30.8.14

Chega o natal, mas não chega setembro.

21.8.14

A valsa do afeto e da dor

Não me deixem sozinha em casa com tempo livre. Corro o risco de cometer textos.

Com carinho, para A. e V. Que seja doce, já dizia Caio F.


A valsa do afeto e da dor


Eles se encontraram pela primeira vez no Rio. Obra do acaso e de amigos que achavam que os dois, mineiros exilados, se dariam bem. Se deram melhor e a história, que poderia ter começado e terminado com a fogueira da festa junina que embalava a noite, foi além.

A segunda vez foi a vez de SP ser o pano de fundo do encontro, já não tão casual. Ela cheia de expectativas, mestrado fora, passagens compradas pra breve, recém curada de um desamor comprido; ele tímido,desacostumado que estava de ter alguém o querendo também. Os dois amaciados pelo afeto que crescia sem pedir licença. Se apaixonaram ali, talvez?

A terceira foi na Espanha. Ferias dele, intervalo das aulas dela. Tudo lindo até ela ve-lo, uma vez mais, fazendo as malas. "presença a gente não leva de baixo do braço, nem tem como guardar pra aquecer o inverno", pensou, sofrendo a partida desde a hora em que ele chegou e azedando os dias.

Da quarta vez, em Bruxelas, quase nem se viram. Valia a pena mesmo seguir sem certeza de final feliz? Acabaram se encontrando, se amando, imaginando um futuro que de distante passou a vizinho e já ensaiava bater na porta.

Quinta vez, quinta cidade.Sonharam de olhos abertos, já não haveria com o que se preocupar e tudo correria doce. Berlim tentou sorrir, não foi o bastante. O que era para ser brisa leve, virou tornado. Amor quebrado, repetia ela. Amor no começo, insistia ele. Choraram, velando a história que ainda não tinha nascido. Se despediram, doídos, para nunca mais.

Na sexta vez, Rio de novo. Sem planos, sem oceanos, mais uma vez o acaso e os amigos. Ele barbudo; ela de cabelos curtos. Ele seguro, ela claudicante. Ao se ver, sorriram.

Sentaram para conversar na beira da praia. Dois mineiros sós. Mineiros sem mar. Maltratados que estavam depois de tantas estradas tortas, era difícil esquecer as malas de poréns guardados. Quando perceberam já ensaiavam dançar uma vez mais a valsa do afeto e da dor. Se apaixonariam de novo ali, talvez?

19.8.14

Quarta-feira 13

Gosto de pensar a vida em ciclos. Nesta última quarta-feira, 13 de agosto, encerrou-se mais um, agora de megaportal. Pois é, vocês devem estar pensando. Então eu aporrinhei vocês para clicar naquelas materias todas à toa?
Vai-se o job, ficam os amigos e as lembranças das materias bacanas e das frias homéricas e a experiência adquirida nesse tempo de casa. "Ao infinito e além!", já diria o Buzz Lighyer,

5.8.14

Diálogos - versão caixa de banco de feliz

Aproveito o intervalo do almoço para ir ao banco perto do trabalho resolver as pendências cotidianas de começo do mês. Pego a senha, porta-giratória, tira as chaves, pega as chaves, senta, levanta, caixa.
- Boa tarde, eu gostaria de fazer uma transferência para outro banco.
- Ahh, vamos fazer um ursinho Ted!
- Não é um ursinho, é o meu aluguel.
Ao menos o dia 5 não acabou com o bom humor do amigo caixa.

4.8.14

'Meu filho, todo mundo é diferente'

Neste domingo de plantão conversei com a Maristhela e o filho dela, o João Pedro. Ele tem 8 anos, 1,62 metro de altura e calça 41. À primeira vista, parece um pré-adolescente e em breve deve ultrapassar a mãe, de 37 anos e 1,72 metro de altura. O menino tem a síndrome de Marfan, uma doença rara que afeta o tecido ósseo, o sistema conjuntivo e o coração. No futuro, dizem os médicos, ele pode chegar a 2,50 metros. À parte toda a dificuldade inerente a condição do João Pedro, me tocou a forma como a Maristhela o ensina e encarar a vida. 
“A nossa preocupação é que ele tenha qualidade de vida, cresça com uma cabeça boa”, diz a mãe. “Sempre falo para ele, ‘meu filho, todo mundo é diferente’.” 
Somos todos, Maristhela. Somos todos.

A materia, lá tu encontra lá no megaportal. Cliques e tal.

1.8.14

Pequeno conto sobre ser adulto e só na metrópole

Moça mora sozinha. Moça chega em casa perto da meia noite, abre a porta e encontra dois morcegos voando em círculos na sala. Moça pega vassoura, espanta morcegos, fecha a janela e limpa o apartamento todo com alvejante. Antes dormir, moça benze apartamento e planeja queimar um incenso pela manhã, just in case. “Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay.”


Ser adulto é expulsar os próprios morcegos.