19.12.16

Cenas serranas

A mãe e a Caro descascam, com carinho, um punhado de physalis recém colhidos que serão mergulhados no chocolate para acompanhar, em algumas horas, o café da tarde. Eu e o pai somos instados a ajudar e tentamos, sem muito jeito, seguir a risca as instruções de dobrar para cima e torcer as folhas já secas dessa frutinha amarela e de nome estranho que a minha memória associa mais a noites dançando em Bogotá, onde faz às vezes de amendoim nos bares, que à serra gaúcha. Desço com o pai na lavoura; cruzamos com pêssegos, peras, romãs, goiabas, abacates, um pé de jabuticaba que “insiste em não jabuticabar”, e uma pitangueira com três pombas rolas - duas pequenas e uma maior -, escondidas por entre os galhos. “Estão tomando lições de vôo”, diz o pai. Chegamos ao tal do physalis, um arbusto baixo, que de longe lembra um tomateiro selvagem e que um senhor contratado para roçar o terreno tomou por mato uns meses atrás. Pergunto como uma planta que ousa ter até ph no nome chegou ao nosso quintal. Ele remexe com delicadeza a terra ao redor, levanta alguns galhos para mostrar os casulos que guardam os frutos, e responde. “Foram os passarinhos.”

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