19.12.15

Cicatrizes

Não sei vocês, mas eu tenho uma bela coleção de cicatrizes. E não falo metaforicamente. Sou cheia desses pequenos cortes, cada um, a sua maneira, com uma história para contar. Muitas, inclusive, viraram boas lembranças. Por mais que eu ache que meu joelho passaria bem sem a pequena elevação roxa um tanto quanto feiosa que ele ganhou nas últimas férias, não deixa de ser legal olhar pra ele e lembrar que, na mesma noite em que me estabaquei ao pisar em falso num degrau em uma pousada sem luz me sentindo o mais desastrado dos seres humanos, também passei, um joelho limpo e corte coberto com papel higiênico para estancar o sangue depois, um bom par de horas deitada na areia admirando o céu mais coalhado de estrelas que já vi em uma praia quase deserta de um caribe colombiano de sonho. O mesmo vale para as mais antigas. Só tem no meio da testa uma cicatriz de “ai meu deus se eu não morrer minha mãe me mata” por ter perdido o controle da bicicleta numa tarde de verão quem não via problemas em ser crianças e desafiar a gravidade e o bom senso em duas rodas. Olho, mais uma vez, meu joelho e sua mais nova marquinha e penso que toda a dor, de certa forma, carrega, se não alguma beleza, aprendizado. E seguimos. Evitando escadas em noites sem luz e colecionando memórias.


Nenhum comentário: