6.4.15

Alemão, Maré e a "esperança entre aspas"

Tenho pensado muito na nossa indignação seletiva. E se aquele guri do Alemão assassinado por um PM no meio da tarde tivesse morrido em Ipanema, não teríamos agora uma nação comovida? E se fosse o Leblon que estivesse sobre uma GLO (Garantia de Lei e Ordem), com militares carregando fuzis e tanques passando para cima e para baixo all day, ainda acharíamos isso normal?

Segue um trecho de um texto publicado no site do trampo já há alguns dias sobre como os moradores da Maré vêem esse Estado de Sítio em que vivem e a (des)esperança que acompanha a chegada de uma Unidade de Polícia Pacificadora.

As donas Marias que calam cotidianamente as violências que a gente nem sonha existirem ali depois da curva, do túnel, do que passa no telejornal.

Sai Exército, vem UPP: após ano violento Maré tem "esperança entre aspas"

Maria*, 65, vive há 45 anos no Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. Quando se mudou, a área, até então à beira da Baía de Guanabara, era repleta de casas sobre palafitas e ainda pouco urbanizada. Com o tempo, o conjunto de favela e a região cresceram –hoje, cerca de 130 mil pessoas se dividem entre 16 comunidades. O mar deu lugar a um aterro e o local em que ela morava, antes tranquilo, ganhou o apelido de "Faixa de Gaza", por representar o ponto simbólico da divisão entre as favelas Nova Holanda e Baixa do Sapateiro e também entre as áreas dominadas pelas facções Comando Vermelho e Terceiro Comando.
A chegada do Exército ao conjunto de favelas, que completa um ano no dia 5 de abril, no entanto, não foi suficiente para mudar a rotina de violência a que ela e os vizinhos acabaram por se acostumar. A região guarda nas paredes a memória dos inúmeros confrontos que presenciou. Não há uma casa sem marcas de tiros na fachada. Maria não é exceção: em sua sala, há quatro buracos feitos por tiros de fuzil cobertos por reboco, contrastando com a parede vermelha. Em dúvida quanto ao futuro da comunidade, Maria preferiu manter os buracos sem tinta.
(o resto da matéria segue lá no UOL.)

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