26.2.16

Sobre carnavais e a tal da avenida

(post reciclado de 2014)

Nunca tive muita (nenhuma) paciência para os paranauês de Carnaval de avenida, tão pouco me deslumbrei, como haviam prometido os amigos, quando tive a chance de ver a bateria da Mangueira ao vivo comendo asfalto na Sapucaí -- apesar de admitir que uma bateria de escola de samba passando na tua frente a pleno vapor tem o seu valor e é o tipo de coisa legal de ser ao menos uma vez na vida. Foi só nesse verão, ao ser obrigada por força da profissão a caçar matérias em cada uma das 12 escolas do grupo especial carioca (que não chama grupo A, fica a dica), que entendi a grandeza do negócio. Tem nada a ver com os milhões gastos nos carros, com a purpurina toda da avenida ou as peladonas. É um negócio mais fundo, mais sem explicação, tipo escolha de time de futebol. A beleza tá no povo que põe a vida na roda pra esse negócio que, ok, ainda me parece meio cafona (sorry, Marcus), existir. Tipo a Tia Nilda, que desfila como baiana pela Mocidade há 38 anos e ficou feliz da vida porque a escola agora dá CDs com a letra do samba enredo e muitas das baianas, que não sabem ler, conseguem decorar a música mais fácil. Ou o Tião, que nasceu na mesma casa e no mesmo ano que a Império da Tijuca foi criada e até hoje, aos quase 80 anos, vai para o desfile com agulha, linha, esparadrapo, alfinete de segurança e o que mais conseguir levar para ajudar a salvar a galera na hora do aperto – seja ele uma fantasia rasgada ou um ritmista com as mãos machucadas. Gente, sabe? Ainda passo cobrir a avenida, mas agora olho com mais carinho pra essa bagunça toda.

Nenhum comentário: