24.11.15

Os indígenas e a luta pela terra no Mato Grosso do Sul

Parte da beleza de ser jornalista está em conversar e dar espaço a pessoas bacanas, que merecem o nosso tempo e o do leitor. Conversando com o antropólogo guarani-kaiowá Tonico Benites me surpreendi ao descobrir que as reservas criadas pelo governo são vistas pelos indígenas como locais de confinamento. A expulsão dos índios de suas terras para essas áreas, diz Benites, está na raiz de todos os conflitos no Estado. Com a PEC 215 a todo vapor na Câmara de Deputados, vale muito tomar uns minutos para entender esse emaranhado todo que tornou o Mato Grosso do Sul campeão em assassinato de indígenas - foram quase 400 mortos nos últimos dez anos –, e o que faz famílias inteiras deixarem esses espaços e enfrentarem fazendeiros e milícias armadas para voltar para as suas terras.

Índios que vivem em reservas estão confinados, diz líder guarani-kaiowá

Ao menos 390 indígenas foram assassinados entre 2003 e 2014 no Mato Grosso do Sul, segundo relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). O número de assassinatos é mais que a soma dos índios mortos em todo o resto do país no mesmo período (364). Para o antropólogo e professor Tonico Benites, no entanto, essa é apenas a face mais cruel da luta pela terra no Estado.
Para Benites, as reservas criadas pelo governo são locais de "confinamento". Guarani-kaiowá nascido na aldeia Sassoró, em Tacuru (MS) e pós-doutorando em antropologia pelo Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ele já foi ameaçado de morte quando fazia pesquisas na região e vê na expulsão dos índios de suas terras para essas áreas a raiz dos conflitos. A única solução, defende, é a devolução de parte do território do Estado para os indígenas.
UOL - Qual a situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul?
Tonico Benites - O Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do Brasil [em primeiro lugar vem o Amazonas]. São 77 mil indígenas, cerca de 47 mil apenas guarani kaiowá, concentrados no sul do Estado, na fronteira com o Paraguai. O principal problema é a disputa pela terra, que já é demandada há muito tempo. Frente à demora na regularização dos territórios, os indígenas reocuparam uma parte.
Entrevista completa, cliques e tal, aqui.

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