27.12.14

2014, gratidão; 2015, favor vir mais leve

Acabo de desligar o telefone com Bianchi Jr. 27 de dezembro, cada uma vai para um lado para as "entradas", como dizem os cariocas, o feliz ano novo foi antecipado. Declarações de amor, açúcar, afeto e um simples e único desejo singelo: que 2015 seja mais leve.

Gal canta "meu pobre coração não vale nada, pelas três da madrugaaaada" no som do PC. Suspiro. Esse ano prometia tanto... Acho que é chover no molhado comentar as bizarrices de 2014 em termos de acontecimentos nacionais e mundiais, mas como a vida quem vive é a gente, segunda, terça, ônibus, almoço, contas, sexta à noite, e por aí vai, sem folga, é olhando para esses a minha vidinha que faço essa retrospectiva.

2014, amigos, foi um ano longo, difícil. Sinto como se tivesse valido por três. Recheado de grandes momentos, aberto com um carnaval inesquecível, mas ranzinza, rabugento, com um bom par dessas horas em que a gente pensa em jogar a toalha e correr pro colo da mãe. Diria que envelheci com ele. Ou cresci, quem sabe?

O encerro cansada. Grata por todo o aprendizado - acho que é um bom exercício, reconhecer também na dor o aprendizado -, mas já sem muitas forças. Passarei uns dias no interior de Minas, cercada de amigos, pensando na vida e lendo, um detox do ano e também da vida na urbe, que seduz e consome na mesma proporção.

Que venha 2015, e que o ano novo seja repleto dessa sensação bacana de que ano que vem tudo pode e tudo vai dar certo. Já dizia o Drummond, como repito anualmente, gênio esse ser humano que industrializou a esperança e nos deu 12 meses pra encher o saco, jogar a toalha e começar outra vez.

Deixo vocês com Liniers, que resume bem o sentimento geral da nação que vive dentro de mim, e até ano que vem, pessoal!


26.12.14

Três da madrugada



(tem faltado música por aqui também)

Ano magro para o Palim

Olhando o índice aí ao lado fica claro que este foi o ano mais pobre em posts pro Palim desde que ele começou a respirar, lá em, caramba, 2007.
Foram 55 posts até agora, 56, com essa meia culpa. Longe dos cerca de 200 posts de 2008 e 2009 e menos até que 2012, até então o ano mais magro em publicações por aqui, apenas com 66 histórias.
Não farei promessas mil de escrever mais e sempre, sabemos que não vou cumpri-las. Mas prometo não esquecer o bloguinho, voltar aqui volta e meia para fazer uma respiração boca a boca, tirar a poeira.
Mesmo sem muito motivo de ser, esse espaço se tornou parte da família, e família a gente não abandona. Ano novo, vida nova, vai que em 2015, né?

10.12.14


Deixa eu registrar essa reflexão aqui para não perdê-la no corre-corre do cotidiano e da vida:
A gente tem que trabalhar pra ser quem a gente é e quem a gente sonha ser.
Saca?
Simples assim.
Passo a passo, dia a dia, mais a gente e mais o sonho (que sem sonho não se caminha).

26.11.14

Me disseram, numa viagem bonita a mineira Belo Horizonte, que dançar é poesia; caminhar, prosa. Divido a beleza dessa imagem com vocês.

25.11.14

27

Olho para o lado. A mesa cheia de post its, com rabiscos de lembranças de pautas a picuinhas do dia a dia e até desenhos. Pela janela, um pôr-do-sol no finzinho atravessa os vãos entre os prédios vizinhos à Academia Brasileira de Letras no centro do Rio. Suspiro. Essa é a minha vida.
Há um ano atrás, suspirava em frente a outra mesa, com outra vista, outros post its (maluca dos post its, diria meu então colega Mauro), também no centro do Rio.
Sonhei mil destinos, mil viagens, mil vidas distintas. Cadê a África, a Índia, as materias que me levariam longe e por terras ainda não pisadas pelo Oriente Médio? Cinco anos suspirando por redações cariocas - e ainda sem saber falar italiano, nem tocar violão, como faz questão de lembrar o 2015 que se aproxima.
Tenho sobre as costas 27 anos neste planeta. O 27, ao contrário dos outros 20 e tantos que vieram antes, pesa, bafeja, pergunta. "E então, o que fizemos até aqui?". Suspiramos e sonhamos, 27, suspiramos e sonhamos.

24.11.14

Vida longa ao 336

Essa semana completo um ano no querido 336, que faz às vezes de prédio, mas trata-se mesmo de uma cidade de interior encravada em plena zona sul do Rio de Janeiro. Já faz um tempo, a nossa espiã no IBGE, Carol Maia, me mandou os dados do Censo 2010 do prédio, que calha de ter mais de 700 apartamentos e obriga não um, mas dois recenseadores a passarem por lá a cada nova pesquisa.
Fosse uma cidade de fato, o 336 e os seus 1.226 moradores seriam o 9º menor município do país - maior que a paulista Borá e a mineira Serra da Saudade, que encabeçam a lista com seus nomes de poema. Grande o suficiente também para ter dez habitantes a mais que André da Rocha, menor cidade do Rio Grande do Sul, ao menos em 2010.
O simpático Favelão, nome conquistado na época em que era figurinha fácil nos boletins de ocorrência da região por ter até uma boca de fumo entre seus escuros corredores, consegue ainda ser mais diverso que muitos bairros do Rio. Tem, nos fofoca o IBGE, um morador índigena e dois chineses. E, como o Brasil e diferente da zona sul carioca, é boa parte negro e pardo.
Vida longa ao 336.
2015 se aproxima e ainda não aprendi nem a tocar violão, nem a falar italiano. Nada como promessas de ano novo que já se renovam automaticamente.

17.11.14

Azar rodoviário

Existe uma loteria informal nas viagens de ônibus interestaduais. O grande prêmio é a janelinha com o banco ao lado vazio, ônibus relativamente silencioso, viagem tranquila - a quem discorde e acrescente, talvez, uma boa companhia a lado, mas não varia muito disso. Se não a pior situação possível, mas top 10, encontra-se a minha última experiência. Criança de colo no banco da frente, criança de colo no banco de trás, criança abaixo de dez anos no banco ao lado, adolescentes em chamas ao longo do ônibus, luzinha azul neon eterna madrugada adentro (medo das pessoas ficarem com medo de escuro e se abraçarem, será?). Acho que com o carma que ganhei nessas sete horas entre BH e o Rio tenho direito a uns bons cinco anos de solidão rodoviária.

5.11.14

Equador da vida

Fico sempre pensando quando será o equador da vida, essa data X em que passamos a caminhar mais pra perto do fim que do começo. Fios brancos, faz pouco, passaram a aparecer entre os meus cabelos, alguma coisa louros por conta do sol do Rio de Janeiro. Talvez não os tivesse reparado antes, talvez 2014 seja um desses anos em que a gente se percebe, a olhos vistos, envelhecendo. 2015, amigo, o que será de nós?

4.11.14

Pequenezas do cotidiano na redação

Converso com um assessor e comento que a firma, tem sim, sucursal no Rio, há dois anos já. Ele pede o e-mail, passo o da chefe. Ele, para variar, pede para soletrar (ter nome difícil é pré-requisito para trabalhar aqui, parece). Começo, no automático. "V, de vaca..." Ri o assessor, ri a chefe, que senta na minha frente, rio eu, que, apesar do ato falho, não costumo associá-la a nenhum ser quadrúpede. "V de vassoura, tento contornar", nem assim. Culpa do V, não minha (e menos ainda da chefe, que é V de verde de agora em diante).

3.11.14

"Quem és? Perguntei ao desejo.
                Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada."

Hilda Hist

8.10.14

Sabe, quando a gente abre os jornalões e as principais (e fracas) notícias são as mesmas que já estavam estampadas nos portais ontem é porque tem algo muito errado. Assim a gente não salva o jornalismo, só afunda mais um pouco o barco.

19.9.14

Minha vida sem carro

(post para o blog da semana da mobilidade na nova casa, o UOL ;))
Assim que consegui juntar minha primeira e magra poupança, há alguns anos, meu pai, caminhoneiro aposentado e morador da Serra Gaúcha, decretou: "Filha, hora de você comprar um carro." Moradora da zona sul do Rio de Janeiro, local privilegiado em relação ao resto da capital quanto ao transporte público --por aqui há metrô e linhas de ônibus para boa parte da cidade--, agradeci, mas disse que não achava necessário. Choque geracional à parte, ele deixou escapar um "jovens", comentou que em breve eu sentiria falta de sair por aí sob quatro rodas, e jogou nas mãos do tempo a minha mudança de ideia. Nessas manhãs pós coberturas mais puxadas --ontem aqui na sucursal passamos o dia em cima das tabelas da pesquisa da Pnad, divulgada nesta quinta pelo IBGE--, nada me parece melhor do que poder ir para o trabalho sentada e lendo, enquanto o motorista do ônibus se preocupa com o trânsito e os outros motoristas ao meu redor. À parte a ida para o UOL, que não costuma me tomar mais do que meia hora, me desloco pela cidade sem carro já há quatro anos, fazendo um mix a-pé-bicicleta-metrô-busão, que, acredito, contribui para a minha paz de espírito. Tarde da noite, resolvo a vida de táxi e assim vou me virando. Recém idoso, seu Paulo ligou há alguns meses para comentar, eufórico, sua nova descoberta: o ônibus. Com a carteirinha de gratuidade ele começou ir para o centro da minha cidade, Caxias do Sul, pela primeira vez na vida como passageiro, e ficou encantado. "Não preciso ficar rodando atrás de estacionamento, bater boca com flanelinha, pegar trânsito, nada!", contou, decidido a, de agora em diante, só ir até à região de transporte coletivo. De visita em casa, pedi o carro emprestado para encontrar alguns amigos, ele fez graça. "Posso te emprestar a minha carteirinha?"

18.9.14

Cresce o número de pessoas que se autodeclaram negras

É bacana ver que, apesar de tanto retrocesso, algumas coisas estão caminhando nesse nosso Brasilzão tão diverso. Caso dessa notícia bonita de reportiar de que a população auto-declarada preta (junto com os pardos, eles formam o conceito de negro usado pelo IBGE), aumentou o equivalente a duas cidades de Salvador nos últimos dez anos. E isso não é resultado da fertilidade, mas de como a ideia de ser negro no país tem mudado.
Nos conta a Jana, que demorou alguns Censos até responder preta ao recenseador: "Me tornei negra, foi um processo. Eu sempre usava variações do termo mulata. Hoje, pelo amor de Deus, não me chamem de mulata! Isso era fruto de o que eu aprendia como sendo o negro na escola e nas ruas. E o que eu aprendia é que ser negro era muito ruim."

A matéria toda aqui, lá na nova casa, o UOL. ;)

9.9.14

9/9

Limpei a casa toda, troquei os lençóis, a água das flores, e queimei um incenso para garantir. Me preparei bem bonita e me levei pra passear na praia. Que a gente possa sempre fazer aniversário se querendo bem e de bem com a vida. Que o ano venha bonito, cheio de desafios e boas matérias.

4.9.14

Chegou, chegou, chegou!

30.8.14

Chega o natal, mas não chega setembro.

21.8.14

A valsa do afeto e da dor

Não me deixem sozinha em casa com tempo livre. Corro o risco de cometer textos.

Com carinho, para A. e V. Que seja doce, já dizia Caio F.


A valsa do afeto e da dor


Eles se encontraram pela primeira vez no Rio. Obra do acaso e de amigos que achavam que os dois, mineiros exilados, se dariam bem. Se deram melhor e a história, que poderia ter começado e terminado com a fogueira da festa junina que embalava a noite, foi além.

A segunda vez foi a vez de SP ser o pano de fundo do encontro, já não tão casual. Ela cheia de expectativas, mestrado fora, passagens compradas pra breve, recém curada de um desamor comprido; ele tímido,desacostumado que estava de ter alguém o querendo também. Os dois amaciados pelo afeto que crescia sem pedir licença. Se apaixonaram ali, talvez?

A terceira foi na Espanha. Ferias dele, intervalo das aulas dela. Tudo lindo até ela ve-lo, uma vez mais, fazendo as malas. "presença a gente não leva de baixo do braço, nem tem como guardar pra aquecer o inverno", pensou, sofrendo a partida desde a hora em que ele chegou e azedando os dias.

Da quarta vez, em Bruxelas, quase nem se viram. Valia a pena mesmo seguir sem certeza de final feliz? Acabaram se encontrando, se amando, imaginando um futuro que de distante passou a vizinho e já ensaiava bater na porta.

Quinta vez, quinta cidade.Sonharam de olhos abertos, já não haveria com o que se preocupar e tudo correria doce. Berlim tentou sorrir, não foi o bastante. O que era para ser brisa leve, virou tornado. Amor quebrado, repetia ela. Amor no começo, insistia ele. Choraram, velando a história que ainda não tinha nascido. Se despediram, doídos, para nunca mais.

Na sexta vez, Rio de novo. Sem planos, sem oceanos, mais uma vez o acaso e os amigos. Ele barbudo; ela de cabelos curtos. Ele seguro, ela claudicante. Ao se ver, sorriram.

Sentaram para conversar na beira da praia. Dois mineiros sós. Mineiros sem mar. Maltratados que estavam depois de tantas estradas tortas, era difícil esquecer as malas de poréns guardados. Quando perceberam já ensaiavam dançar uma vez mais a valsa do afeto e da dor. Se apaixonariam de novo ali, talvez?

