28.8.15

Mujica e a esperança

Deixa eu tomar dois minutos para falar da beleza de ver o Pepe Mujica, meu gaulês preferido, sentado ontem na Uerj, aqui no Rio, “falando com a juventude”, como fez questão este jovem senhor de 80 anos. O senhor ali naquela mesa, recebido com gritos, suspiros e sinalizadores (!), parecia mais um rockstar que um ex-presidente e ex-preso político de um pequeno país de pouco mais de três milhões de habitantes plantando no sul do mundo. E quem diria que a nossa juventude ainda seria capaz de ovacionar alguém ao ouvir frases como é ‘"é preciso começar a pensar como espécie, não como país"? Tinha outras tantas frases de efeito anotadas que tinha vontade de escrever aqui – e que calham de descer muito verdadeiras quando ditas por alguém que de fato dedicou a vida a viver como pensou -, mas, bom, ficaram para trás junto com os outros 50 bloquinhos que não saíram de casa comigo hoje, e vocês, de certo, lerão matérias melhores sobre a noite passada por aí. Mas fato é. Nesse tempo em que a gente é ensinado a desacreditar antes de por o pé na rua, Mujica e toda a sua trajetória nos lembram que a esperança/necessidade de lutar por um mundo melhor não são nem nunca serão démodé. A fala toda do Pepe e a alegria daquela multidão que o ouvia me deu vontade de citar o seu conterrâneo Galeano (que, por sua vez, também citava alguém, que eu já não lembro mais): “caminhamos dois passos, a utopia se afasta dois passos. Então para que serve a utopia? Para caminhar.”

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