27.2.15

“Não é nada pessoal, mas abaixe as pernas”

Sobre os machismos cotidianos.

Aconteceu no começo da semana no centro do Rio, mas podia ter sido em qualquer outro lugar. Estava sentada com uma amiga em uma padaria em frente ao trabalho, matando os últimos minutos do horário de almoço. À minha frente, Vanessa e seu suco de laranja, a mesa, dessas de madeira, de abrir, a cadeira e ainda a cadeira ao lado dela, já que ocupávamos uma mesa de quatro lugares. Apesar de ser fã da postura ‘criança de 8 anos’ e estar com frequência sentada sob um dos pés, neste momento os apoiava na barra da mesa. Vestido passando um pouco o joelho, concentrada na conversa, aproveitava a sombra da marquise e o resto de brisa que sobrevivia aos 40º do verão carioca. Um cara de camisa e calça social se aproximou, abaixou para falar comigo – achei que fosse pedir informação --, e disparou: “Não é nada pessoal, mas abaixe as pernas.” Saiu quase correndo, deixando eu e Vanessa sem reação. Pensei em uns bons palavrões para dirigir ao moço, Vanessa também, todos depois dele ter passado, mas o que mais me pegou foi a necessidade desse total desconhecido, pelo seu caminho de homem apressado e engomado no Rio, precisar vir ali, me colocar no meu lugar, me lembrar da ofensividade das minhas pernas entreabertas por baixo de uma mesa. Acho que não é nada pessoal mesmo. Ao menos não comigo. “Abaixe as pernas, feche as pernas, cruze as pernas, ai meu deus vai que essas pernas ai me distraiam, o que os outros vão pensar.” A homarada toda de perna aberta, arejando as partes, não ofende ninguém, já pernas de mulher, God. Amigo, já vai meio tarde, mas faltou te dizer. Você é um babaca e eu abaixo as minhas pernas quando e se eu quiser. 

25.2.15

Dona Marlei 65 verões

Ligo pra casa pela segunda vez para dar parabéns a dona Marlei pelos seus 65 verões, a moça ainda não voltou da sua série de compromissos matinais. Seu Paulo, revoltado com a posição de secretário da aniversariante, responde. "Tua mãe anda muito arrueira, tô ficando nervoso aqui. Tem um monte de gente ligando para falar com ela e nada dela chegar, hoje é dia de ficar em casa!". 

21.2.15

Mistérios da meia noite do 336

Faz um tempo trouxe da grande Caxias do Sul uma mudinha de Espada de São Jorge. Dei afeto, sol, água e a bichinha cresceu. Ganhou um vaso, folhas novas e, enfim, o direito de ir morar do lado direito da soleira da porta, no corredor. Eis que ao chegar em casa nesta madrugada encontro a minha plantinha acompanhada. Junto com ela, no vaso, um pequeno pé de boldo havia sido recém plantado. Fiquei dividida entre achar a ação simpática, invasiva ou uma indireta. Na dúvida, reguei minha horta comunitária e fui deitar. É sempre bom ter uma fonte de chá de boldo por perto.

*Atualização. Aparentemente, a guarda é compartilhada. Cheguei em casa ontem e haviam regado o vaso.

20.2.15

Já que o carnaval dobrou a esquina

Mas temperou tão bem esse começo de ano... Sobraram cinzas e a memória para nos acalentar até o Carnaval que vem.




11.2.15

Cato pulgas em matérias passadas para ver se sobra algo digno de portfólio. Meu Alah, que cidade maluca é o Rio. Tem de PM dizendo que gosta do "som de guerra"e batendo em colega a banheiros do papa num bairro esquecido pelo boss do Francisco. E dona Maria. Muita dona Maria. Que bonita é essa vida que passa desapercebida no noticiário e brilha cheia de vigor e histórias em cada esquina.

5.2.15

Aos grilos


(fruto de uma fase, "e não é que Erasmo Carlos é legal?")