19.8.14

Quarta-feira 13

Gosto de pensar a vida em ciclos. Nesta última quarta-feira, 13 de agosto, encerrou-se mais um, agora de megaportal. Pois é, vocês devem estar pensando. Então eu aporrinhei vocês para clicar naquelas materias todas à toa?
Vai-se o job, ficam os amigos e as lembranças das materias bacanas e das frias homéricas e a experiência adquirida nesse tempo de casa. "Ao infinito e além!", já diria o Buzz Lighyer,

5.8.14

Diálogos - versão caixa de banco de feliz

Aproveito o intervalo do almoço para ir ao banco perto do trabalho resolver as pendências cotidianas de começo do mês. Pego a senha, porta-giratória, tira as chaves, pega as chaves, senta, levanta, caixa.
- Boa tarde, eu gostaria de fazer uma transferência para outro banco.
- Ahh, vamos fazer um ursinho Ted!
- Não é um ursinho, é o meu aluguel.
Ao menos o dia 5 não acabou com o bom humor do amigo caixa.

4.8.14

'Meu filho, todo mundo é diferente'

Neste domingo de plantão conversei com a Maristhela e o filho dela, o João Pedro. Ele tem 8 anos, 1,62 metro de altura e calça 41. À primeira vista, parece um pré-adolescente e em breve deve ultrapassar a mãe, de 37 anos e 1,72 metro de altura. O menino tem a síndrome de Marfan, uma doença rara que afeta o tecido ósseo, o sistema conjuntivo e o coração. No futuro, dizem os médicos, ele pode chegar a 2,50 metros. À parte toda a dificuldade inerente a condição do João Pedro, me tocou a forma como a Maristhela o ensina e encarar a vida. 
“A nossa preocupação é que ele tenha qualidade de vida, cresça com uma cabeça boa”, diz a mãe. “Sempre falo para ele, ‘meu filho, todo mundo é diferente’.” 
Somos todos, Maristhela. Somos todos.

A materia, lá tu encontra lá no megaportal. Cliques e tal.

1.8.14

Pequeno conto sobre ser adulto e só na metrópole

Moça mora sozinha. Moça chega em casa perto da meia noite, abre a porta e encontra dois morcegos voando em círculos na sala. Moça pega vassoura, espanta morcegos, fecha a janela e limpa o apartamento todo com alvejante. Antes dormir, moça benze apartamento e planeja queimar um incenso pela manhã, just in case. “Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay.”


Ser adulto é expulsar os próprios morcegos.

29.7.14

Diálogos - versão cruzadinhas matinais

Corta para os pós café da manhã de domingo. Termino as cruzadinhas do jornal, o pai e a mãe começam o rame-rame da arrumação diária. Em dúvida quanto a uma das últimas respostas, decido consultar os "universitários".
- Paaai, manhêeeee, as pessoas com Alzheimer perdem a memória e? Começa com R.
Nisso o pai vem correndo do quarto com um ar de 'eureka' e grita:
- Movimento retilíneo!
Pais, o que seria desse bloguinho sem eles?
Pra ser justa, a resposta era raciocínio e também foi o se Paulo que acertou depois que todos paramos de rir.

15.7.14

Tchau, Copa


(foto do Mauro Pimentel)

Foi a melhor e a pior das copas. Teve churrasquinho com jogo na Mangueira, histórias mil de personagens bacanas, maré vermelha chilena, amarela colombiana, celeste uruguaia e furacão argentino; também teve repressão a protestos, violação de direitos fundamentais e agressão a amigos e colegas jornalistas.

Um desses meses em que a gente suspende a vida e guarda um bocado de histórias pra contar pros netos - afinal, não é todo mundo que pode dizer que viveu a Copa em casa. Apesar de que, se eu pudesse escolher, teria visto o gol que deu a vitória da Alemanha contra a Argentina lá na praia do Leme, com o fellows alemães, e não de dentro de um táxi decidindo se levava ou não o meu colega fotógrafo a delegacia para fazer Boletim de Ocorrência contra o PM que sentou o cassetete nele em uma manifestação.

Pediria também pro povo da seleção maneirar e perder por dois, três gols, não 7 a 1, que parece até conta de mentiroso, mas cest la vie. Nunca o luto de uma derrota foi tão engraçado. Eeeeeta, eta, eta, eta, Podolsky e viva a internet.

Fica um um misto de saudade com graças a Alah acabou. Nunca sabemos direito até que ponto a gente aguenta a macarena do jornalismo diário até práticá-lo no limite da exaustão, tanto física quanto mental. Em resumo, #tevemuitaCopa, senhores. Para o bem e para o mal. E agora muda o disco que as eleições tão quase aí. E #imaginanasOlimpíadas!

4.7.14

Já que tá tendo Copa

Segue um Davi Luiz comemorando gol que eu desenhei quando deveria estar escrevendo.

30.6.14

Ligo para Bianchi Jr. Passamos meia hora tricotando sobre pequenezas cotidianas; aluguel, contratos do escritório, clientes, folgas e a falta delas.
"Difícil esse negócio de ser adulto, ein?"
"E como."

26.6.14

"Pobre de quem finca raízes em dois lugares: sofre duas vezes."
Pablo Neruda

25.6.14

O outro lado da Copa: famílias expulsas de prédio ocupado esperam em barracas de camping por uma solução

Entre uma pauta e outra da Copa tenho conseguido sentar e contar boas histórias, algumas mais tristes do que eu gostaria. Caso da galera que ocupava o antigo terreno da Telerj. Eles saíram de lá a base de porrada da PM, foram para a frente da Prefeitura, depois da catedral e hoje aguardam uma solução num terreno de uma igreja esquecida na zona norte da cidade.
Aquele esquema, um trecho do texto aqui, o resto no site. As fotos são do grande Mauro Pimentel, parceiro de pautas boas e roubadas Rio de Janeiro a fora.


(Foto: Mauro Pimentel)

"Por que torcer por um país que não se lembra da gente?”, questiona Túria de Souza, de 57 anos. Pouco mais de uma hora antes do início da partida do Brasil contra Camarões, realizada nesta segunda-feira, ela retirava as roupas secas de um varal improvisado nos fundos da Igreja Nossa Senhora do Loreto, na zona norte do Rio, a cerca de um quilômetro do aeroporto internacional do Galeão. No quintal, vazio e sem enfeites, quase não havia sinal da Copa que convulsiona o País desde o dia 12 de junho.

Túria vive em um galpão ao lado da igreja junto a outras cerca de 300 pessoas desde o começo de maio. Antes disso, acampou com eles em frente à Prefeitura do Rio e à Catedral Metropolitana da cidade. O grupo é remanescente das mais de cinco mil pessoas que invadiram, ainda em março, um prédio abandonado da antiga Telerj (empresa de telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro).

O caso ganhou os jornais no dia 11 de abril, quando os moradores foram removidos com violência pela Polícia Militar, que executava a reintegração de posse do terreno. Muitos perderam os bens e documentos. Houve feridos e as cenas do confronto ganharam atenção mundial.

No local, reformado no ano passado para receber os peregrinos da Jornada Mundial da Juventude, os moradores se dividem em barracas de camping compradas pelos freis e organizadas em ruas. Há três banheiros masculinos e três banheiros femininos, com três duchas cada um e a alimentação é fornecida pela igreja, que recebe e distribui as doações.

Texto completo, aqui.

23.6.14

Um gosto de sol

Tenho a mania de ouvir em looping músicas que gosto. Geralmente, calha de uma canção me tocar por um motivo que nem sempre consigo entender e fico nessa, ouvindo, ouvindo e ouvindo de novo. Tenho a impressão que daqui a pouco o laptop vai me responder de volta e mandar mudar o disco quando der play mais uma vez nesse gosto de sol do Milton no Clube da Esquina.

16.6.14

Um verbo

Seguindo meu caso de amor com a língua portuguesa, mais um verbo que acarinha o ouvido e aquece o coração: alentar. Nos diz o Houaiss:

verbo ( sXV)
1 t.d. ) dar alento a; animar, encorajar
    ‹ as palavras do outro alentaram-no ›
2 int. ) tomar alento; respirar, arfar
    ‹ o animal alentava com visível esforço ›
3 t.d. ) fig. tornar mais forte, mais vigoroso; alimentar, nutrir
    ‹ o adubo, enriquecido, alentava a planta › ‹ um sonho de sucesso alentava seu espírito ›
4 pron. ) tornar-se excitado; reanimar-se
    ‹ suas pulsações alentaram-se ›
5 pron. ) tomar fôlego, alento
    ‹ parou para respirar e alentar-se ›
Etimologia

lat.vulg. *alēnitāre < *anhēlitāre, este do lat. anhelāre 'respirar com dificuldade, estar ofegante, estar esbaforido; exalar vapores, estar em chamas; exalar, respirar', prov. pelo esp. alentar (1490); ver anel-
Sinônímia e Variantes

ver sinonímia de estimular e nutrir
Antonímia

desnutrir; ver tb. antonímia de estimular
Homonímia

alento(1ªp.s.)/ alento(s.m.)


Ele parece passar o significado já pelo som, como se ninasse que o escuta. A-len-tar. A-len-to. Um bom verbo pro começo do inverno, para os dias de caos e trabalho que se avizinham.

7.6.14

O sol se poe sobre a mui valorosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O que dirão de nós quando já não estivemos perambulando por estas ruas? Mais uma entre tantas umas e uns que esse Rio de cartão postal e braços abertos até a página dois atraiu?
Fez, faz sol, foi um dia bonito. O ocaso é rosado. A lua brilha um pouco por vez. Faz calor ou será apenas a vitamina D da pedalada pelo aterro se espalhando? A noite faz mil promessas de fim de semana. A segunda acena, tímida. É sábado, quem lembra dela.
Converso com o teto; ele se nega a responder. Sabe tanto quanto eu, o pobre, talvez mais, mas silencia. O rádio toca música certa após música certa e ameaça ter feito a seleção pensando em mim.
Ah, quem me dera não ter nascido sobre o signo da ansiedade.
Sobreviveremos todos.

30.5.14

Casa da Seleção exibe cicatrizes de tragédia que matou 900

Não sei bem a quantas anda a Copa pelo resto do país, mas na minha vida e de boa parte dos colegas jornalistas que trabalham aqui no Rio daqui até a metade de julho o mundo vai se resumir ao mundial.

Calhou de eu subir a Teresópolis na quarta para acompanhar a seleção, mas deixa eu te dizer: que decepção. Zero glamour, zero contato com os jogadores. A gente só vê eles ao longe, treinando, e depois fala com alguns selecionados para a coletiva diária.

A parte isso, na mesma Terê que recebe esse time milionário, tem uma galera ainda se virando com R$ 400 de aluguel social pra morar, resquício da tragédia das chuvas, de três anos atrás.
Aquele esquema. Pedacinho aqui, resto no site.

Casa da Seleção exibe cicatrizes de tragédia que matou 900

Três anos depois, Teresópolis ainda guarda marcas das chuvas que deixaram centenas de mortos em 2011


Longe dos olhos da imprensa mundial, os moradores do bairro de Campo Grande, em Teresópolis, um dos locais mais atingidos pelas chuvas em 2011, se esforçam para retomar a rotina depois da tragédia que deixou centenas de mortos em toda a região serrana do Rio de Janeiro. Por ali, a cerca de 15 quilômetros da Granja Comary, onde treina a Seleção Brasileira, não há sinal da Copa do Mundo pelas ruas, e as marcas da destruição permanecem nas casas destruídas pela água e abandonadas pelos moradores.

O pedreiro Cartolino Ferreira, 49 anos, perdeu 27 pessoas da sua família, incluindo a mulher, e viu o filho Marcos, então com 11 anos, sobreviver depois de ser arrastado por quatro quilômetros pela torrente de água que tomou conta da região, transformando o que antes era um bairro populoso ao pé da serra em um monte de escombros. Ele vive até hoje com o aluguel social pago pela prefeitura e só há três meses recebeu a indenização a que tinha direito.

27.5.14

Buracracia eu, burocracia você

Hoje sentei para tomar um chá com a tia burocracia e colocar as fofocas em dia. Bate um papo daqui, outro dali, cheguei ao Ministério do Trabalho 7h45 e a fila já fazia promessas de deixar parte do povo almoçando pelos corredores. Como essa foi só a quinta visita que fiz a esta querida repartição pública, aka sucursal carioca do inferno, nos últimos dias dei ombros e fui direto atrás dos pingos nos is, no caso, da fila certa.

Tudo certo, nem tenho tempo de criar raízes, aleluia, chamam meu nome. Sento, emocionada (quinta vez pra resolver a mesma pendenga, diga-se de passagem). A mocinha olha meus documentos, uma pastinha reunindo original do diploma, RG, CPF, comprovante de residência e mais uns 50 papéis - quase tudo que diz respeito a minha pessoa, a exceção da certidão de nascimento e da minha lembrancinha de aniversário de um ano -, e faz um muxoxo.

-Mas você não tem a cópia do Diário Oficial do seu estado com a lista dos formandos do dia?
Resposta que eu deveria ter dado:

- A senhora também quer uma filmagem minha cumprimentando o paraninfo com o canudo na mão e uma declaração de próprio punho do reitor falando que me formei?
Resposta que eu dei, refém que estava da necessidade de um carimbo x na minha CT.
- Acho que não fazem isso por lá.

24.5.14

Sábado

Plantão. Vasculho sites de notícias atrás das urgências desse sábado que amanheceu chuvoso e estranhamente tranquilo para os padrões cariocas.  Meus poucos metros quadrados cheios pelas malas e cheiros dos amigos. Mariana lava a louça, cantarola qualquer coisa do rádio; Aline toma banho atrasada para parte dos seus deveres como turista na cidade. Carol ainda não voltou da noite passada. Fiz panquecas no café da manhã. Só é possível fazer panquecas com amigos em casa. Louça e trabalho demais para alimentar apenas um estômago. Do sul o Isma sem plantão esnoba contando que espera debaixo das cobertas pelo almoço que deve sair pontualmente ao meio dia, como não poderia deixar de ser numa casa de família italiana. Invejo por uns 30 segundos até lembrar que cobertas são iguais a frio e desse frio eu fujo. Enquanto Caxias do Sul marca seis graus o Rio alardeia a possibilidade de ter o dia mais frio do ano até agora: mínima de 18 graus. Tomamos chimarrão; comemos bergamotas. Tangerinas por aqui, mexericas na Minas da Mari e na São Paulo onde nos cruzamos pela primeira vez. O outono, com ou sem Copa, corre tranquilo, sem pressa, como pedem esses raros dias nublados na cidade maravilhosa.

