18.6.16

As histórias do pai

Meu pai, meu herói, meu maior leitor (junto com a sra Dona Marlei e minhas tias), veio feliz comentar a história do seu Geraldo, o taxista (estão todos pura revolução digital desde que um tablet entrou porta adentro lá de casa). Animado, disse que eu tinha era que escrever sobre a minha infância com Bianchi jr. e lembrou dois, três casos que ganharam estrelinha no anedotário familiar. Como a vez que atravessamos a cidade com o alarme do carro ligado, abrindo caminho entre as movimentadas avenidas de Caxias do Sul, porque chegar na escola no horário era mais importante que qualquer conserto, ou o fim de tarde em que eu quis ver o pôr-do-sol nas montanhas de uma cidade vizinha e, ao voltar, a luz da camionete sumiu, nos fazendo correr as curvas da BR-116 no escuro, só com o pisca-alerta ligado, grudando em cada carro que aparecia para aproveitar os faróis alheios e assustando os motoristas que cortavam o país mais pro Chuí que por Oiapoque. “Ainda sento pra escrever um livro só com as tuas histórias, pai”, retruquei. “As nossas”, ele contestou. O que boa parte de vocês aí não sabem é que eu me chamo Paula Bianchi por conta do Paulo Bianchi e que só sou eu porque cresci com ele ao meu lado.   

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