30.12.15

Para 2016


Em 2014, escrevi por aqui que, independente das bizarrices do ano, a vida quem vive é a gente, segunda, terça, ônibus, almoço, contas, sexta à noite, e por aí vai, sem folga. E é, mais uma vez, focando no meu caro umbigo – porque 2015, em termos nacionais e mundiais, francamente, o que falta acontecer? -, que faço essa retrospectiva.

O fim de ano me pegou de susto. Nem lembrava da existência de 2016 e ele apareceu, abanando além da esquina. Ao contrário do ano passado, em que me agarrava à esperança de que uma virada na folhinha levaria também todo o drama dos últimos 12 meses, chego aqui pensando que, por mim, 2015 ainda podia durar mais um pouquinho.

Lembro de ter feito uma lista de resoluções enquanto passava a primeira semana do ano com o povo em São Thomé das Letras, em Minas, e estou curiosa para encontrá-la e saber o quanto restou por fazer – sei que itens como voltar a estudar e usar mais batom (a lista, veja vem, tinha um grau variável de seriedade), foram devidamente riscados, mas é sempre bacana voltar à gente e ver o que nos movia há um tempo atrás.

De qualquer forma, foi um ano bom. Não foi um ano de grandes aventuras, mas foi um tempo de navegar. A calmaria costuma perder espaço na memória frente a qualquer momento mais frenético, mas há beleza em apenas ser, sem precisar lutar por isso.

Esse ano, como escrevi a uns posts atrás, não teve passaralho - como são chamadas as demissões no mundo jornalístico -, nem Copa ou paixões, e apenas isso já seria o suficiente para agradecer (e também me faz temer 2016, que já vem com Olimpíadas e eleições nas costas).

Mas 2015 foi ainda o ano em que voltei a estudar – alou sociologia urbana, alou Uerj! -, passei um mês mochilando a Colômbia, acrescentei mais bons amigos a lista de pessoas com quem tenho prazer de dividir os dias e, depois de um ano e meio morando all by myself, retornei a uma casa compartilhada, com a vantagem de pores do sol na rede da varanda e a presença sempre doce de dois roomies sensacionais.

Também fiz uma boa quantidade de reportagens das quais posso me orgulhar, passei o Carnaval ao lado da galera da Fabico depois de ter passado um fim de semana com eles, comemorando os 10 anos de amizade e da chegada à faculdade, coloquei a visita aos amigos em outros Estados em dia (MG, esse ano vai ser a tua vez) e parei até no Piauí fazendo matérias. Ufa. No meio disso tudo, ainda rolaram vários bons momentos, tanto em SP, quanto em Brasília, Caxias e no Rio.

2015 teve ainda alguma amargura. Caiu a ficha da passagem do tempo, bateu algum medo da solidão, algumas amizades deram uma estremecida e me liguei que os 30 tão logo ali, quase tão perto quanto 2016. Lidar com isso de uma forma saudável não deixa de ser uma boa meta para os próximos meses.

Como não pensei muito em 2016 também não cheguei a fazer nenhuma lista. Quem sabe nos próximos dias? Dá para manter os já tradicionais fazer mais exercícios, escrever e desenhar mais, comer melhor e por aí vai. Acrescentaria ainda as pequenezas como usar menos o telefone celular – ô vício dos tempos modernos -, e as redes sociais, e aprender a pegar jacaré e a jogar xadrez.

Mas mais do que isso, caro 2016, venha com erros novos. Porque a gente vai errar, dar murro em ponta de faca, bater com a cabeça na parede, não tem jeito. Mas que sejam, ao menos, erros novos, que dos velhos eu já tirei todo o aprendizado que podia.

Ta aí. Acho que se for para desejar algo, é isso. Por mais 365 dias para errar diferente e, no meio disso tudo, acertar um pouco também e, quem sabe, viver mais algumas aventuras.

P.S. Rá! Achei as resoluções do ano passado - na verdade, uma espécie de carta que escrevi para meu eu do futuro. E, poxa, que demais ver que o futuro chegou e cumpri duas das principais resoluções - voltar a estudar e viajar. Elas chegavam a estar pontuadas no P.S. Respondi um "sim, sra" mental e sorri. Um grande 2016 para todos nós!

19.12.15

Cicatrizes

Não sei vocês, mas eu tenho uma bela coleção de cicatrizes. E não falo metaforicamente. Sou cheia desses pequenos cortes, cada um, a sua maneira, com uma história para contar. Muitas, inclusive, viraram boas lembranças. Por mais que eu ache que meu joelho passaria bem sem a pequena elevação roxa um tanto quanto feiosa que ele ganhou nas últimas férias, não deixa de ser legal olhar pra ele e lembrar que, na mesma noite em que me estabaquei ao pisar em falso num degrau em uma pousada sem luz me sentindo o mais desastrado dos seres humanos, também passei, um joelho limpo e corte coberto com papel higiênico para estancar o sangue depois, um bom par de horas deitada na areia admirando o céu mais coalhado de estrelas que já vi em uma praia quase deserta de um caribe colombiano de sonho. O mesmo vale para as mais antigas. Só tem no meio da testa uma cicatriz de “ai meu deus se eu não morrer minha mãe me mata” por ter perdido o controle da bicicleta numa tarde de verão quem não via problemas em ser crianças e desafiar a gravidade e o bom senso em duas rodas. Olho, mais uma vez, meu joelho e sua mais nova marquinha e penso que toda a dor, de certa forma, carrega, se não alguma beleza, aprendizado. E seguimos. Evitando escadas em noites sem luz e colecionando memórias.


18.12.15

Rabiscos da Câmara

Do bloquinho na quarta-feira. Deputados Eduardo Cunha and Aníbal Gomes.


Spice, para apimentar a última sexta útil do ano

E o meu coraçãozinho fica pura nostalgia com essa versão da Mel C. de Too Much, das Spice, que muito alentaram minha pré-adolescência.

15.12.15

Carlos, Cleiton, Roberto, Wilton e Wesley

E teve essa história aqui, triste por demais, sobre os garotos assassinados pela PM na zona norte do Rio agora no fim de novembro, que acabei esquecendo de postar por estas bandas. Das matérias que deveriam ser a mais abusarda das exceções, e acabam se repetindo de novo e de novo. Porque quem mora além do Rebouças também tem nomes, histórias e sonhos.

14.12.15

Adeus às armas, 2015

E lá se vai 2015 dobrando a esquina, sorrateiro. Um ano – excluindo o mundo ao redor e a realidade política nacional –, tranquilo. Sem Copa, sem passaralho, sem novas paixões pra irem a pique. Ano para navegar. 2016, ainda mal pensei em você. O que será de nós?

Pequeno mapa romântico sentimental da Colômbia


11.12.15

Sobre machismos cotidianos

11 de dezembro de 2015.

Algum elevador em um prédio de escritórios no centro do Rio.

Três engravatados conversam sobre uma vaga. Um deles comenta que há dois candidatos muito qualificados, um homem e uma mulher. Outro pergunta se ele tem alguma preferência – ‘homem ou mulher’. Ele diz que não. O terceiro retruca.

“Homem. Sempre. Mulher fica de conversinha, de mimimi.”

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2015, amigos.
E esse dezembro da pá virada, como faz?