27.12.13

Mais serra gaúcha

Sexta-feira, 7h. Fui dormir relativamente cedo, perto das 0h30, um pouco depois da família.
"Vem tomar café, Paula!", grita o pai ou a mãe ou o ser humano que entrou nos meus sonhos depois de ter aberto a porta do quarto, começado a limpeza da sala e ter feito todos os pequenos ruídos que caracterizam uma casa acordada.
“Tô dormindo!”, grito de volta, com a licença poética de me manifestar ainda dormindo, apesar de já plenamente desperta pelo grito, cereja no bolo no processo de ser acordado, que os pais serranos sabem tão bem infligir aos filhos.
Levanto a contragosto. Chego à mesa do café. Farta, gorda, cercada de rostos felizes com mais um amanhecer – eles ainda por cima são sempre sorridentes a essa hora da manhã, como se zombassem internamente desse desejo vil e pequeno que é dormir até hora que o corpo quiser acordar.
Ensaio um último protesto. “Vocês sabem quão sacana é acordar alguém para tomar café pouco mais de seis horas depois de ela ter ido dormir na SEMANA DE FOLGA da pessoa?”
Silêncio.
“Toma o teu café depois volta a dormir”, contesta a mãe, ignorando por completo meu argumento.

Desisto e sento.

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