11.5.14

A/C dona Marlei

Desculpa, mãe. Passei o dia quebrando a cabeça e pensando qual seria a mensagem bonita que eu iria escrever, como a senhora me encomendou – trabalhar com palavras tem dessas coisas, qualquer dois parágrafos vem acompanhados de expectativa –, e não consegui ir além do brega sentimental tão característicos dos segundos domingos de maio. Me peguei pensando aqui, na lonjura dessa terra sem churrasco e frio no dia das mães, como é trabalhoso esse negócio. Tu coloca um mini-humano no mundo, dá comida, vê crescer, acompanha cada gripe, cada desafio às leis da gravidade – o que no meu caso foi uma constante, do tentar voar pulando da sacada ao cair de um carro em movimento, isso para não mencionar os tombos dia sim dia também -, pra um belo dia ele avisar que quer morar a dois mil quilometros de distância. Que duro deve ser perceber que aquele tiquinho de gente que um dia tu carregou no colo de repente tem vontade própria e já não acha o quintal de casa mundo o bastante. E quanta generosidade envolve não apenas aceitar essas vontades como apoiá-las, incentivá-las e lembrar sempre que não importa o que aconteça os teus braço ainda guardam um abraço quentinho e o mesmo colo daqueles tempos pré-futuro, em que tudo era infância, choro e mamadeira. Todo mundo vai dizer hoje que tem a melhor mãe do mundo – vá lá, tá liberado e a data permite -,mas só eu e a Caro temos você. E, amigos, igual a dona Marlei não existe. Te amo. E desculpa também por todo o trabalho dos últimos 26 anos e pela maldade de ter passado mais esse domingo longe.

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