23.5.14

Batman troca Gotham pelo Rio


Dá pra dizer tudo, menos que não me divirto trabalhando. Esse mês de junho vai ser tumultuado aqui no Rio. Nem começou e a cidade já é puro protesto. Ao menos com ou sem copa, não faltará bom humor.
(Ah, situando. A foto foi tirando durante um protesto de professores nesta quinta-feira.)

11.5.14

A/C dona Marlei

Desculpa, mãe. Passei o dia quebrando a cabeça e pensando qual seria a mensagem bonita que eu iria escrever, como a senhora me encomendou – trabalhar com palavras tem dessas coisas, qualquer dois parágrafos vem acompanhados de expectativa –, e não consegui ir além do brega sentimental tão característicos dos segundos domingos de maio. Me peguei pensando aqui, na lonjura dessa terra sem churrasco e frio no dia das mães, como é trabalhoso esse negócio. Tu coloca um mini-humano no mundo, dá comida, vê crescer, acompanha cada gripe, cada desafio às leis da gravidade – o que no meu caso foi uma constante, do tentar voar pulando da sacada ao cair de um carro em movimento, isso para não mencionar os tombos dia sim dia também -, pra um belo dia ele avisar que quer morar a dois mil quilometros de distância. Que duro deve ser perceber que aquele tiquinho de gente que um dia tu carregou no colo de repente tem vontade própria e já não acha o quintal de casa mundo o bastante. E quanta generosidade envolve não apenas aceitar essas vontades como apoiá-las, incentivá-las e lembrar sempre que não importa o que aconteça os teus braço ainda guardam um abraço quentinho e o mesmo colo daqueles tempos pré-futuro, em que tudo era infância, choro e mamadeira. Todo mundo vai dizer hoje que tem a melhor mãe do mundo – vá lá, tá liberado e a data permite -,mas só eu e a Caro temos você. E, amigos, igual a dona Marlei não existe. Te amo. E desculpa também por todo o trabalho dos últimos 26 anos e pela maldade de ter passado mais esse domingo longe.

10.4.14

A alicate e o feminismo

Podem invejar meu mimo ferramentoso paterno

Contei pro pai das minhas proezas com o chuveiro e ele me presenteou com esse embrulho bonito, com o básico para um ser humano se virar sozinho nos consertos da casa. E também com um pequeno esporro - quando fui morar em Porto Alegre ganhei ferramentas parecidas, incluindo uma alicate de estimação dele, que ficaram para trás na mudança apressada para o Rio.

Além de ter achado muito bacana - nem pedi, e ele que apareceu depois todo faceiro com a sacola antes de eu ir embora -, fiquei refletindo o quanto esse gesto fala em termos de criação de filhos e posicionamento da mulher na sociedade e como isso influenciou a forma como vejo o mundo.

O seu Paulo podia ter simplesmente me orientando a chamar alguém para fazer o serviço na próxima vez, como muita gente sugeriria. Mas ele preferiu me ver como um ser humano capaz de se virar independente do gênero (ou vocês acham que iriam sugerir que um guri chamasse um "marido de aluguel?).

A Carol Maia participa de uma banda/coletivo chamada Putinhas Aborteiras com uma balada muito bonita, a Gênero*, que discorre sobre as diferenças entre crescer menina e menino. Segue um trechinho:

"meu corpo tem seios e vagina
e um nome de menina
me foi dado ao nascer
logo a pequena carolina
ganhou coisas de casinha
e bonecas que eram bebês

já o meu irmão ganhou carrinhos
rolimã e um estilingue
coisas de brincar na rua
meninas e meninos desde cedo
aprendem com seus brinquedos
qual função será a sua"

É o mesmo mote de uma campanha contra o machismo equatoriana que já reproduzi aqui e o tipo de pequeno detalhe que vai construindo a nossa sociedade.

Eu e Bianchi Jr ganhamos carrinhos, fizemos casas em árvore, campeonatos de bolinha de gude, tivemos um carrinho de rolimã e até um carrinho de bombeiro (!) e por aí vai. Também ganhamos bonecas, brincamos de casinha e outras meninices, mas era apenas mais uma parte da brincadeira.

Nessas horas fico felizona em ter um pai feminista, mesmo que não declarado, e perceber como essas pequenas atitudes ao lado com a convivência com mulheres fortes e com opinião - minha família é um matriarcado serrano -, me fizeram quem sou hoje. Na hora de acessar a caixa de ferramentas da vida eu não quero uma delimitação por cromossomo, eu quero sempre poder ir all in. Ou como dizem as Putinhas:

"essas divisões são culturais
mas parecem naturais
algo que nasceu com a gente
porque existe uma ideologia
que diz que a biologia
é o que nos torna diferentes

o problema é que essa sociedade
discrimina os desviantes
e oprime a mulher
vamos mudar essa mentalidade
para que então toda a gente
possa ser como quiser"

*Gênero, Carolina Maia, Putinhas

4.4.14

Almoço vegano made in horta da casa do pai e da mãe



Aqui em Caxias a quinta foi de almoço vegano pra família toda - e o mais bacana, por acaso! Quando me dei conta do prato, fotografei e mandei pre Carol Maia, minha vegana de estimação. Sempre dividi apê e tive muitos amigos vegetarianos, mas ter alguém que não come absolutamente nada de origem animal por perto volta e meia faz a gente por a cabeça pra pensar.

O prato não está tão bonito porque lembrei na foto na hora que sentei e a fome foi maior que o desejo de enfeitá-lo. Aí a gente tem arroz, cenoura ralada, ervilha e milho refogados, repolho com redução de vinagre de vinho e farofa de pinhão, além de um generoso copo de suco de uva caseiro. Esnobando, tudo, menos o arroz e o repolho, foi produzido aqui na horta pelo seu Paulo e pela dona Marlei. O suco vem de uvas amigas, que viraram chimia (geléia) e depois tiveram o bagaço cozido com água, engarrafada e congelada pela mãe especialmente pras minhas visitas pra casa. O que me lembra. Não posso ficar tanto tempo longe daqui. Morre um pedaço miúdo de mim.

O arroz, a cenoura e o refogado eu confio que todo mundo é capaz de reproduzir sem problemas, mas o repolho, meu orgulho do dia, e a farofa merecem uma explicaçãozinha.

