a Cinelândia durante a mesma manifestação, como se nada estranho estivesse acontecendo. (será o carioca, e não o sertanejo, antes de tudo um forte?).

- O taxista do post abaixo, que descubro PM e ao invés da tropa apoia os manifestantes.


Fellow taxista

Fui e voltei da cidade da polícia hoje com um taxista animado e a fim de bater papo, como são tantos desses senhores a frente dos amarelinhos. Me perguntou o que eu achava dos black blocs e começou a explanar que vidros de banco não sofriam, ônibus tinham mais é que ser queimados pras companhias perceberem como tratam mal os usuários, que o governo tratava a população e os manifestantes muito mal, e por aí vai, num discurso bem incomum aos fellows taxistas que costumam me apanhar na mui valorosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Eis que quase no fim da corrida, já com o voucher pronto, ele acrescenta que é PM. Os butiãs do meu bolso estão todos no chão.

9.10.13

status

Atrás de algum tempo de elaboração pra enteder o zeitgeist, espírito dos tempos.