2.6.15

A família do 336

Tenho planos de transformar o meu agora antigo prédio em objeto de estudo. Cursando sociologia urbana, nada mais justo que pôr o 336 na roda. Uma das coisas que mais me impressionam por lá é o senso de comunidade; muitas vezes fico com a impressão de que os porteiros, ao me saberem família de uma pessoa só, se veem no papel também de irmãos mais velhos. Consertam chuveiros e encanamentos sem cobrar nada, se preocupam, às vezes pagam até de alcoviteiros. Um olhar parecido com o dos taxistas que volta e meia ameaçam não querer me largar em algumas pautas temendo pela minha segurança. Nessas, a quentura no coração cruza com a aversão a dar satisfações e a vontade de explanar que me viro bem sozinha. Vence a quentura, que tranquiliza dona Marlei. Laranjeiras, o 336, é mesmo uma cidade de interior. Sentirei saudade.

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