31.5.15

Sobre o domingo na casa nova

(Aquela cabecinha ali é a da quarta moradora, Kafi, que observa a manhã a passar preguiçosa)

29.5.15

E assim chegamos ao 12º dia da semana

A sexta-feira depois do plantão, a sexta ao quadrado, o 12º dia da semana.


Sobreviveremos. I hope.

27.5.15

Decisões

Depois de muito quebrar a cabeça, decidi mudar de ares começando pelo meu apê (eu sei, eu sei. E a parede branca? Talvez fosse preciso mais do que isso). Abandonarei o cafofo onde fui, quase sempre, muito feliz no último ano e meio em prol de um apê grandão com varanda e piscina com amigos.
Sempre quis morar solita, então foi meio difícil desapegar dessa ideia, mas percebi que já não estava curtindo tanto o meu espaço como no começo. Talvez quitinetes sejam lugares para bacanas para se viver, só venham com um prazo de validade embutido.
Nessas de decidir Bianchi Jr. me fez chegar a uma conclusão importante: a gente tem o direito de sonhar com algo e mudar de ideia. Simples assim.
Às vezes, a gente toma uma decisão e ela acaba tomando a gente também. Nessas horas, para não surtar, é sempre bom lembrar que poucas coisas são definitivas. Que o diga o meu em breve antigo lar.

26.5.15

A água grátis de Itatiaia

Em tempos de estiagem e possível falta d'agua, os moradores da pequena Itatiaia, na serra fluminense, sambam na cara da sociedade. Lá a água não apenas corre marota por todos os cantos da cidade, como chega de graça às torneiras da população. Tem até quem diga que "desperdiça conscientemente" e uma fonte, FONTE, dentro de uma farmácia!

Conheça a cidade no Rio onde a água é de graça há 26 anos


Às margens do rio Paraíba do Sul e vizinha à Serra da Mantiqueira, na região serrana fluminense, a pequena Itatiaia e seus cerca de 30 mil moradores vivem uma situação única: enquanto São PauloRio de Janeiro e outras cidades da região Sudeste sofrem com a crise hídrica, lá a água não apenas é abundante como gratuita.
O município é abastecido por diversos rios e nascentes localizados, em sua maioria, no Parque Nacional do Itatiaia e, desde a sua emancipação, em 1989, aboliu os hidrômetros. A água, distribuída pela prefeitura, recebe apenas cloro antes de chegar até a torneira dos moradores.
Pela cidade é comum cruzar com cenas de desperdício: moradores lavando a calçada com mangueiras, lava-rápidos despreocupados em economizar e até uma fonte instalada dentro de uma farmácia.
Matéria inteira, aqui

25.5.15

Sobre se ler

Por motivos de plantão de domingo tranquilo, me peguei lendo posts antigos aqui do Palim. Quando vi, lá estava eu em 2008, rememorando as reflexões daquele quarto ano de faculdade ou mesmo acompanhando o meu deslumbramento com a, então, ainda desconhecida Porto Alegre em 2005. Tem uma coisa maluca nisso da gente se ler retroativamente. Além dos momentos de concordância e vergonha alheia – quem nunca -, tem umas horas em que tu não te reconhece no texto. Ou, como me aconteceu muito, te reconhece, mas já não lembra de ter escrito/sentido aquilo. Daí tu vira, de fato, leitor de si mesmo. Dialogando com um passado, mas também com o autor, como a gente faz quando lê qualquer coisa de outra pessoa.  

24.5.15

Ainda

(atualizando a descrição de perfil do meu muy estimado primeiro bloguinho, escrita em 2002, 2003? e reescrita em 2008)

Sigo gostando de cinema com pipoca, pizza e chocolate branco, mas acrescentaria uma COMIDA JAPONESA em letras garrafais a lista. Troquei a TV pelos seriados e filmes online, dificilmente durmo até mais que 10h, quiçá meio dia, e nem lembro qual foi a última festa que me animou a ponto de voltar para casa apenas de manhã (Paula de 16, dormir em bares com amigos tornou-se, com os anos, parte das tuas especialidades). Por força da rotina, leio menos do que gostaria, mas sigo me sentindo como uma criança presa em um supermercado à noite em uma livraria/biblioteca, e escrever passou a ser também uma paixão. A nossa biblioteca, por sinal, tá cada vez mais gorda, acho que tu ia gostar de ver/ler. Já nem sei se, vergonha, ainda sei jogar vôlei, não cumpri o nosso trato e parei de nadar, mas sigo pedalando mais e sempre. Viajei bastante por aí, tu ficaria orgulhosa, e, se as férias permitirem, em setembro coloco a mochila nas costas e risco mais um país da lista. No mais, como já lembrou a Paula de 21, faltou passar tempo com os amigos e fazer filosofias infinitas de botequim noite. Talvez tu estranhe, mas já não acho estudar ruim. Tenho curtido bastante, inclusive. Isso vale também para o frio, acordar cedo, reprises, verduras, reuniões em família e até para a tal da solidão. Com o tempo e o verão eterno do Rio a gente percebe que algum inverno e recolhimento é importante pra alma, mas, realmente, lavar louça e pneus e bolas furadas seguem sendo difíceis de encarar. A gente também tem caído menos, ao mens literalmente, ou aprendido a conviver com os tombos, quem é que sabe? 

23.5.15

Grenal na areia

Chego em Ipanema com Camila. Dois barraqueiros vêm, ao mesmo tempo, nos oferecer cadeiras – um, de uma barraca com a bandeira do Grêmio, outro, bandeira do Inter. Digo pro tricolor oferecer a cadeira para a gremista Camila que, caso eu precisasse de algo, falaria com o amigo colorado. Resolvido o grenal na areia. 

22.5.15

Genética

Maluca essa coisa de genética, né? Ver nos outros características que nos parecem tão nossas. Acho que é por isso que as pessoas piram tanto na ideia de ter filhos. De certa forma, é o que nos aproxima da imortalidade. Passar adiante um pouco da gente. No meu caso, tenho os pés, as sobrancelhas e, agora descobri, a mordida cruzada do meu pai. Valeu, seu Paulo.

20.5.15

O presente da Judite

Uma amigona, a Judite, sofreu um acidente muito feio ao atravessar a rua em Porto Alegre. Não se lembra direito do que aconteceu, só de acordar no hospital após a pancada com um bando de ossos quebrados. Depois de uns dois meses acamada, ela agora está reaprendendo, pouco a pouco, aquelas coisas que a gente vê como tão naturais que dá por inatas, como caminhar. Nesta terça, foi o aniversário de 29 anos dela que sempre curtiu tanto reunir os amigos e festejar. Ao invés de se lamentar, ela chamou o povo para um “presente coletivo”.
Achei tão, tão bonito, que me deu vontade de compartilhar com o mundo. Roubo um trechinho do convite que ela nos escreveu, batizado de Retorno de Saturno. Dizem os astrólogos que 29 anos é o tempo que Saturno leva para voltar ao ponto onde estava quando nascemos, trazendo com esse retorno uma série de questionamentos sobre quem nos tornamos e quem queremos ser. No caso da Ju, esse retorno chegou um pouco mais ao pé da letra do que qualquer um esperaria:

Nesse tempo, praticamente fixa na cama, o que eu mais faço é pensar. E o pensamento maior, aquele que resume todos os outros, é: como a vida sabe ser pequena e gigante ao mesmo tempo. A única coisa que lembro com clareza sobre o acidente é de acordar na ambulância sem saber sequer se eu existia, muito menos se eu continuaria existindo a partir dali. Com o passar dos dias, à medida em que eu fui compreendendo que não foi dessa vez, eu fui também percebendo que eu não sei quando a vez vai ser, e que até lá tem uma quantidade gigante de vida a ser sentida com cada pedacinho de mim. Uma vida mágica demais para ser desperdiçada na rotina impensada na qual a gente tão facilmente acaba entrando. Comemorar é uma coisa que a gente não devia fazer a cada ano, mas a cada dia vivido.”


A partir disso, ela chamou os amigos para pensarem que algo que sempre dizem que gostariam de fazer, mas deixam pra outra hora seja por culpa da rotina, seja por preguiça, enfim. “Desse jeito, daqui até lá, eu vou me encher de motivos para sorrir – e no momento, pra mim não tem festa melhor do que essa”, continua ela.

Além de convidar a todos pra entrar nessa do presente da Ju – a conhecendo, ela vai ficar feliz da vida ao saber que inspirou outras pessoas -, deixo aqui o que escolhi fazer pensando nela.

“Fiquei pensando aqui no que eu poderia fazer para te dar de “presente” e percebi que, no geral, vou bem atrás das minhas vontades. Ao menos quando a gente pensa nessas coisas de forma mais grandiosa. Eu ainda não saltei de paraglider - no fim, acho que não queria tanto assim -, mas já viajei sozinha afu, corri a Europa, parte da América do Sul e a aurora boreal, a África e a Índia tb não ia rolar matar antes do dia 19. 
Daí me ocorreu - o tipo de coisa que chega pra gte numa terça de manhã, no meio de um pensamento e outro, e acaba nos pegando pegando pelo contrapé e virando o dia -, que ainda não pintei as paredes do apezinho em que moro. E eu moro em um quitinete pintado de vermelho, verde limão e laranja faz mais de um ano! (O dono tinha um lance das cores serem do guru dele, ‘não é minha culpa’, explico a todas as visitas…) E não pintei pq, no fundo, achei q iria sair logo dali, e saindo logo dali não valeria a pena, e não valendo a pena venho improvisando formas de viver no espaço desde então (na esteira da parede, percebi dezenas de outras pequenezas que ignorei, como a máquina de lavar que lava mas não bate a roupa como deveria, o negócio de colocar o xampu a caminho de enferrujar, a cortina tosca e por aí vai).
Um pouco por preguiça outro pouco – aí veio a grande “ocorrência” -, por também pensar, apesar de não ter nada em vista para isso, que logo sairia do Rio. Mas, pôxa, nenhum apartamento, nenhuma cidade e, em última escala, nenhuma vida merecem ser tratados como uma sala de espera, né?
Posto isso, vou te dar e me dar de presente uma singela parede branca. Pq, mesmo se eu decidir me mudar amanhã, como tu bem nos lembrou com esta tua comemoração tão bonita, e vem lembrando a cada nova postagem, a vida é agora, não o que faremos dela semana que vem.”

18.5.15

Cabelos brancos, prazer

De agora em diante, 2015 ficará conhecido como o ano em que os cabelos brancos deram oi, sambaram na cabeça da sociedade e cantaram de mãos dadas, "viemos para ficar". Coisa de ter 27 para 28 anos.
O que assusta nisso é a lembrança da finitude. Daqui pra frente, então, não estamos mais crescendo, tatiando, tentando?

15.5.15

Alface, ternura e uma iniciativa bacana contra a estiagem

Nem só de matérias um blog vive, mas...

Quando eu e Taís entramos na estufa em que está a horta hidropônica da escola, o professor Lúcio correu para fechar a porta por causa das borboletas. Elas, explicou, põem ovos que viram lagartas e depois novas borboletas – mas, antes disso, fazem um belo trabalho comendo toda e qualquer folha que aparece pela frente, incluindo alfaces.
Uma borboleta, de fato, aproveitou a nossa visita e entrou. Estar em um lugar que há tantas borboletas que é preciso correr para fechar a porta.
(Se estiver faltando ternura na sexta de vocês, é só dar play no belo vídeo que a Taís fez com o professor Lúcio e as crianças falando da horta.)

Escola no Rio capta água da chuva para economizar e regar horta de alunos


Estudantes do Ciep Pontes de Miranda trabalham em horta da escola
Desde o começo do ano, a produção da horta orgânica cultivada pelos alunos do Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Pontes de Miranda, em Senador Vasconcelos, na zona oeste do Rio de Janeiro, é regada com a água captada pela chuva. A iniciativa partiu dos estudantes que, sensibilizados com as notícias que davam conta da falta de água na região Sudeste, passaram a buscar formas de economizar na escola.
Primeiro, eles espalharam baldes para recolher as gotas que pingavam dos aparelhos de ar-condicionado espalhados pelo prédio, levados manualmente até a plantação. Depois, com a ajuda do professor Lúcio Teixeira, responsável pela disciplina de técnicas agrícolas, bolaram um sistema de captação de água da chuva que passou a ser usado para regar a horta.
(A matéria coisa e tal, tal e coisa, aqui.)

6.5.15

A história da Andrea


E tem dias que a gente só conta uma história, como a da Andrea. Vale entrar e ver as belissimas fotos do ensaio que o @mauropimentel_ fez.
Cabe aqui um causo que não entrou na matéria. Dela contando a história dela – teve o primeiro filho aos 19, se apaixonou por um violeiro, o moço sumiu do mapa e da vida dela, a deixando com quatro crianças para criar. Da história, sobrou a tatuagem de um violão na perna esquerda.

“Minha mãe dizia pra eu estudar, ir pra escola, eu querendo ir pro outro lado, e ela, “não vai, não vai. E eu fui, você sabe. Quer dizer, você não foi. Você ouviu a sua mãe, tá aqui.”

(Foto do Mauro Pimentel, que fez um ensaio muito triste e bonito sobre a Andrea)

Presa ao sofá, mulher com obesidade mórbida sonha em andar pelo Rio

Andrea Guimarães tem 45 anos, 1,65 metro de altura e, na última vez em que se pesou, em agosto, pesava 215 quilos. Sua vida se resume ao sofá de dois lugares em que dorme e faz as refeições e a vista da janela da sala de casa. 
"Tudo o que eu vejo é essa parede e esse barranco", diz, ao apontar a encosta vizinha à casa, localizada em meio a uma subida, acessível apenas por uma escadaria em Anchieta, na zona norte do Rio de Janeiro.

(matéria inteira aqui)

4.5.15

Na rodoviária de SP alguém tocava, por prazer - as malas ao lado denunciavam -, e BEM, bossas novas sequenciais em um piano de cauda numa lanchonete qualquer. Desse jeito a gente até esquece que a vida real na paulicéia não é um feriado de sol e frio na medida com amigos de folga e a cidade à disposição.