24.1.14

Rio de Janeiro sentimental

(Pôr-do-sol no Morro da Urca. Foto da Caroline Bianchi/Bianchi Jr)


O ano começou com a baby sister passando uma semana ao meu lado no novo ap e aquela saudadezinha do Rio que ataca a gente vez em quando, quando em vez, culpa da uma semana e pouco longe da cidade. Como Bianchi Jr é veterana em termos de Rio - está é a terceira vez que a moça passa por aqui -, pudemos, assim como em Buenos Aires, escapar dos roteiros tradicionais e passar a semana seguindo uma programação que gosto de chamar de "Rio de Janeiro sentimental", já que reúne quase todos os meus locais preferidos na cidade.

Então, caro leitor, se der a sorte de passar por essas bandas, eu te diria...

- Para ir à praia do Leme. Por mais que Ipanema e o Leblon façam a cabeça da galera, é naquele cantinho que de areia que me sinto mais a vontade. Porque o Leme tem a beleza de ser perto de tudo e ainda assim longe da muvuca, porque só vai ao Leme quem quer ir ao Leme, porque essa ponta da praia, além da pedra, que tem uma vista de algodão doce, consegue reunir o povo do asfalto e do morro e, de quebra, ainda ter preços mais camaradas das areias da zona sul.
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Depois, é só subir a ladeira e almoçar uma feijoada de frutos no mar do Bar do Davi, logo ali, na favela Chapéu Mangueira, vizinha à praia.

- Para passar um fim de tarde na mureta da Urca, um dos bairros mais charmosos do Rio. Da mureta se vê, além da cidade, um dos pôres-do-sol mais gostosos dessas bandas, com direito a barquinhos no mar e Cristo no fundo. Acrescido de cerveja e pastel, então, é imbatível. Mas fique pelo primeiro bar, o Urca Grill, logo que começa o burburinho, onde a cerveja ainda não é tão cara nem a mureta tão pop quando no agora famoso Bar Urca. Depois é só caminhar na direção do mar até o ponto final dos ônibus no bairro, de onde você pode, então, retornar saudoso para casa.

- Ir à Pedra do Sal, lá na zona portuária, sambar numa segunda e, se o calendário bater e você der a sorte de passar aqui num primeiro fim de semana do mês, ouvir um jazz por lá no sabadão. O local se orgulha de ser um dos pontos em que o samba nasceu e eu não duvido. Independente disso é um cantinho muito especial que merece a visita, além de reunir ar livre e boa música.

- Trocar a praia por uma das cachoeiras do Horto. Nem precisa ter muita localização. É só pegar o 409 até o ponto final e subir a rua que leva ao Parque Nacional da Tijuca. Os guardinhas informam numa boa onde ficam as cachoeiras. Uma versão mais preguiçosa do passeio inclui ir de táxi até a Vista Chinesa, aquela mesma que aparece no começo do filme de animação Rio, e, de lá, descer caminhando até o primeiro burburinho, entrada de uma das cachoeiras.

- Passar uma noite bebendo sem culpa e sem hora marcada ali na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Em alguns sábados é possível até encontrar músicos tocando no coreto. Com carinha de interior a pracinha fica escondida perto do metrô Largo do Machado e ferve de segunda a segunda, ainda mais no verão. E ainda dá pra juntar a cerveja com pipoca, churras e todas essas gostosuras de praças - isso tanto às 19h quanto às 2h.

- Fechar o passeio com um pôr-do-sol no Morro da Urca, mas faze-lo a carioca: gastando zero tostões. É só subir a trilha que sai da pista Cláudio Coutinho, à esquerda da Praia Vermelha, na Urca, ali onde você pegaria o tradicional bondinho para o Pão de Açúcar. Como no verão o guardinha fecha o portão que liga o morro a trilha a volta é obrigatoriamente de bondinho e de graça.

Porque o Rio é uma dessas cidades para gente ser feliz e curtir, não marcar xizinho em ponto turístico. E olha que faltou o piquenique no Parque Lage, a volta de bicicleta pela lagoa e os pés-sujos de Botafogo...

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