25.11.15

Pizza caseira e gauchada em casa

A visita do Ale Lucchese e a consequente reunião de não dois, mas três fabicanos lá em casa em uma mesma noite – Carol Maia fez a ponte São Cristóvão-Laranjeiras e também prestigiou o apê com sua ilustre presença -, me deu a desculpa para sujar a mesa lá de casa e tentar fazer uma homemade pizza. Meia garrafa de vinho branco e umas duas horas depois, o resultado foi tão bacana que me deu vontade de tirar também o pó do Momento Chef aqui do blog.

Me inspirei em algumas massas de pizza que vi na internet mais o velho fator “é o que tem em casa” e fui colocando as coisas meio a olho. Basicamente, tu mistura farinha, sal, açúcar, fermento (era para ser biológico, usei Royal), azeite de oliva e água morna. Fiz na proporção seis xícaras de farinha, duas colheres rasas de açúcar mais pitadas e pitadões do resto.

Primeiro é preciso misturar tudo, amassar com carinho e alguma força e deixar a massa descansar por mais ou menos uma hora. Acho que usando o fermento biológico ela deve crescer bem. A minha ficou meio jururu, mas não atrapalhou o resultado final.

Massa crescida, é só fazer bolinhas e abrir em discos. Eu, que apesar de filha de mãe gringa não tenho rolo de macarrão, usei uma garrafa de vinho vazia de outros carnavais. Massa na forma, forma no forno por uns dez minutos para pré-assar, coloca o recheio, volta para o forno e voi-á-lá: você tem a sua one and only pizza caseira.

Fiz duas: uma marguerita, com queijo mussarela, tomatinhos cerejas e manjericão, tudo espalhado em cima da massa sem muito compromisso, e outra vegana, para a Carol, coberta com ratatouille (nome chique pra picadinho de legumes – cebola, berinjela, abobrinha e pimentão - refogados) e castanha ralada.

A foto da pizza eu vou, para variar, ficar devendo – aquela história, o papo tava bom, a gente estava com fome, a garrafa de vinho já estava a muito no fim, ninguém nem pensou em registrá-la. A ver, tô pensando em fazer um desenho, quem sabe, para resolver isso.

Mas acreditem, ficou bonita, lisinha, digna até de ligar para casa e contar para a mãe padeira toda orgulhosa. E a receita ainda tem aquela beleza de ser facinha, facinha.

***

Pra não dizer que ficamos sem imagens da noite, foco na Kafi, divando no colo do Breno, um dos meus roomates, e tentando ver se sobrava ao menos uma lasquinha de pizza pra ela.


24.11.15

Os indígenas e a luta pela terra no Mato Grosso do Sul

Parte da beleza de ser jornalista está em conversar e dar espaço a pessoas bacanas, que merecem o nosso tempo e o do leitor. Conversando com o antropólogo guarani-kaiowá Tonico Benites me surpreendi ao descobrir que as reservas criadas pelo governo são vistas pelos indígenas como locais de confinamento. A expulsão dos índios de suas terras para essas áreas, diz Benites, está na raiz de todos os conflitos no Estado. Com a PEC 215 a todo vapor na Câmara de Deputados, vale muito tomar uns minutos para entender esse emaranhado todo que tornou o Mato Grosso do Sul campeão em assassinato de indígenas - foram quase 400 mortos nos últimos dez anos –, e o que faz famílias inteiras deixarem esses espaços e enfrentarem fazendeiros e milícias armadas para voltar para as suas terras.

Índios que vivem em reservas estão confinados, diz líder guarani-kaiowá

Ao menos 390 indígenas foram assassinados entre 2003 e 2014 no Mato Grosso do Sul, segundo relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). O número de assassinatos é mais que a soma dos índios mortos em todo o resto do país no mesmo período (364). Para o antropólogo e professor Tonico Benites, no entanto, essa é apenas a face mais cruel da luta pela terra no Estado.
Para Benites, as reservas criadas pelo governo são locais de "confinamento". Guarani-kaiowá nascido na aldeia Sassoró, em Tacuru (MS) e pós-doutorando em antropologia pelo Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ele já foi ameaçado de morte quando fazia pesquisas na região e vê na expulsão dos índios de suas terras para essas áreas a raiz dos conflitos. A única solução, defende, é a devolução de parte do território do Estado para os indígenas.
UOL - Qual a situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul?
Tonico Benites - O Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do Brasil [em primeiro lugar vem o Amazonas]. São 77 mil indígenas, cerca de 47 mil apenas guarani kaiowá, concentrados no sul do Estado, na fronteira com o Paraguai. O principal problema é a disputa pela terra, que já é demandada há muito tempo. Frente à demora na regularização dos territórios, os indígenas reocuparam uma parte.
Entrevista completa, cliques e tal, aqui.

21.11.15

Gol anulado e a Maria da Penha

Tava aqui, de bobeira, em mais um plantão do barulho, quando me dei conta que tem violência doméstica ATÉ NAS CANÇÕES DA ELIS.



A música segue linda, mas esse "tirei sem pensar o cinto e bati até cansar" me ficou travado na garganta.

20.11.15

Quase balzaca

Reclamo com uma amiga que vi uma matrona italiana surgindo no espelho. Ela retruca: “tenho comprado cremes para rugas AND espinhas”. Estranho esse mundo que se avizinha dos 30.

11.11.15

El Tiempo esta despues



E mais uma versão, pra aquecer o fim da primavera.

9.11.15

Pequenos grandes assédios [#AgoraÉQueSãoElas] - ou Palim no Vitralizado

Oi oi oi. Passando rapidinho aqui só pra dizer que hoje (sábado, na verdade) tem Palim lá no Vitralizado, como parte da campanha #agoraéquesãoelas. O plano era falar de pop, mas acabou que foi difícil fugir do tema da semana e teci algumas linhas sobre os tais dos pequenos grandes assédios a que nós acabamos nos habituando cotidianamente.

6.11.15

Diálogos ciclísticos

Amigas combinam de sair para pedalar no fim de semana.

- Tô tão sedentária que no fim de semana passado andei meia hora de bicicleta e quase morri. Sério. Quase morri.

- Eu tenho vindo de bike para o trabalho. Hoje também quase morri, mas não pelo exercício. Mais pelos ônibus que esquecem que sou um ser humano.

3.11.15

Para a Fernanda

Lá pelos idos do longínquo 2008 (?) miss Fernanda Schossler foi morar comigo por uns meses num apartamento pertinho da faculdade, em que sobrava amor, loucura e cerveja, incluindo na parte da loucura nossa roomate bipolar de quem, com frequência, nos escondíamos, com a desculpa de estarmos dormindo. 
Também foi nessa época que a Fer passou a trabalhar na Centro, onde ela segue até hoje, depois de uma longa e tensa seleção. A gente acha que um estágio é só um estágio, mas quanto de uma vida não muda pelo simples fato de decidir trabalhar em um lugar e não em outro? 
Não sei precisar agora se foi na primeira ou segunda semana lá, seguramente no primeiro mês, que alguém da firma começou com a brincadeira inocente de chamar o Luciano de marido da Fernanda. A alemoa entrou nessa também e nos contou, entre risos, que havia arrumado um marido de mentira na agência. 
Até então, a coisa não ia além disso, mas eu bem tive uma aula semana passada em que o professor nos lembrou do poder da linguagem: "A forma como a gente narra o mundo constitui o mundo". 
Que desse marido imaginário o Lu tenha se tornado um marido real e, para falar bem a verdade, um dos melhores companheiros que eu como amiga poderia querer para uma das minhas melhores amigas, é de uma coincidência tão grande que parece mais história que qualquer outra coisa. Mas também a gente sabe que é dessas realidades que nascem as histórias para contar para os netos e as fábulas que nos fazem acreditar que é possível sim achar alguém para dividir a vida nesse emaranhado maluco de seis bilhões de almas.
Na sexta-feira à tarde, a Fernanda e o Luciano casaram num cartório qualquer de Porto Alegre, sem chuva de arroz nem festa, coisa de quem já estava casado há bem mais tempo, só não se tinha dado o trabalho de colocar as coisas em papel timbrado. 
E casamos nós todos um pouquinho, vendo mais uma página da inexorável caminhada rumo ao mundo adulto ser virada.
Ficam aqui os meus parabéns.
Amo vocês.
Ainda veto bebê Schossler-Lírio por motivos de bar.