Pra fazer o repolho você pega um pedaço de uma cabeça (?) e corta em fatias com uns dois dedos de altura por uns três, quatro dedos de largura (olhômetro e bom senso são sempre boas pedidas nesses momentos). Daí é só colocar um fio de azeite generoso em uma frigideira e "grelhar" os pedaços de repolho, devidamente temperados com um pouquinho de sal e pimenta branca. Coisa de uns dois minutos cada lado, até ele ficar meio dourado/chamuscado. É legal tentar manter o pedaço inteiro, como se fosse um medalhão, o que nem sempre é possível. Depois tu aquece, na mesma frigideira, um pouco de vinagre de vinho com açúcar e um fiozinho de azeite de oliva. Espera reduzir e joga por cima do repolho, devidamente arrumado em uma travessa. Como o repolho é docinho, combina tri bem!

A farofa de pinhão dá um pouco mais de trabalho. É preciso cozinhar o pinhão na água, descascar e depois passar no mixer ou no liquidificador. Aqui em casa a mãe tinha um saco de farofa guardada no freezer - não há nada que aquele freezer salvador não tenha -, então partimos direto pra etapa B, de barbada. É só refogar o pinhão com cebola e cebolinha, temperar, esperar esquentar e jogar salsinha picada no fim e pronto. Almoço vegano e completinho! Aqui ainda rolou uma salada clássicona de alface, que o povo não passa sem um verde no prato.

3.4.14

Vir pra casa - e entenda-se por casa o sul, a serra, esta terra que me pariu -, é sempre uma maratona. Um táxi, um avião, um aeromóvel, um trem, um busão e uma carona da rodoviária até a João Bisol depois quase cheguei ao abraço da dona Marlei cantando, "você não saber o quanto eu caminheeeeeei pra chegar até aquiii".

Seu Geraldo

"Mulher não morre de infarte", diz o taxista. "Não tem coração". E começa a me contar, num sotaque potiguar rasgado, a história da sua vida. Faz 80 anos mês que vem, é do interior do Rio Grande do Norte e desde os dez mora no Rio. Foi caminhoneiro a vida inteira, o táxi é uma diversão pra manter a cabeça "arejada". Comprou o caminhão com o dinheiro que juntou vendendo leite de porta em porta. "Antigamente madame não ia a botequim, pedia tudo em casa." Dirige só de manhã. Cruzou o país inteiro várias vezes. Ia carregando madeira de Erechim, no Rio Grande, a João Pessoa, e voltava com a carga que aparecesse. Casou cedo - a filha mais velha tem 60 anos e é engenheira aposentada da Petrobras -, porque antigamente "conseguir mulher era uma coisa muito difícil". "A gente tinha que ir pra zona, o "redevu". Pra você conseguir dar um beijo na boca, meu deus, era uma dificuldade. Passava um vento, a gente via um pouco mais que a canela das moças e  era um alvoroço. Que diferença pra hoje. Hoje as mulheres que cantam os rapazes." Acabou casando com uma colega de escola que conheceu aos 12 anos. Soube que queria namorá-la em um dia de calor, quando ela mexeu na manga da blusa e ele conseguiu ver os pelos do axila dela. "Naquele tempo mulher não raspava o sovaco e eu fiquei louco. Disse pra ela, 'Lúcia, mas você já ta mocinha!'". Pediu permissão pra levá-la ao cinema. Os pais não gostaram. Ameaçou fugir. "Avisei que se não deixassem eu ia roubar ela, e eu ia roubar mesmo!". A mãe convenceu a filha de que se ela deixasse ele encostar na mão dela que fosse a barriga dela ia crescer, e crescer e crescer sem parar. "Pior que nós dois acreditamos, às vezes eu esbarrava nela, e fica até com medo." Foram ter mais alguma intimidade mesmo só depois de casados mesmo, quando fizeram 20 anos. Seu Geraldo culpa o "estado geral da sociedade" às mulheres. "A mulherada revolucionou tudo. Virou o quadro. São mais inteligentes, mais tudo. Homem se tivesse que parir no primeiro filho já ia pra terra da canela junta." Filosofou sobre como o estresse toma conta das pessoas, assombrado por eu morar sozinha e sem medo por estar bandas. Desejou tudo de bom, suspirou pelo passado. "Ai que saudade daquele tempo, ai que saudade de Erechim. No fim todo mundo morre do coração, já que a gente só se vai quando ele para de bater."

30.3.14

O castelo de cartas das UPPs no Rio

Em tempos de ocupação policial do Complexo da Maré e frenesi por conta da proximidade da Copa do Mundo e dos ataques a Unidades de Polícia Pacificadora do Rio vale ler uma entrevista que publiquei ainda em janeiro, quando o caos desenhava. A Julita, que já foi diretora do sistema prisional do Rio, toca em vários pontos importantes e ajuda a gente entender o castelo de cartas em que se sustenta a política de segurança pública do estado.

Aquele esquema. Um trechinho da materia por aqui e o resto lá no site.

Socióloga: UPPs têm dificuldade de se sustentar em qualquer governo

Julita Lemgruber foi a primeira mulher a comandar o sistema penitenciário do Rio de Janeiro entre 1991 e 1994 e hoje é coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec) Foto: Daniel Ramalho / Terra
Julita Lemgruber foi a primeira mulher a comandar o sistema penitenciário do Rio de Janeiro entre 1991 e 1994 e hoje é coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec)
Foto: Daniel Ramalho / Terra
  • Paula Bianchi
    Direto do Rio de Janeiro
Os recentes confrontos nas regiões do Rio de Janeiro que já receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) e o descontentamento dos moradores, que teve seu ápice com o assassinato do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza por PMs da UPP da Rocinha em junho, levantam dúvidas sobre a perenidade do modelo, implementado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), que deixa o Palácio da Guanabara no final do mês. Se antes as UPPs eram vistas como ilhas de tranquilidade, agora casos de violências nas comunidades ocupadas são comuns. Apenas em fevereiro, uma policial militar morreu ao ser baleada na UPP do Parque Proletário, na zona norte da cidade, e o coordenador geral das UPPs, coronel Frederico Caldas, foi ferido ao ser surpreendido por um tiroteio na Rocinha no domingo.
Para a socióloga Julita Lemgruber, primeira mulher a comandar o sistema penitenciário do Rio de Janeiro entre 1991 e 1994 e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec), o modelo não tem como se sustentar no longo prazo. Ela define a política de segurança pública do Rio como “esquizofrênica” ao pregar o modelo de polícia de proximidade em parte do território e fechar os olhos para a violência e a letalidade dos agentes no resto do Estado. “Falamos da garotada lá no Flamengo que está querendo fazer justiça com as próprias mãos, mas o que a gente não vê é que eles estão replicando um modelo que o estado desenvolve no dia-a-dia.”
Terra - O modelo de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) se sustenta para além do governo Sérgio Cabral?
Julita - A UPPs têm dificuldades de se sustentar no longo prazo seja em que governo for. Mesmo que venha um governo que se proponha a dar continuidade ao programa, a modalidade de policiamento que as UPPs propõem implica em um número de policiais muito grande. Era mais fácil quando você só tinha meia dúzia. Todo o mecanismo de controle, tanto interno quanto externo, tinha mais chance de funcionar. Crescer nesse ritmo frenético - e estamos chegando a 40 UPPs, que é a meta até a Copa do Mundo -, é preocupante. A possibilidade de controlar a violência e a corrupção diminui muito. E é o que estamos vendo. O caso do Amarildo foi o mais emblemático, mas temos visto com frequência episódios envolvendo corrupção nessas unidades de polícia pacificadora.

