21.12.16

Cenas de verão

Combino com amigos de ir à praia após o trabalho. Biquini na bolsa, o Leme vira aterro. Alguém traz uma bola, jogo basquete pela primeira vez desde o colégio com um estranho que conhecemos na quadra. Meia hora de correria depois, migramos atrás de uma partida de vôlei que nunca começou. Vou descalça pela pista de corrida apreciando a temperatura do asfalto. Algum termômetro no caminho marca 38º. A conversa gira tem torno do clássico diferenças entre cariocas e o resto do mundo. “O bom e o ruim do Rio é que a cidade parece uma pracinha, todos se encontram o tempo todo”. Cruzo com um conhecido que se desculpa pelo suor e desacelera a corrida para um abraço. “Quando alguém diz vamos fazer algo na sexta significa ‘foi bom te ver, a gente se cruza por aí’.” Sentamos na areia. Entrar ou não entrar no mar da baía de Guanabara? Um barraqueiro animado aparece e em pouco tempo minha canga é cercada por uma mesinha, cadeiras e latões de cerveja devidamente acomodados em camisinhas de isopor. O sol cai aos poucos. Chegam amigos de amigos, a mesa aumenta. O fundo é o pão de açúcar. De esguelha, por entre prédios, é possível ver o Cristo. Deixo os amigos e caminho de volta até a minha bicicleta pela areia. Me distraio com os caras que passam correndo por mim e me pego olhando por mais tempo para um deles. Ele para para me cumprimentar; outro conhecido. Desvio de um casal de namorados que escuta música alta, bato os pés na grama para colocar as alpargatas, destranco com calma o cadeado da bicicleta. Um ambulante ao lado quebra um coco para dar de beber ao cachorro. Atravesso a avenida e tomo o rumo de casa. Quase 22h, a rua borbulha de gente, os termômetros seguem namorando os 40º. Verão, enfim.

***
(mais verão. Tomo um banho, me preparo para quebrar um ovo e miro a frigideira. Falta luz. Aos poucos os olhos se acostumam e o breu diminui. Respiro a escuridão e o quase silêncio. Termino o jantar com a lanterna do celular. Da varanda, escuto os burburinhos de reclamação dos vizinhos e vejo pontos de luz intermitentes de uma que outra lanterna. Parte da fiação do poste em frente ao prédio pegou fogo, avisa uma amiga que mora na mesma rua pelo Whatsapp. Melhor ficar sem água ou sem luz? Deito na rede e começo a ler com o que me resta de bateria no telefone. A luz volta, a vizinhança comemora como se fosse um gol. Devia ter entrado na água.)

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