8.1.15

Cenas cariocas - versão verão no Rio

Tem dias que a pauta é madrasta - quem nunca deu plantão em delegacia e perdeu almoço e janta esperando fonte que atire a primeira pedra. Tem dias que ela é mãe, te pega no colo e ainda coloca para ninar, como quando a empresa te paga para ir à praia, tomar mate e comer biscoito Globo. E tem dias que o Rio faz questão de te contradizer só pra lembrar que previsível é tudo que esta cidade não é.

Posto minhas feições e sotaque deverás carioca, o plano era pagar de turista, gastar o inglês e checar a famosa inflação à beira mar de verão enquanto a colega Taís Vilela, mais escolada em chiados, negociava em carioquês. Devidamente uniformizadas e com uns bons quilos de protetor solar neste sol de desmaiar Batista, partimos pra luta. 

Hello daqui, mimica dali, sento com minha cadeirinha e guarda-sol a R$ 17, fornecidos pelo amigo Duck, que fez questão de imitar o Pato Donalds quando perguntei mais uma vez seu nome. Descobri depois pela comanda que o moço chamava, na verdade, Pato Rouco, e respeitei ainda mais a imitação.

A mineira Taís, mais de 20 anos de Rio de Janeiro e uns bons verões nas costas, me seguiu. Mesma barraca, atendente diferente. Qual não foi a nossa surpresa quando o moço decretou que cobraria R$ 19 pelo mesmo kit!


Ao reclamar, “como assim mermão, tá dando desconto pra gringo e discriminando carioca”, ouviu de Duck/Pato Rouco, meu novo melhor-amigo-de-infância-conhecido-horas atrás, que passava por perto, a seguinte explicação:


- É que ela pega barraca comigo aqui todos os dias. 


Então quer dizer que esse tempo todo pra conseguir um desconto tudo o que eu deveria ter feito era falar inglês e sorrir constrangida fingindo não entender o que o barraqueiro dizia???


Rio, cidade safada, siga sempre sendo você, plis.