27.3.14

Memórias encaixotadas

Hoje foi dia de arrumar parte da mudança ainda encaixotada. Antes de alguém lembrar que, oi, mudei no finzinho de novembro e já dá pra ouvir o abre alas de abril, deixa eu me defender esclarecendo que essas são as caixas dos papeis e memórias, aquelas que a gente faz bem em guardar, mas não precisa ter a mão all the time.
Entre contratos, guias de banco e bagunças diversas, sorriam os mapas de alguma das cidades que visitei no ano passado. Tava ali Roma e as suas praças, Paris e as pontes sobre o Sena, Berlim e as ruas que risquei a caneta ter percorrido de bicicleta. E ainda anotações e mapas de metrô de Praga, Budapeste, Amsterdam, Madri e Londres.
Exatamente hoje há um ano eu caminhava pelas ruas francesas sem entender direito o idioma, mas sorrindo à toa com a insistência da Torre Eifel em aparecer de surpresa ao longe a cada esquina. Que vida difícil essa da gente, picada pelo desejo de cruzar fronteiras além de nossas próprias esquinas.
Fico com saudade. Fico piegas.
E quem raios liberou a chegada do dia 27 de março aqui, pelamor?! Ontem não era janeiro?

26.3.14

Yes, we can consertar a fiação do chuveiro

Depois de passar duas semanas ignorando o chuveiro estragado e os banhos frios - o que não foi difícil. com o Rio 40 graus sambando janela afora, qualquer outra possibilidade configuraria insanidade -, acordei com a macaca, como descreveria o seu Paulo, e, armada de uma alicate emprestada da vizinha, arrumei o bichinho. É um pequeno, quase minúsculo, passo para a humanidade, mas um salto gigantesco para uma garota que mora só.
Dessa vez não foi a resistência - dois chuveiros queimados depois, já tô craque nisso, rá! -, mas a fiação que antecede o chuveiro que resolveu virar churrasquinho. Descasca dali, puxa daqui, encapa a bagaça toda e banho quente once again, senhores! Bem a tempo de fingir que os 25 graus de hoje servem de outono e ao preço de apenas um choquinho de leve no processo.

6.3.14

Quatro anos de histórias com sotaque chiado

E eis que agora me dou conta que hoje completo QUATRO anos nesse lugar lindo e maluco e lindo e encantador e lindo que é o Rio de Janeiro. Quem diria que a gente iria tão longe junto, sua safada?
Obrigada pelos amigos, pelo aprendizado, por esses dias todos em que chego em casa feliz da vida e cansada por conta das novas histórias para contar para os netos acumuladas e por acumular. Nunca vou me arrepender de ter escolhido passar os meus vinte e poucos anos por aqui. 

5.2.14

Entrevista com a urbanista Raquel Rolnik

Faz umas duas semanas tive a chance de entrevistar a urbanista e professora da USP Raquel Rolnik, relatora da ONU para o direito à moradia. A ideia era falar dos grandes eventos e do Rio. Acabou que rendeu um panorama bacana do que está sendo feito na cidade e no país. Sempre bom poder ampliar a discussão de temas importantes.

Aquela história. Segue um trechinho. A entrevista completa, aqui.



Copa no Brasil deixará ônus, e não legado, diz relatora da ONU

Para a urbanista Raquel Rolnik, o legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar para o País não será significativo




Relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada acredita que Copa não deixará legado significativo Foto: Marc Ferré/UN Photo  / Divulgação
Relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada acredita que Copa não deixará legado significativo
Foto: Marc Ferré/UN Photo / Divulgação
Paula Bianchi
Direto do Rio de Janeiro

Tidos pelo poder público como uma vitrine para o País e uma oportunidade de investimentos, os grandes eventos que serão realizados no Brasil acabaram servindo de estopim para uma série de reivindicações, que eclodiram nas agora conhecidas como jornadas de junho. Essas reivindicações seguem se desdobrando, causando dor de cabeça aos governantes e perplexidade aos estudiosos. No centro da questão, por sediar a final da Copa do Mundo e as Olimpíadas e fazer parte do imaginário estrangeiro do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro e os seus 6 milhões de habitantes servem de laboratório, e se veem entre as promessas de uma cidade melhor e a realidade caótica de má qualidade dos serviços públicos e obras aquém do anunciado.
Para a urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo e relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada, que acompanha de perto o processo desde 2009, a principal discussão que se coloca é o direito à cidade e a necessidade de se investir em uma cidade realmente para todos. "Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão publica essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida", afirma.
Terra: A cinco meses da Copa, que tipo de legado o evento deixa para a cidade do Rio de Janeiro?
Raquel Rolnik:
 O legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar não é significativo. Alguns projetos viários e de infraestrutura relacionados com os deslocamentos necessários para o evento, como BRTs, novas vias de ligação com os estádios e entre aeroportos e zonas hoteleiras e estádios, estão sendo feitos, mas essas não eram as prioridades de mobilidade. Não há outros legados do ponto de vista urbanístico que possam ser mencionados. Ações esperadas, como a despoluição da Baía de Guanabara e a melhoria das condições de saneamento gerais da cidade, não foram realizadas. Por outro lado, para a implantação desses projetos de infraestrutura foi necessário remover comunidades e assentamentos que se encontravam naqueles locais há décadas sem que uma alternativa adequada de moradia tenha sido oferecida. Para as pessoas diretamente atingidas, ao invés de um legado, a Copa deixa um ônus.

E o rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras

4.2.14

Teste Carolina Oms para conhecer as pessoas

Machado ou Guimarães
Chico ou Caetano
Comer ou dormir

“Não tem resposta certa. Serve pra gente situar a pessoa no mundo. Fora as pessoas que respondem Gil. Quem responde Gil tem problemas.”

Nas palavras da Carol, Guimarães = opção pelo lírico, pela confusão da vida, pelo belo e pelo difícil, já Machado = opção pela crítica, pela sagacidade, pelo humor.

O Chico e Caetano tem muito de gosto, mas seria um com uma obra mais redonda, romântica, perfeitinha, outro por uma opção mais criativa, errática, libertária. Usando a Rita Lee, Caetano é sexo, Chico é poesia.

Comer ou dormir é o mais obvio. Comer é a opção pelo prazer, dormir é a opção pelo descanso, pela preguiça

27.1.14

San Telmo, Buenos Aires, outubro de 2013

24.1.14

Rio de Janeiro sentimental

(Pôr-do-sol no Morro da Urca. Foto da Caroline Bianchi/Bianchi Jr)


O ano começou com a baby sister passando uma semana ao meu lado no novo ap e aquela saudadezinha do Rio que ataca a gente vez em quando, quando em vez, culpa da uma semana e pouco longe da cidade. Como Bianchi Jr é veterana em termos de Rio - está é a terceira vez que a moça passa por aqui -, pudemos, assim como em Buenos Aires, escapar dos roteiros tradicionais e passar a semana seguindo uma programação que gosto de chamar de "Rio de Janeiro sentimental", já que reúne quase todos os meus locais preferidos na cidade.

Então, caro leitor, se der a sorte de passar por essas bandas, eu te diria...

- Para ir à praia do Leme. Por mais que Ipanema e o Leblon façam a cabeça da galera, é naquele cantinho que de areia que me sinto mais a vontade. Porque o Leme tem a beleza de ser perto de tudo e ainda assim longe da muvuca, porque só vai ao Leme quem quer ir ao Leme, porque essa ponta da praia, além da pedra, que tem uma vista de algodão doce, consegue reunir o povo do asfalto e do morro e, de quebra, ainda ter preços mais camaradas das areias da zona sul.
.
Depois, é só subir a ladeira e almoçar uma feijoada de frutos no mar do Bar do Davi, logo ali, na favela Chapéu Mangueira, vizinha à praia.

- Para passar um fim de tarde na mureta da Urca, um dos bairros mais charmosos do Rio. Da mureta se vê, além da cidade, um dos pôres-do-sol mais gostosos dessas bandas, com direito a barquinhos no mar e Cristo no fundo. Acrescido de cerveja e pastel, então, é imbatível. Mas fique pelo primeiro bar, o Urca Grill, logo que começa o burburinho, onde a cerveja ainda não é tão cara nem a mureta tão pop quando no agora famoso Bar Urca. Depois é só caminhar na direção do mar até o ponto final dos ônibus no bairro, de onde você pode, então, retornar saudoso para casa.

- Ir à Pedra do Sal, lá na zona portuária, sambar numa segunda e, se o calendário bater e você der a sorte de passar aqui num primeiro fim de semana do mês, ouvir um jazz por lá no sabadão. O local se orgulha de ser um dos pontos em que o samba nasceu e eu não duvido. Independente disso é um cantinho muito especial que merece a visita, além de reunir ar livre e boa música.

- Trocar a praia por uma das cachoeiras do Horto. Nem precisa ter muita localização. É só pegar o 409 até o ponto final e subir a rua que leva ao Parque Nacional da Tijuca. Os guardinhas informam numa boa onde ficam as cachoeiras. Uma versão mais preguiçosa do passeio inclui ir de táxi até a Vista Chinesa, aquela mesma que aparece no começo do filme de animação Rio, e, de lá, descer caminhando até o primeiro burburinho, entrada de uma das cachoeiras.

- Passar uma noite bebendo sem culpa e sem hora marcada ali na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Em alguns sábados é possível até encontrar músicos tocando no coreto. Com carinha de interior a pracinha fica escondida perto do metrô Largo do Machado e ferve de segunda a segunda, ainda mais no verão. E ainda dá pra juntar a cerveja com pipoca, churras e todas essas gostosuras de praças - isso tanto às 19h quanto às 2h.

- Fechar o passeio com um pôr-do-sol no Morro da Urca, mas faze-lo a carioca: gastando zero tostões. É só subir a trilha que sai da pista Cláudio Coutinho, à esquerda da Praia Vermelha, na Urca, ali onde você pegaria o tradicional bondinho para o Pão de Açúcar. Como no verão o guardinha fecha o portão que liga o morro a trilha a volta é obrigatoriamente de bondinho e de graça.

Porque o Rio é uma dessas cidades para gente ser feliz e curtir, não marcar xizinho em ponto turístico. E olha que faltou o piquenique no Parque Lage, a volta de bicicleta pela lagoa e os pés-sujos de Botafogo...

Troféu diálogo surreal da semana

versão capacidade carioca de identificar sotaques

- Bom dia, esse ônibus vai pra Lapa? -, pergunto para o motorista de um ônibus x. Motora responde que não e um senhorzinho ao meu lado no ponto retruca.
- Hoje em dia a Lapa virou ponto turístico e todo mundo quer ir pra lá.
- Imagino que sim, mas vou a trabalho.
- Ah, é que você fica falando castelhano e a gente acha que é turista.
- Mas eu estava e estou falando em português.
- De que país você é?
- Brasil.

21.1.14

Para 2014

Faz uns meses rabisquei um desenho mega despretensioso baseado em uma conversa com uma amiga e no coração da moça, sempre levinho e aberto pro mundo, fotografei e mandei pra ela. E não é que ela e outra amiga pegaram o desenho e fizeram, de surpresa, a coisa mais meiga possível: o transformaram num cartão postal de boas novas pra esse ano recém chegado. Posto que o ano ainda cheira a novo, fica aí um desejo para 2014. 



A delicadeza é obra da Gabriela Voskelis e da Nanna Possa.

15.1.14

Mais 336

Ponho o pé no corredor para colocar o lixo para fora e cruzo com dona Ida, vizinha de porta, também com o lixo na mão. Me ofereço para levar o saquinho por ela; ela agradece.
“Obrigada por ajudar a velhinha”, sorri.
Sessenta e muitos, setenta e poucos?
“Você é mora aqui há pouco tempo?”, pergunta com um cigarro na mão esquerda e a porta aberta para uma quitinete milimetricamente organizada.
“Um mês e pouquinho.”
“Minha filha, você é casada?”, segue dona Ida.
“Não, sou solteira”, respondo, escolada em interrogatórios do gênero pela serra gaúcha.
“Eu sou solteirona”, ela retruca.
Silêncio. Já ia mudar de assunto, emendar alguma colocação sobre o prédio, a vista, ela continua.
“Mas tenho um namorado. A gente namora há 23 anos. Eu morava em São Paulo, ele aqui no Rio. Aposentei, comprei esse apartamento e me mudei. Dois velhos namorando”, sorri mais uma vez.
O táxi, sempre sem timing, resolve chegar na hora marcada. Tive que me despedir.
“Precisar de alguma coisa, é só falar. Você grita dai e eu grito daqui.”

Sorrio de volta e fecho a porta da minha quitinete, não tão milimetricamente organizada. Ah, essa minha cidade de interior em forma de edifício.

13.1.14

Argumento para uma futura história

Um casal de namorados, ébrio, tenta desligar um poste. Motivo: atrapalha apreciar as estrelas.

8.1.14

Deixa eu roubar mas um trecho, de um blog português com o nome mais português possível: escrever é triste. É epígrafe de um texto sobre a morte do jogador luso Eusébio. O texto, gostando ou não de futebol, também é muito bonito.

"O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste."

E é.

6.1.14

Um desejo para 2014

Escrever mais simples.

Sabe? Contar uma história contando, sem salamaleques desnecessários.

Ser capaz de tecer frases bonitas como, "Paciência: uns nascem para desentortar edifícios, outros para embrulhar o remorso numa folha de jornal", que roubei da última crônica do Antônio Prata na Folha.

A ver.