9.8.15

Dia dos pais

Desde pequena, decidi que queria ter uma assinatura marcante, inspirada na assinatura do pai, que até hoje me parece linda, altiva e quase que incompreensível. Apesar de ser capaz de desenhar uma letra de professora de colégio (que o jornalismo e a taquigrafia de pautas arruinaram), cresci tentando imitar a assinatura dele. Tentava daqui, tentava dali, nada de igualar a robusteza dos Ps e Bs, a sutileza do formato. Um dia me dei por satisfeita e cheguei, orgulhosa, num arrozoado meu que lembrava, de longe, o do seu Paulo, e que uso até hoje. Daí eu descobri que ele nunca teve assinatura nenhuma, aquela era apenas a forma como ele escreve Paulo Bianchi em sua letra particularmente ruim. Usando o dia dos pais como pano de manga pra reflexão, acho que ainda sigo nessa. Tentando ser mais Paulo Bianchi na vida, repetir a forma generosa como ele vê as pessoas e o mundo, quando ele apenas sai por aí sendo, com a maior naturalidade, sem tomar nem dois segundos para pensar a respeito. Lembro que tem churrascão com a família toda na grande Caxias do Sul e eu estou atrás do pc em mais um domingo de plantão e penso que, em grande parte, é culpa dele. Quem mandou me criar com esse gosto por ver o mundo e essa curiosidade por gente. Almas arrueiras, filhos arrueiros, seu Paulo. Ainda bem.

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