23.3.15

Girassol



Tenho andado esses dias com uma vontade imensa de desenhar. Culpo uma caneta bacana que encontrei outro dia em uma papelaria, dessas de ponta macia e efeito sequinho, que dá uma cara de impresso a qualquer rabisco. Segue um girassol inspirado no presente de uma amiga que mora em SP e deu um pulinho no Rio, deixando para trás essa delicadeza. Vão os amigos, ficam as flores, memórias e desenhos.

11.3.15

Bia

Umas duas ou três pessoas no mundo me chamam de Bianca - que calha de ser o meu segundo nome, coisa do seu Paulo, fã de aliterações. Uma delas, seu Zé, porteiro lá do prédio. Na primeira vez que o ouvi gritando Biaaaanca enquanto eu corria para pegar o elevador, ignorei. Ao chegar ao oitavo andar e dar com a cara na porta - Naiara estava de visita e havia deixado a chave na portaria -, suspeitei que talvez fosse comigo. Com o tempo acostumei e perdemos a formalidade. De Bianca passei a ouvir a cada 'boa noite, seu Zé', um 'boa noite, Bia'. Outro dia resolvi perguntar. “Seu Zé, o senhor sabe que todo mundo me chama de Paula, né?”. Ele desculpou-se. “É que a minha filha se chama Bianca.” 

10.3.15

Marias

Antes tarde do que mais tarde, seguem dois trechinhos de entrevistas que fiz com duas destas tantas Marias que nos lembram a importância de seguir lutando rumo a um mundinho menos desigual neste dia 8.

A desembargadora Maria Berenice Dias, que comenta de tudo um pouco e lembra a dureza pré Maria da Penha:

"Sempre foi muito barato bater em mulher", diz, ao lembrar os tempos pré-Maria da Penha. "Esses casos ficavam diluídos no juizado especial ao lado de crimes de pequeno potencial ofensivo, briga com vizinho, roubo de bicicleta, virava cesta básica."

E a Maria Clara Araújo, que aos 18 já é uma das expoentes do transfeminismo e briga para poder ser apenas Maria.

"Ser mulher e mulher trans no brasil é viver de penalizações", diz Maria Clara, ao lembrar que o Brasil é o país que mais mata mulheres transexuais no mundo.

Aquele esquema, entrevistas completas, bonitas e com fotos aí nos links.


E que 2016 venha cm mais motivos a comemorar.

9.3.15

Sobre a dor

Cruzo com um senhor no elevador. Barba branca, cabelos compridos ralos e um proibido estacionar tatuado do lado esquerdo do peito. "Foi muito difícil? ", pergunto. Ele sorri. "Foi."

3.3.15

Rios de Janeiro

Favela McLaren, uma das favelas que compõem o Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro.