30.6.14

Ligo para Bianchi Jr. Passamos meia hora tricotando sobre pequenezas cotidianas; aluguel, contratos do escritório, clientes, folgas e a falta delas.
"Difícil esse negócio de ser adulto, ein?"
"E como."

26.6.14

"Pobre de quem finca raízes em dois lugares: sofre duas vezes."
Pablo Neruda

25.6.14

O outro lado da Copa: famílias expulsas de prédio ocupado esperam em barracas de camping por uma solução

Entre uma pauta e outra da Copa tenho conseguido sentar e contar boas histórias, algumas mais tristes do que eu gostaria. Caso da galera que ocupava o antigo terreno da Telerj. Eles saíram de lá a base de porrada da PM, foram para a frente da Prefeitura, depois da catedral e hoje aguardam uma solução num terreno de uma igreja esquecida na zona norte da cidade.
Aquele esquema, um trecho do texto aqui, o resto no site. As fotos são do grande Mauro Pimentel, parceiro de pautas boas e roubadas Rio de Janeiro a fora.


(Foto: Mauro Pimentel)

"Por que torcer por um país que não se lembra da gente?”, questiona Túria de Souza, de 57 anos. Pouco mais de uma hora antes do início da partida do Brasil contra Camarões, realizada nesta segunda-feira, ela retirava as roupas secas de um varal improvisado nos fundos da Igreja Nossa Senhora do Loreto, na zona norte do Rio, a cerca de um quilômetro do aeroporto internacional do Galeão. No quintal, vazio e sem enfeites, quase não havia sinal da Copa que convulsiona o País desde o dia 12 de junho.

Túria vive em um galpão ao lado da igreja junto a outras cerca de 300 pessoas desde o começo de maio. Antes disso, acampou com eles em frente à Prefeitura do Rio e à Catedral Metropolitana da cidade. O grupo é remanescente das mais de cinco mil pessoas que invadiram, ainda em março, um prédio abandonado da antiga Telerj (empresa de telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro).

O caso ganhou os jornais no dia 11 de abril, quando os moradores foram removidos com violência pela Polícia Militar, que executava a reintegração de posse do terreno. Muitos perderam os bens e documentos. Houve feridos e as cenas do confronto ganharam atenção mundial.

No local, reformado no ano passado para receber os peregrinos da Jornada Mundial da Juventude, os moradores se dividem em barracas de camping compradas pelos freis e organizadas em ruas. Há três banheiros masculinos e três banheiros femininos, com três duchas cada um e a alimentação é fornecida pela igreja, que recebe e distribui as doações.

Texto completo, aqui.

23.6.14

Um gosto de sol

Tenho a mania de ouvir em looping músicas que gosto. Geralmente, calha de uma canção me tocar por um motivo que nem sempre consigo entender e fico nessa, ouvindo, ouvindo e ouvindo de novo. Tenho a impressão que daqui a pouco o laptop vai me responder de volta e mandar mudar o disco quando der play mais uma vez nesse gosto de sol do Milton no Clube da Esquina.

16.6.14

Um verbo

Seguindo meu caso de amor com a língua portuguesa, mais um verbo que acarinha o ouvido e aquece o coração: alentar. Nos diz o Houaiss:

verbo ( sXV)
1 t.d. ) dar alento a; animar, encorajar
    ‹ as palavras do outro alentaram-no ›
2 int. ) tomar alento; respirar, arfar
    ‹ o animal alentava com visível esforço ›
3 t.d. ) fig. tornar mais forte, mais vigoroso; alimentar, nutrir
    ‹ o adubo, enriquecido, alentava a planta › ‹ um sonho de sucesso alentava seu espírito ›
4 pron. ) tornar-se excitado; reanimar-se
    ‹ suas pulsações alentaram-se ›
5 pron. ) tomar fôlego, alento
    ‹ parou para respirar e alentar-se ›
Etimologia

lat.vulg. *alēnitāre < *anhēlitāre, este do lat. anhelāre 'respirar com dificuldade, estar ofegante, estar esbaforido; exalar vapores, estar em chamas; exalar, respirar', prov. pelo esp. alentar (1490); ver anel-
Sinônímia e Variantes

ver sinonímia de estimular e nutrir
Antonímia

desnutrir; ver tb. antonímia de estimular
Homonímia

alento(1ªp.s.)/ alento(s.m.)


Ele parece passar o significado já pelo som, como se ninasse que o escuta. A-len-tar. A-len-to. Um bom verbo pro começo do inverno, para os dias de caos e trabalho que se avizinham.

7.6.14

O sol se poe sobre a mui valorosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O que dirão de nós quando já não estivemos perambulando por estas ruas? Mais uma entre tantas umas e uns que esse Rio de cartão postal e braços abertos até a página dois atraiu?
Fez, faz sol, foi um dia bonito. O ocaso é rosado. A lua brilha um pouco por vez. Faz calor ou será apenas a vitamina D da pedalada pelo aterro se espalhando? A noite faz mil promessas de fim de semana. A segunda acena, tímida. É sábado, quem lembra dela.
Converso com o teto; ele se nega a responder. Sabe tanto quanto eu, o pobre, talvez mais, mas silencia. O rádio toca música certa após música certa e ameaça ter feito a seleção pensando em mim.
Ah, quem me dera não ter nascido sobre o signo da ansiedade.
Sobreviveremos todos.