6.1.16

Como ler mais

ou resoluções de ano novo a conta-gotas

Tava de bobeira na internet e me deparei com um desses textos de como fazer não sei o que com um cara pregando, “como ler 20 livros em um ano” e pensei: “rá, moleza!”. Já leio muito mais do que isso! Quem precisa de dicas sobre ler? Só que… não.

Checando meus alfarrábios vi que a conta batia, com força, nos 15 (considerando um livro que passei dezembro lendo e terminei comecin de janeiro). A vida adulta, as redes sociais, os seriados, a pós, o excesso de tarefas e a falta de tempo livre com a cabeça descansada? É sempre fácil apontar culpados. A verdade é que negligenciei as minhas queridas letras, que foram, de fato, quem me trouxeram até aqui – no fundo, no fundo, só cai no jornalismo, assim como tanta gente por aí, porque gostava de ler, e sonhava em, um dia, quem sabe, escrever algo de meu.

Pitangas choradas, é tempo de ação. Acho que 2016 aqui no bloguinho será marcado pelas resoluções a conta gotas. O plano é, portanto, não ler 20, mas 24 livros! Ou não me chamo Joaquina Solange!

A conta é de dois por mês, número que eu matava fácil até pouco tempo atrás e que me pareceria risível quando tinha 14 anos e lia de um a dois livros por semana. Um beijo para você, adolescência (seguido penso, inclusive, que fiz uma cota de aprendizado para a vida de mais até os 20 anos, e que, desde então, venho só emburrecendo e gastando esses neurônios).

Para atingir essa meta, vale seguir algumas dicas do moço e minhas (eu sei, eu sei, não li nem 20 livros e tô querendo dar lição de moral, mas vamos ancorar essa sabedoria na Paula rata de biblioteca do passado):

- Sempre tenha um livro na bolsa/mochila

Essa, amigos, é a regra de ouro. Esquecemos como a vida é cheia desses pequenos momentos de ócio em que bem caberiam uns minutos de leitura. A fila do banco, o busão até o trabalho, a espera por aquele amigo atrasado na mesa do bar.

Claro, a tecnologia colocou um entrave nisso. A diversão automática do celular que, como bem definiu Carolina Oms, nos joga para um buraco negro a cada olhadela, parecem sempre mais interessantes. Mas borá tentar vencer isso! Ao invés de matar o tempo checando o e-mail, Whatsapp, Twitter, Facebook, [preencha aqui com a sua distração telefoniana favorita], abre o livro ai, vai!

Não sei vocês, mas sempre que preencho meus minutos com livros, desenhos, textos ou outras coisas não relacionadas à tecnologia, me sinto melhor e parece que dou uma esticada no tempo, além de sentir também a mente mais leve. Ao invés daquele panorama eterno de informação, tu acaba focando em um relato contínuo, sem hiperlinks, o que permite ao cérebro (eu acho e umas artigos que li por aí concordam), fixar melhor a informação.

Isso pode ser atingido também em um leitor digital, claro. A questão não é a luta contra o hiperlink e a tecnologia em si, que é algo genial por permitir ampliar o que a gente lê, mas de de fato estar focado na leitura, saca?

Mas, ok, me alonguei demais nessa “regra de ouro”. Mas é de ouro, viu. Livro na bolsa é meio caminho pra livro lido. Posto isso, sigamos para o segundo ponto.

- Leia mais de um livro ao mesmo tempo 

Alguns dirão que isso é uma heresia, onde já se viu, mas é fato. Quando a gente lê mais de um livro, lê mais. Como assim, Braziu, você deve estar se perguntado. Primeiro prega o foco e na sequência quer dividir a atenção pelo mundo?

A questão, vejam bem, não é bem essa. Ler mais de um livro ao mesmo tempo significa admitir que nem sempre estamos no mesmo ânimo. E não estando no mesmo ânimo o tempo todo naturalmente não vamos querer ler a mesma coisa. Tens dias para romances russos e dias para contos rasteiros, assim como tem horas que a gente prefere ver um filme iraniano e outras tá só pelo pipoca estadunidense. Uma coisa não exclui a outra.

Pensem na literatura como um cardápio variado, um parquinho, feito para a gente se deliciar, não sofrer. Tem horas que o coração pede um conto do Caio Fernando Abreu, um romance da Clarice Lispector, e tem horas em que a gente se engata em um Alta Fidelidade da vida ou está mesmo por ler mais teoria e se vê de cabeça no Raízes do Brasil.

Lendo só um livro por vez tu acaba lendo menos por ignorar a sazonalidade da vontade. Isso, claro, não impede ninguém de grudar em um livro e contar os minutos para sair do trabalho/aula e querer terminá-lo, outra das delícias da literatura. Joga na bolsa aquele que faz teu coraçãozinho pulsar mais ou for mais leve e vai ser feliz.

O que nos leva ao terceiro ponto deste já longuíssimo texto:

- Não gostou, deixa para lá 

A vida é muito curta para ler livros que não nos dão prazer. Tem um ditado francês que diz que ‘manteiga é prazer’. Pois bem, ler é prazer. Faça porque te faz bem, porque te amplia o horizonte, porque é gostoso e apenas por isso. Ninguém é obrigado a seguir acorrentado a um livro por escolha própria só porque deu o azar de folhear algumas páginas – e as vezes até curtir, lá no começo, vá lá. Não tá legal, salta fora. Sem culpa, sem drama. Qualquer coisa, pensa que a vida também tem essa coisa de fase. Hoje não bateu, vai que ano que vem rola?

- Frequente livrarias/bibliotecas

Da mesma forma que nem sempre queremos ler a mesma coisa nem sempre queremos ler o que temos em casa. Aquela passadinha no sebo da esquina ou na biblioteca mais próxima – fica registrado aqui todo o meu amor às bibliotecas -, pode salvar as semanas em que nada parece nos animar além da página 2. Além, é claro, da mágica que existe nestes lugares. Não acho que encontramos livros, mas que eles nos encontram. E é preciso estar distraído e perto deles para que isso aconteça. Para isso, nada melhor do que flanar por corredores cheinhos de histórias ainda não descobertas. Vale também xeretar bibliotecas amigas. ;) 

E, por fim, a dica que vale tanto para ler quanto para viver mais.

- Dê uma folga ao telefone/tablet/PC

Uma vez em casa, deixe os eletrônicos paradinhos em algum canto, não grudados para cima e para baixo com você. Smartphone não é coleira, o mundo não termina se a gente não acompanhar as atualizações das redes sociais nem para de rodar se tu não responder imediatamente aquela mensagem de whatsapp ou e-mail. (Podemos dizer que é a suja falando do mal lavado, mas estou tentando mudar. Palavra de Joaquina!) 

Menos tempo conectado é igual a menos ansiedade e mais tempo de boa. E tempo de boa é tempo bom para ler.

Ufa. É isso aí. Boa leitura, galera. Nos vemos na linha de chegada no ano que vem.

P.S. Mais dicas são sempre bem vindas! E desculpem o textão. Me animei.

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