15.6.16

(Escrevo aqui para dizer para mim mesma que não vou te escrever. Sonhei com você hoje. Lembrei de você ao atravessar a rua, ao pegar o ônibus, ao sentar e ler no jornal uma colunista que já tínhamos comentando. Queria ser capaz de decifrar você na mesma medida em que queria conseguir te esquecer de vez. Mas lá vou eu, viro uma curva e bum. Você. Na placa da empresa de engenharia que se espalha pela cidade, na propaganda de um grupo universitário na TV, numa avenida perdida no meio de Portugal. Seu nome como um lembrete, uma praga, uma provocação. Seus olhos e o seu perfil no rapaz que achei ter me chamado atenção por acaso num sábado à noite qualquer. Tenho noção de que esse é um você inventado, nenhuma realidade aguentaria tamanha onipresença. Coisas de um coração bobo e saudoso desse estar mais cheio, pulsar mais rápido, sofrer mansinho. A vida, afinal, disse alguém uma vez, é feita das coisas que acontecem e das coisas que poderiam ter acontecido. Como você.)

Nenhum comentário: