9.8.16

O transporte carioca e as suas peculiaridades

O ônibus pode tanto te ignorar no ponto fazendo polichinelo pra garantir espaço no campo visual do motorista quanto estacionar fora dele e esperar tranquilamente a sinaleira abrir pra ti embarcar (para o rancor dos outros passageiros).

Sabe q eu tava aqui elaborando uma teoria sobre a relação busão/motora/passageiro. A questão, acredito, é ver os motoristas apenas como meros condutores de um veículo a serviço público. O motorista de ônibus no Rio não é um simples motora, ele é o piloto (como tu bem pontuou, Carol), o dono da bola. Uma vez ao volante, não se prende a questão pueris como respeitar regras de trânsito ou mesmo o trajeto da linha. Rola quase uma transcendência. a gente se entrega por livre e espontânea vontade as decisões dessa pessoa, que podem tanto passar por cantar Kid Abelha a plenos pulmões (imagina isso em Porto, SP?), quanto 'dar um dez' pra fazer um lanche e bater um papo numa esquina qualquer enuqanto geral espera pacientemente (o que não deixa de ser libertador nesses tempos decisões all the time). Já corri atrás de ônibus e bati boca por conta da velocidade e de velhinhos deixados a ver navios no ponto, já vi passageiro reclamar aos berros que o motorista estava querendo agradar a chefia ao parar em todos os pontos e andar de acordo com o permitido pela lei, mas também já vi o cara parar pra me embarcar por trás em outra linha no meio do caminho quando comentei que tinha pegado o ônibus errado e me liberar a catraca numa manhã atrasada em que deixei a cabeça e a carteira em casa. Por essas e por outras que nenhum lugar é capaz de igualar essa cidade.

Nenhum comentário: