26.12.13

Para 2014

Daí que o relógio girou e chegamos a mais um 26 de dezembro. Pós ceia e pós comemorações natalinas, o que dizer de um ano que teve até hidroginástica com velhinhos em Budapeste? Que foi, no mínimo, interessante.

Um ano difícil, mas um bom ano. Mas sem a pataquada de ter passado voando, que de janeiro até aqui dava pra ter tido um três réveillons e ainda seria pouco frente a velocidade que o mundo resolveu tomar. Que o digam os dois meses de Europa, a visita do papa, as agora batizadas de jornadas de julho e as pequenezas gerais.

Enquanto 2012 se encerrava calcado na desesperança e cansaço - que termine, apenas, é o que lembro de sentir -, este caro ano ímpar, e ímpar de tantas formas, vai embora com o rastro de uma palavra bonita que costumo usar tão pouco e que merecia ser mais lembrada: gratidão.

Lá pelos idos de fevereiro uma amiga deixou um bilhete na minha mala entre os dias nevados passados na querida Bologna com uma quase mensagem natalina, desejando sorte e um porvir mais aprazível. "A vida é grande."

E não é que é mesmo? Olha os sonhos aí, tomando lugar, as necessidades de alguma estabilidade - ap, emprego e outras pequenezas -, atendidas, o futuro, otimista, piscando a frente. Nada necessariamente fácil, eu não poderia viver só de calmaria, mas ali, desafiador.

Não foi dessa vez que aprendi italiano, apesar de que agora sou capaz de compreende-lo sem problemas e arrisco bem mais que duas, três frases. Também não tirei o meu adesivo de inimiga do ritmo da testa e desbravei o violão nem criei uma rotina de desenho e alimentação saudável, como prometido por aqui. Mas é preciso sobrar algo para prometer cumprir nos próximos 365 dias.

Se ano passado escrevi, "para 2013, peço apenas que seja mais leve", para 2014, esse ano que já me é tão bem vindo, nem me atrevo a pedir nada. Apenas que seja. E que tenhamos o peito e o coração aberto para fazer frente a altura dos desafios que aparecerem.

Deixo vocês com um desejo de um grande recomeço - por mais que entre o dia 31 e o dia 1 não mude muita coisa além um giro de relógio -, e com uma frase do Guimarães Rosa no Grande Sertão: Veredas que gosto muito e já apareceu por aqui ao menos uma vez.

"Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

Nenhum comentário: