13.8.15

O crime da cobradora

Rio de Janeiro, perto do meio dia. Uma dessas linhas de ônibus que vão da grande Laranjeiras à estação central. Leio um tanto quanto desatenta. Uma senhora faz psiu para a cobradora liberar a roleta para ela. A cobradora, que dava o troco para outra mulher, retruca, seca, mas polida, “um momento, senhora, estou terminando de dar o troco para uma passageira”. Senhora bufa. Cobradora a libera. Mulher sentada em algum lugar do ônibus grita, “você tem que ter educação! Tem que respeitar os mais velhos! Você é uma grossa!”. Outras duas mulheres começam a fazer coro e a xingar a cobradora também. Cobradora se recusa a pedir desculpas, diz que apenas pediu para a senhora esperar. Indignada, uma das mulheres grita que conhece os seus direitos, irá dar queixa na polícia, e ordena ao motorista que pare no primeiro posto da PM, que a cobradora tem que ir presa! O crime da cobradora. Esquecer o seu lugar na Casa Grande e Senzala.

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