26.11.14

Me disseram, numa viagem bonita a mineira Belo Horizonte, que dançar é poesia; caminhar, prosa. Divido a beleza dessa imagem com vocês.

25.11.14

27

Olho para o lado. A mesa cheia de post its, com rabiscos de lembranças de pautas a picuinhas do dia a dia e até desenhos. Pela janela, um pôr-do-sol no finzinho atravessa os vãos entre os prédios vizinhos à Academia Brasileira de Letras no centro do Rio. Suspiro. Essa é a minha vida.
Há um ano atrás, suspirava em frente a outra mesa, com outra vista, outros post its (maluca dos post its, diria meu então colega Mauro), também no centro do Rio.
Sonhei mil destinos, mil viagens, mil vidas distintas. Cadê a África, a Índia, as materias que me levariam longe e por terras ainda não pisadas pelo Oriente Médio? Cinco anos suspirando por redações cariocas - e ainda sem saber falar italiano, nem tocar violão, como faz questão de lembrar o 2015 que se aproxima.
Tenho sobre as costas 27 anos neste planeta. O 27, ao contrário dos outros 20 e tantos que vieram antes, pesa, bafeja, pergunta. "E então, o que fizemos até aqui?". Suspiramos e sonhamos, 27, suspiramos e sonhamos.

24.11.14

Vida longa ao 336

Essa semana completo um ano no querido 336, que faz às vezes de prédio, mas trata-se mesmo de uma cidade de interior encravada em plena zona sul do Rio de Janeiro. Já faz um tempo, a nossa espiã no IBGE, Carol Maia, me mandou os dados do Censo 2010 do prédio, que calha de ter mais de 700 apartamentos e obriga não um, mas dois recenseadores a passarem por lá a cada nova pesquisa.
Fosse uma cidade de fato, o 336 e os seus 1.226 moradores seriam o 9º menor município do país - maior que a paulista Borá e a mineira Serra da Saudade, que encabeçam a lista com seus nomes de poema. Grande o suficiente também para ter dez habitantes a mais que André da Rocha, menor cidade do Rio Grande do Sul, ao menos em 2010.
O simpático Favelão, nome conquistado na época em que era figurinha fácil nos boletins de ocorrência da região por ter até uma boca de fumo entre seus escuros corredores, consegue ainda ser mais diverso que muitos bairros do Rio. Tem, nos fofoca o IBGE, um morador índigena e dois chineses. E, como o Brasil e diferente da zona sul carioca, é boa parte negro e pardo.
Vida longa ao 336.
2015 se aproxima e ainda não aprendi nem a tocar violão, nem a falar italiano. Nada como promessas de ano novo que já se renovam automaticamente.

17.11.14

Azar rodoviário

Existe uma loteria informal nas viagens de ônibus interestaduais. O grande prêmio é a janelinha com o banco ao lado vazio, ônibus relativamente silencioso, viagem tranquila - a quem discorde e acrescente, talvez, uma boa companhia a lado, mas não varia muito disso. Se não a pior situação possível, mas top 10, encontra-se a minha última experiência. Criança de colo no banco da frente, criança de colo no banco de trás, criança abaixo de dez anos no banco ao lado, adolescentes em chamas ao longo do ônibus, luzinha azul neon eterna madrugada adentro (medo das pessoas ficarem com medo de escuro e se abraçarem, será?). Acho que com o carma que ganhei nessas sete horas entre BH e o Rio tenho direito a uns bons cinco anos de solidão rodoviária.

5.11.14

Equador da vida

Fico sempre pensando quando será o equador da vida, essa data X em que passamos a caminhar mais pra perto do fim que do começo. Fios brancos, faz pouco, passaram a aparecer entre os meus cabelos, alguma coisa louros por conta do sol do Rio de Janeiro. Talvez não os tivesse reparado antes, talvez 2014 seja um desses anos em que a gente se percebe, a olhos vistos, envelhecendo. 2015, amigo, o que será de nós?

4.11.14

Pequenezas do cotidiano na redação

Converso com um assessor e comento que a firma, tem sim, sucursal no Rio, há dois anos já. Ele pede o e-mail, passo o da chefe. Ele, para variar, pede para soletrar (ter nome difícil é pré-requisito para trabalhar aqui, parece). Começo, no automático. "V, de vaca..." Ri o assessor, ri a chefe, que senta na minha frente, rio eu, que, apesar do ato falho, não costumo associá-la a nenhum ser quadrúpede. "V de vassoura, tento contornar", nem assim. Culpa do V, não minha (e menos ainda da chefe, que é V de verde de agora em diante).

3.11.14

"Quem és? Perguntei ao desejo.
                Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada."

Hilda Hist